Refinarias chinesas rejeitam petróleo venezuelano à medida que o bloqueio dos EUA aumenta os preços

Refinadores de petróleo chineses estão a afastar-se do crude venezuelano. O que outrora era uma alternativa barata já não é barato — e a crescente pressão naval dos EUA está a tornar a situação ainda mais difícil. De acordo com a Bloomberg, o desconto no crude Merey — principal grau de exportação da Venezuela — reduziu-se de $15 abaixo do Brent para apenas $13 abaixo. Pode parecer insignificante, mas para o mercado é uma mudança importante. Como a China é o maior cliente da Venezuela, o impacto é imediato.

Remessas de petróleo caem drasticamente à medida que a pressão naval dos EUA entra em vigor Dados da Bloomberg mostram que as entregas de crude venezuelano à China caíram acentuadamente no mês passado. O bloqueio dos EUA interrompeu os fluxos de exportação, os custos de transporte aumentaram e os comerciantes estão a repassar esses custos aos compradores — que agora não estão dispostos a pagar mais pelo mesmo barril. Refinadores estão a optar por esperar. Os seus tanques de armazenamento estão cheios e a procura por betume — o principal produto feito a partir do Merey — está fraca devido à desaceleração da construção de estradas na China.

Compradores adiam compras enquanto o armazenamento flutuante aumenta Os refinadores chineses têm um plano B. Navios-tanque que transportam 82 milhões de barris de crude sancionado, incluindo petróleo venezuelano, estão atualmente ancorados nas costas da China e da Malásia. Esses estoques flutuantes, monitorizados pela Kpler, servem como uma reserva de emergência caso a pressão dos EUA interrompa ainda mais o fornecimento.

Tensões políticas aumentam: Maduro capturado, mercados reagem A situação vai além dos preços — é também política. No fim de semana, os Estados Unidos lançaram uma operação surpresa na qual o Presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa foram levados para território dos EUA. Maduro agora enfrenta acusações de tráfico de drogas e violações de armas. O choque geopolítico fez os mercados moverem-se. O crude Brent subiu 1,7% para quase $62 por barril, à medida que os comerciantes especulavam que o setor petrolífero da Venezuela poderia ser revivido se Washington agir rapidamente para remodelar a liderança política do país.

Delcy Rodríguez surge como candidata preferencial de Washington Nos bastidores, funcionários dos EUA e líderes da indústria petrolífera estão a apoiar um nome: Delcy Rodríguez, segunda-in-comando de longa data de Maduro e ex-ministra do petróleo. Segundo fontes, executivos influentes, advogados e lobistas têm defendido que ela seja a única opção realista para reiniciar o setor petrolífero colapsado da Venezuela. “Delcy é com quem sempre negociámos”, disse um alto funcionário da indústria. “Se alguém pode reviver a produção e reabrir as compras chinesas, é ela.” Rodríguez já foi juramentada pela Assembleia Nacional como presidente interina. Num discurso inflamado, chamou à captura de Maduro de “sequestro”, exigindo o seu retorno — embora insiders digam que o discurso foi em grande parte teatro político destinado a protegê-la de retaliações enquanto consolida o poder nos bastidores.

Chevron mantém operações enquanto a indústria pressiona por alívio das sanções A Chevron — a única empresa petrolífera dos EUA ainda a operar na Venezuela — afirmou que não tinha conhecimento prévio da operação americana. A empresa diz que continua a cumprir totalmente as leis dos EUA e da Venezuela. Entretanto, as empresas petrolíferas estão a pressionar Washington para levantar as sanções imediatamente, para que Rodríguez possa estabilizar o setor antes que ele colapse completamente. Em dezembro, a Venezuela foi forçada a encerrar várias poços por não ter capacidade de armazenamento — uma consequência direta do bloqueio das exportações. Se a situação não melhorar em breve, Rodríguez corre o risco de perder a influência que acabou de adquirir. Por agora, no entanto, ela parece estar a ganhar terreno, apoiando-se na antiga rede de Maduro para manter o sistema a funcionar — pelo menos temporariamente — enquanto trabalha para reviver a produção e reabrir canais comerciais com a China.

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