Os grandes do Banco Central não estudam mais as taxas de juro, agora estão a estudar o USDT?



Título acadêmico: «Stablecoins e transmissão da política monetária». Mas, na linguagem do povo:

“Socorro, se os europeus começarem a usar USDT, as nossas subidas e descidas de juros tornam-se irrelevantes!”

Isto tem a ver com como a política monetária se transmite para o cidadão comum.

O roteiro normal é: Banco Central Europeu aumenta a taxa de juros → bancos comerciais ficam mais caros para emprestar → bancos aumentam as taxas de empréstimo para ti → comprar casa ou carro fica mais caro → gastas menos → os preços baixam.

O núcleo desta cadeia é o banco comercial.

Mas o problema surge: e se o dinheiro começar a sair dos bancos?

Tu retiras 10.000 euros da conta bancária e trocas por USDT. Achas que só trocaste de carteira, que o dinheiro ainda está lá. Mas, para o sistema, esse dinheiro já desapareceu do sistema bancário.

No banco, fica uma menos uma poupança, e há menos dinheiro disponível para emprestar.

Se uma pessoa faz isso, tudo bem. Mas e se milhões de europeus fizerem o mesmo?

Retirar depósitos bancários, e para sobreviverem, só podem recorrer ao mercado para pegar dinheiro a preços elevados (chamado “financiamento por atacado”, duas ou três vezes mais caro que os depósitos), e assim os bancos tornam-se mais cautelosos, mais caros e mais difíceis de emprestar.

Empresas não conseguem financiamento, pessoas não conseguem comprar casas, a cadeia económica começa a travar.

E aí, o Banco Central Europeu quer subir os juros para arrefecer? Desculpa, a transmissão já está partida.

Ainda mais interessante, o estudo revela dois fenómenos “contra a intuição”:

1. Os bancos já não se atrevem a reduzir as taxas de depósito à vontade

Antes, quando o BCE cortava juros, os bancos seguiam a tendência, e os clientes aceitavam. Agora, com stablecoins como “plano B”, se o banco reduz juros, os clientes correm a comprar USDT para ganhar juros. Para reter depósitos, os bancos têm que manter taxas altas — é como se o BCE acelerasse, mas os bancos travassem.

2. O efeito de aperto monetário é amplificado e difícil de prever

Quando o BCE aumenta os juros, o custo de financiamento por atacado dos bancos sobe mais rápido, e as taxas de empréstimo podem subir mais do que o esperado. A desaceleração económica é maior do que o previsto, causando danos desnecessários.

Resumindo: o BCE aperta ou afrouxa, o efeito varia, e a direção nem sempre é a certa.

A política monetária parece estar a conduzir às cegas.

Mas isso ainda não é o mais preocupante para o BCE.

O verdadeiro problema é: o Federal Reserve está a infiltrar-se silenciosamente na zona euro.

USDT é cotado em dólares, apoiado por títulos do Tesouro dos EUA na carteira da Tether.

Um alemão compra USDT com euros → o dinheiro vai para a Tether → a Tether compra títulos do Tesouro dos EUA → é como se esse alemão estivesse a emprestar dinheiro ao governo americano.

O seu dinheiro sai do sistema bancário europeu, sai do euro, e entra no sistema dólar.

O BCE controla o euro, mas os europeus têm na carteira uma stablecoin em dólares.

Este desalinhamento chama-se “erosão da soberania monetária”.

Em linguagem simples: o Fed não abriu uma filial na Europa, mas, através das stablecoins, a sua influência já se infiltrou.

O BCE também admite que ainda não chegou a esse ponto, mas a variável-chave é uma só — a escala.

Atualmente, o valor de mercado global de stablecoins é cerca de 3120 mil milhões de dólares, mais que duplicou nos últimos três anos. O BCE prevê que, até 2028, possa atingir 2 biliões de dólares.

Quando isso acontecer, as stablecoins vão retirar dezenas de biliões de euros em depósitos do sistema bancário, e o coeficiente de transmissão α vai disparar, levando o sistema bancário tradicional a um colapso.

Na última frase do estudo, deixo a minha tradução:

“Podemos fingir que não vemos agora, mas, quando percebermos, já será tarde demais.”

Portanto, na próxima vez que ouvires alguém a dizer que as stablecoins são apenas “ferramentas de pagamento”, mostra-lhe esta pesquisa:

“Desculpa, o Banco Central Europeu já está preocupado com isso.”
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