Por que a geração mais velha é mais resistente e os jovens mais propensos à depressão? Não é uma questão de "resiliência" versus "fraqueza", mas sim duas lutas de boxe com regras completamente diferentes.


A geração mais velha enfrentava brigas de rua, com o adversário sendo a pobreza e a fome, objetivo claro de dar um soco e ver sangue, vencer para comer, perder e morrer de fome. Simples, bruto, direto. Os jovens lutam uma "guerra espiritual" invisível, cercados de espelhos, onde cada golpe é uma sombra de si mesmos. O maior inimigo é a voz dentro da cabeça. Não há nocaute, apenas um consumo incessante.
O sofrimento da geração mais velha é extremamente concreto: barriga vazia, inverno frio, colheitas destruídas por granizo. Objetivos claros, feedback direto. Com fome, procuram comida; com frio, procuram lenha. O ciclo de feedback é o mais curto possível. O mundo deles é como um jogo antigo, derrotar monstros, pegar recompensas, evoluir. Monstros difíceis, mas sabem que ao derrotá-los, ganham algo. Essa certeza é uma âncora.
"O sofrimento coletivo" dilui a dor individual; todos estão nus, ninguém se sente constrangido. Canais de informação fechados, conhecendo apenas umas poucas dezenas de pessoas na vida, o objeto de comparação é o vizinho, o velho Wang, que consegue alcançar na ponta dos pés, sem desesperar-se com a ideia de que "a vida acabou". Naquela época, a depressão era um luxo.
O sofrimento dos jovens é abstrato, flutuante. Diferente da fome, que tem dor clara, ou do frio, que tem soluções concretas. É como um gás tóxico no ar, invisível, intangível, que corrói os nervos a todo momento.
A raiz da dor está na "quebra de certeza". O roteiro do passado era bem definido: estudar bem, passar na universidade, conseguir um bom emprego, casar, ter filhos, comprar casa e carro. Apesar de lotado, era visível o caminho. Agora, esse caminho foi destruído. O diploma obtido com esforço não vale mais nada, as grandes empresas fazem 996 até os 35 anos e depois te descartam, esvaziando seis carteiras para comprar uma casa, com medo de perder o emprego. O esforço não garante mais sucesso, nem mesmo sobrevivência.
A disparidade entre esforço e recompensa é a primeira bala que destrói a linha de defesa mental. Como jogar um jogo e passar o dia lutando contra monstros, só para o sistema te informar que sua experiência zerou e seus equipamentos sumiram. O inimigo dos jovens é interno e difuso: ansiedade, confusão, incerteza. O maior inimigo torna-se "o filho da outra pessoa", amplificado na era da internet.
Abrir o celular e ver "95 pós ganham milhões por mês", "00 pós deixam o emprego para viajar", "25 anos com sete dígitos de poupança" é como uma lâmina envenenada cravada no coração. Começa a duvidar de si mesmo, perguntando por que os outros são tão incríveis e você tão lixo. Antes, comparava-se apenas com o vizinho, agora com as pessoas mais incríveis do mundo. As redes sociais, com seus filtros de beleza, vendem uma vida perfeita, enquanto você tenta competir com seus dados reais, enfrentando ansiedade e desespero crescentes, até se destruir por dentro. Assim começa a depressão.
Ter muitas opções equivale a não ter nenhuma. A geração mais velha não tinha escolha: nascida no campo, provavelmente seria agricultor a vida toda; aceitar o destino às vezes é libertador. Agora, o mundo se apresenta como um quadro de possibilidades infinitas. Teoricamente, tudo é possível; na prática, nada pode ser feito. Cada decisão tem um custo e risco enormes, e você não tem nada. A ilusão de "possibilidades ilimitadas" e a realidade de "dificuldade em dar um passo" criam uma enorme lacuna, levando à paralisia decisória, medo de errar, e a ficar parado, consumido pela ansiedade e confusão.
A mente da geração mais velha é como um Nokia antigo: poucas funções, resistente a quedas, bateria duradoura, CPU que só faz uma coisa: sobreviver. A mente dos jovens é como o smartphone mais recente: cheio de funções, com dezenas de aplicativos abertos, CPU sobrecarregada, bateria esgotando rapidamente, superaquecendo e travando.
O que fazer? Desligar o "comparador" na cabeça, admitir de coração que a maioria das pessoas é comum, e que os mitos de sucesso na internet são apenas histórias de ficção. Desligar o círculo social e os aplicativos de ansiedade, focar em si mesmo. Dividir grandes objetivos em pequenas tarefas concretas, para recuperar uma sensação de controle real. Aprender a "separar os temas", distinguir o que é sua responsabilidade do que é dos outros, e deixar de lado as expectativas, avaliações e emoções alheias. Permitir-se falhar, errar, descansar, sem a pressão de estar sempre perfeito ou excelente. Assim, a verdadeira liberdade interior é conquistada.
A geração mais velha e os jovens enfrentam os seus próprios "caminhos sem saída" de suas épocas, sem que ninguém seja mais nobre ou mais vulnerável. Seus mapas estão impressos em papel, com rotas claras; os nossos, atualizados em tempo real, com o GPS dizendo "há congestionamento à frente, replaneje", "você saiu da rota", "o destino não existe". Não se culpe pelos padrões da geração anterior; essas cicatrizes não são vergonha, mas medalhas, provas de que você ainda pensa, sente, luta. E isso já é suficiente.
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