Os preços do café permanecem voláteis, à medida que múltiplos obstáculos pesam sobre o sentimento do mercado, mesmo com algum suporte técnico surgido hoje. Os contratos futuros de arábica de março subiram +0,39%, enquanto o café robusta ICE de março caiu -2,24%, atingindo uma mínima de quatro semanas. A divergência reflete dinâmicas de mercado mais profundas, onde o otimismo quanto à oferta luta contra preocupações de demanda, especialmente com as chuvas abundantes no Brasil e as exportações crescentes do Vietname, que continuam pressionando os preços para baixo.
Futuros de Café Sob Pressão: Sinais Mistos de Mercado
As negociações de hoje mostraram uma ação típica de lateralidade—o arábica conseguiu ganhos modestos por meio de cobertura de posições vendidas, mas essa recuperação mostrou-se frágil após não conseguir romper acima da mínima de cinco meses da última sexta-feira. A fraqueza do robusta contou uma história mais clara, caindo para mínimas de quatro semanas, enquanto os investidores digerem os obstáculos estruturais enfrentados pelos mercados de arábica e robusta. A desconexão entre a leve recuperação do arábica e a contínua queda do robusta destaca como o mercado está precificando de forma diferente os dois tipos de café à medida que as dinâmicas de oferta mudam.
Chuva no Brasil: Benefício para a Produção, Prejuízo para os Preços
A região cafeeira do Brasil recebeu significativamente mais umidade do que o normal no final de janeiro. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, que fornece uma parte importante do arábica global, acumulou 69,8 mm de chuva na semana encerrada em 30 de janeiro—cerca de 17% acima da média histórica. Embora essa umidade apoie a saúde e a produtividade das plantas, ela também pesa sobre os preços do café ao melhorar as perspectivas de oferta.
Essa abundância de oferta contrasta com a escassez anterior. Na semana passada, o Brasil reportou que as exportações de café verde de dezembro caíram 18,4% em relação ao ano anterior, com as remessas de arábica diminuindo 10% e o robusta caindo ainda mais, 61%. No entanto, olhando para o futuro, a previsão de dezembro da Conab sugeriu que o quadro de oferta mais apertado a curto prazo se inverterá. A agência de previsão de safra do governo brasileiro aumentou sua estimativa de produção total de café para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, sinalizando que haverá oferta suficiente à medida que a temporada avança.
Surto de Produção no Vietname e Aumento de Estoques Pesam
A dominância do Vietname na produção de robusta pesa cada vez mais sobre os preços globais do robusta. O Escritório Nacional de Estatísticas do país informou que as exportações de café de 2025 aumentaram 17,5% ano a ano, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas—um crescimento substancial que aumenta as ofertas globais. Olhando adiante, a produção do Vietname deve subir 6%, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas, ou 29,4 milhões de sacos, marcando o maior nível em quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname prevê que a produção possa ser até 10% maior em 2025/26, se o clima favorável persistir, reforçando a influência crescente do Vietname sobre os preços globais do robusta.
Esse aumento de produção coincide com recuperações de estoques que pesam ainda mais sobre os preços. Os estoques de arábica na ICE, que atingiram uma mínima de 1,75 anos de 398.645 sacos em novembro, recuperaram para 461.829 sacos em meados de janeiro. De forma similar, os estoques de robusta caíram para uma mínima de um ano em dezembro, mas se recuperaram para 4.609 lotes na semana passada. Essas recuperações de estoques indicam aos traders que a ansiedade de oferta está diminuindo, removendo um suporte importante para os preços.
Perspectiva do USDA para 2025/26: Ganhos de Produção versus Oferta Mais Apertada
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou um quadro detalhado em seu relatório de dezembro. A produção mundial de café deve aumentar 2%, atingindo um recorde de 178,85 milhões de sacos em 2025/26, embora a composição seja importante: a produção de arábica deve diminuir 4,7%, para 95,5 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve subir 10,9%, para 83,3 milhões de sacos. Essa mudança estrutural—menos arábicas, mais robustas—está alinhada com a fraqueza atual do mercado de robusta.
A produção do Brasil, apesar do otimismo recente da Conab, deve cair 3,1%, para 63 milhões de sacos em 2025/26, o que eventualmente pode sustentar os valores do arábica. A produção do Vietname deve subir 6,2%, atingindo 30,8 milhões de sacos, o maior em quatro anos, mantendo a pressão de baixa sobre o robusta. As reservas finais para o ano de comercialização (outubro a setembro) devem contrair 5,4%, para 20,15 milhões de sacos, de 21,31 milhões, uma redução modesta que oferece suporte limitado aos preços.
O Equilíbrio: Quando a Abundância de Oferta Pesa sobre os Valores
Os preços do café hoje refletem a tensão contínua entre forças de curto prazo e estruturais. Chuvas intensas no Brasil e recordes de produção no Vietname pesam sobre os valores devido à abundância de oferta que representam. No entanto, diminutas quedas nos estoques globais e a previsão de fraqueza na produção de arábica sugerem que a fraqueza dos preços pode ter limites. Por ora, o mercado está precificando um mundo de oferta suficiente, o que limita qualquer potencial de alta de preços no curto prazo.
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Como as Chuvas Intensas no Brasil e as Exportações do Vietname Afetam os Preços Globais do Café
Os preços do café permanecem voláteis, à medida que múltiplos obstáculos pesam sobre o sentimento do mercado, mesmo com algum suporte técnico surgido hoje. Os contratos futuros de arábica de março subiram +0,39%, enquanto o café robusta ICE de março caiu -2,24%, atingindo uma mínima de quatro semanas. A divergência reflete dinâmicas de mercado mais profundas, onde o otimismo quanto à oferta luta contra preocupações de demanda, especialmente com as chuvas abundantes no Brasil e as exportações crescentes do Vietname, que continuam pressionando os preços para baixo.
Futuros de Café Sob Pressão: Sinais Mistos de Mercado
As negociações de hoje mostraram uma ação típica de lateralidade—o arábica conseguiu ganhos modestos por meio de cobertura de posições vendidas, mas essa recuperação mostrou-se frágil após não conseguir romper acima da mínima de cinco meses da última sexta-feira. A fraqueza do robusta contou uma história mais clara, caindo para mínimas de quatro semanas, enquanto os investidores digerem os obstáculos estruturais enfrentados pelos mercados de arábica e robusta. A desconexão entre a leve recuperação do arábica e a contínua queda do robusta destaca como o mercado está precificando de forma diferente os dois tipos de café à medida que as dinâmicas de oferta mudam.
Chuva no Brasil: Benefício para a Produção, Prejuízo para os Preços
A região cafeeira do Brasil recebeu significativamente mais umidade do que o normal no final de janeiro. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, que fornece uma parte importante do arábica global, acumulou 69,8 mm de chuva na semana encerrada em 30 de janeiro—cerca de 17% acima da média histórica. Embora essa umidade apoie a saúde e a produtividade das plantas, ela também pesa sobre os preços do café ao melhorar as perspectivas de oferta.
Essa abundância de oferta contrasta com a escassez anterior. Na semana passada, o Brasil reportou que as exportações de café verde de dezembro caíram 18,4% em relação ao ano anterior, com as remessas de arábica diminuindo 10% e o robusta caindo ainda mais, 61%. No entanto, olhando para o futuro, a previsão de dezembro da Conab sugeriu que o quadro de oferta mais apertado a curto prazo se inverterá. A agência de previsão de safra do governo brasileiro aumentou sua estimativa de produção total de café para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, sinalizando que haverá oferta suficiente à medida que a temporada avança.
Surto de Produção no Vietname e Aumento de Estoques Pesam
A dominância do Vietname na produção de robusta pesa cada vez mais sobre os preços globais do robusta. O Escritório Nacional de Estatísticas do país informou que as exportações de café de 2025 aumentaram 17,5% ano a ano, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas—um crescimento substancial que aumenta as ofertas globais. Olhando adiante, a produção do Vietname deve subir 6%, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas, ou 29,4 milhões de sacos, marcando o maior nível em quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname prevê que a produção possa ser até 10% maior em 2025/26, se o clima favorável persistir, reforçando a influência crescente do Vietname sobre os preços globais do robusta.
Esse aumento de produção coincide com recuperações de estoques que pesam ainda mais sobre os preços. Os estoques de arábica na ICE, que atingiram uma mínima de 1,75 anos de 398.645 sacos em novembro, recuperaram para 461.829 sacos em meados de janeiro. De forma similar, os estoques de robusta caíram para uma mínima de um ano em dezembro, mas se recuperaram para 4.609 lotes na semana passada. Essas recuperações de estoques indicam aos traders que a ansiedade de oferta está diminuindo, removendo um suporte importante para os preços.
Perspectiva do USDA para 2025/26: Ganhos de Produção versus Oferta Mais Apertada
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou um quadro detalhado em seu relatório de dezembro. A produção mundial de café deve aumentar 2%, atingindo um recorde de 178,85 milhões de sacos em 2025/26, embora a composição seja importante: a produção de arábica deve diminuir 4,7%, para 95,5 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve subir 10,9%, para 83,3 milhões de sacos. Essa mudança estrutural—menos arábicas, mais robustas—está alinhada com a fraqueza atual do mercado de robusta.
A produção do Brasil, apesar do otimismo recente da Conab, deve cair 3,1%, para 63 milhões de sacos em 2025/26, o que eventualmente pode sustentar os valores do arábica. A produção do Vietname deve subir 6,2%, atingindo 30,8 milhões de sacos, o maior em quatro anos, mantendo a pressão de baixa sobre o robusta. As reservas finais para o ano de comercialização (outubro a setembro) devem contrair 5,4%, para 20,15 milhões de sacos, de 21,31 milhões, uma redução modesta que oferece suporte limitado aos preços.
O Equilíbrio: Quando a Abundância de Oferta Pesa sobre os Valores
Os preços do café hoje refletem a tensão contínua entre forças de curto prazo e estruturais. Chuvas intensas no Brasil e recordes de produção no Vietname pesam sobre os valores devido à abundância de oferta que representam. No entanto, diminutas quedas nos estoques globais e a previsão de fraqueza na produção de arábica sugerem que a fraqueza dos preços pode ter limites. Por ora, o mercado está precificando um mundo de oferta suficiente, o que limita qualquer potencial de alta de preços no curto prazo.