Os mercados de futuros de café apresentaram sinais mistos na atividade de negociação, com contratos de arábica registrando ganhos modestos enquanto os preços do robusta caíram para mínimos de quatro semanas. A tensão subjacente reflete pressões de oferta concorrentes — as chuvas no Brasil estabilizaram-se em níveis próximos à média, apoiando as perspectivas de produção, enquanto as exportações vietnamitas em alta estão pressionando os prêmios de preço para a variedade inferior de robusta.
Chuvas retornam aos níveis médios no coração do café brasileiro
As precipitações recentes na principal região produtora de café do Brasil contam uma história importante. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, responsável pela maior parte da safra de arábica do Brasil, recebeu precipitação equivalente a 117% da média histórica durante seu último período de medição. Embora a umidade acima da média pareça benéfica para o desenvolvimento dos grãos, os mercados de commodities interpretam o fornecimento abundante de água de forma diferente — sinalizam colheitas robustas à frente e cenários de excesso de oferta que pressionam os preços para baixo.
A agência oficial de previsão de safra do Brasil, a Conab, já aumentou sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, refletindo confiança nas perspectivas de rendimento. Para o café arábica, que representa o segmento de maior qualidade das ofertas globais, essa previsão reduz o suporte de preço de curto prazo. Os traders técnicos aproveitaram uma pequena atividade de cobertura de posições vendidas para elevar o arábica a território positivo, mas os fundamentos subjacentes permanecem desafiadores, já que as previsões indicam chuvas sustentadas durante a principal janela de cultivo.
Produção de robusta no Vietname atinge pico de 4 anos, apesar das pressões globais de oferta
O segmento de robusta enfrenta obstáculos ainda maiores. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname divulgou que as exportações de café no início de 2025 aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhão de toneladas métricas, com as projeções de produção para o ano inteiro subindo 6%, para 1,76 milhão de toneladas métricas — o nível mais alto em quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname confirmou esses números, sugerindo que condições climáticas favoráveis podem elevar a produção de 2025/26 em 10% em relação à temporada anterior.
Como maior produtor mundial de robusta, a expansão da capacidade de produção do Vietname entra em conflito direto com a sustentabilidade de preços de curto prazo. Os volumes maiores de exportação vietnamitas representam o maior obstáculo estrutural para os contratos de robusta, criando uma pressão de venda persistente, apesar dos esforços de alguns traders para estabilizar as posições.
Recuperação de estoques e tendências de exportação moldam a trajetória de preços de curto prazo
A dinâmica de estoques apresenta um quadro mais nuançado. Enquanto os estoques de arábica monitorados pelo ICE caíram para um piso de aproximadamente 398.645 sacos em novembro — o menor em 1,75 anos —, eles posteriormente se recuperaram para 461.829 sacos até meados de janeiro. De forma semelhante, as reservas de robusta atingiram um mínimo de 1 ano antes de se recuperarem para máximas de quatro meses. Essa recuperação de estoques — embora modesta em termos absolutos — indica que as preocupações com a escassez de oferta estão diminuindo entre os participantes do mercado.
As exportações brasileiras de café contam uma história diferente. A Cecafe informou que as remessas de café verde em dezembro contraíram 18,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, com as exportações de arábica caindo 10% e as de robusta diminuindo drasticamente 61%. Essa fraqueza nas exportações sugere que os produtores brasileiros estão gerenciando estrategicamente o timing, potencialmente retendo suprimentos antes de possíveis ajustes de preço.
Mudanças no cenário de oferta global reduzem expectativas
A Organização Internacional do Café confirmou que as exportações globais caíram marginalmente em relação ao ano anterior para o ciclo de comercialização atual, indicando uma gestão de oferta antecipada. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou uma previsão mais ampla, projetando que a produção mundial de café em 2025/26 atingirá um recorde de 178,8 milhões de sacos — um aumento de 2,0%, apesar de uma queda esperada de 4,7% no arábica, compensada por um aumento de 10,9% na produção de robusta.
O FAS prevê que a produção do Brasil diminua 3,1%, para 63 milhões de sacos, enquanto a produção do Vietname acelere 6,2%, para 30,8 milhões de sacos. O efeito líquido: os estoques finais globais devem contrair 5,4%, embora esse cálculo assuma que não haverá grandes interrupções climáticas na segunda metade do safra.
O que condições médias significam para a direção dos preços
A dinâmica fundamental permanece inalterada: precipitações acima da média no Brasil sustentam os rendimentos, mas prejudicam os preços devido à abundância de oferta, enquanto a produção do Vietname atingindo picos de quatro anos introduz uma pressão estrutural de baixa nos valores do robusta. Os mercados estão, essencialmente, precificando a realidade de que condições climáticas médias nas principais regiões produtoras se traduzirão em colheitas médias ou acima da média — um cenário que favorece os consumidores e traders posicionados para estruturas de preços mais baixas, em vez de produtores apostando em restrições de oferta.
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Os mercados globais de café enfrentam padrões climáticos médios enquanto o Brasil contrabalança o aumento de oferta do Vietname
Os mercados de futuros de café apresentaram sinais mistos na atividade de negociação, com contratos de arábica registrando ganhos modestos enquanto os preços do robusta caíram para mínimos de quatro semanas. A tensão subjacente reflete pressões de oferta concorrentes — as chuvas no Brasil estabilizaram-se em níveis próximos à média, apoiando as perspectivas de produção, enquanto as exportações vietnamitas em alta estão pressionando os prêmios de preço para a variedade inferior de robusta.
Chuvas retornam aos níveis médios no coração do café brasileiro
As precipitações recentes na principal região produtora de café do Brasil contam uma história importante. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, responsável pela maior parte da safra de arábica do Brasil, recebeu precipitação equivalente a 117% da média histórica durante seu último período de medição. Embora a umidade acima da média pareça benéfica para o desenvolvimento dos grãos, os mercados de commodities interpretam o fornecimento abundante de água de forma diferente — sinalizam colheitas robustas à frente e cenários de excesso de oferta que pressionam os preços para baixo.
A agência oficial de previsão de safra do Brasil, a Conab, já aumentou sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, refletindo confiança nas perspectivas de rendimento. Para o café arábica, que representa o segmento de maior qualidade das ofertas globais, essa previsão reduz o suporte de preço de curto prazo. Os traders técnicos aproveitaram uma pequena atividade de cobertura de posições vendidas para elevar o arábica a território positivo, mas os fundamentos subjacentes permanecem desafiadores, já que as previsões indicam chuvas sustentadas durante a principal janela de cultivo.
Produção de robusta no Vietname atinge pico de 4 anos, apesar das pressões globais de oferta
O segmento de robusta enfrenta obstáculos ainda maiores. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname divulgou que as exportações de café no início de 2025 aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhão de toneladas métricas, com as projeções de produção para o ano inteiro subindo 6%, para 1,76 milhão de toneladas métricas — o nível mais alto em quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname confirmou esses números, sugerindo que condições climáticas favoráveis podem elevar a produção de 2025/26 em 10% em relação à temporada anterior.
Como maior produtor mundial de robusta, a expansão da capacidade de produção do Vietname entra em conflito direto com a sustentabilidade de preços de curto prazo. Os volumes maiores de exportação vietnamitas representam o maior obstáculo estrutural para os contratos de robusta, criando uma pressão de venda persistente, apesar dos esforços de alguns traders para estabilizar as posições.
Recuperação de estoques e tendências de exportação moldam a trajetória de preços de curto prazo
A dinâmica de estoques apresenta um quadro mais nuançado. Enquanto os estoques de arábica monitorados pelo ICE caíram para um piso de aproximadamente 398.645 sacos em novembro — o menor em 1,75 anos —, eles posteriormente se recuperaram para 461.829 sacos até meados de janeiro. De forma semelhante, as reservas de robusta atingiram um mínimo de 1 ano antes de se recuperarem para máximas de quatro meses. Essa recuperação de estoques — embora modesta em termos absolutos — indica que as preocupações com a escassez de oferta estão diminuindo entre os participantes do mercado.
As exportações brasileiras de café contam uma história diferente. A Cecafe informou que as remessas de café verde em dezembro contraíram 18,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, com as exportações de arábica caindo 10% e as de robusta diminuindo drasticamente 61%. Essa fraqueza nas exportações sugere que os produtores brasileiros estão gerenciando estrategicamente o timing, potencialmente retendo suprimentos antes de possíveis ajustes de preço.
Mudanças no cenário de oferta global reduzem expectativas
A Organização Internacional do Café confirmou que as exportações globais caíram marginalmente em relação ao ano anterior para o ciclo de comercialização atual, indicando uma gestão de oferta antecipada. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou uma previsão mais ampla, projetando que a produção mundial de café em 2025/26 atingirá um recorde de 178,8 milhões de sacos — um aumento de 2,0%, apesar de uma queda esperada de 4,7% no arábica, compensada por um aumento de 10,9% na produção de robusta.
O FAS prevê que a produção do Brasil diminua 3,1%, para 63 milhões de sacos, enquanto a produção do Vietname acelere 6,2%, para 30,8 milhões de sacos. O efeito líquido: os estoques finais globais devem contrair 5,4%, embora esse cálculo assuma que não haverá grandes interrupções climáticas na segunda metade do safra.
O que condições médias significam para a direção dos preços
A dinâmica fundamental permanece inalterada: precipitações acima da média no Brasil sustentam os rendimentos, mas prejudicam os preços devido à abundância de oferta, enquanto a produção do Vietname atingindo picos de quatro anos introduz uma pressão estrutural de baixa nos valores do robusta. Os mercados estão, essencialmente, precificando a realidade de que condições climáticas médias nas principais regiões produtoras se traduzirão em colheitas médias ou acima da média — um cenário que favorece os consumidores e traders posicionados para estruturas de preços mais baixas, em vez de produtores apostando em restrições de oferta.