As sessões de negociação recentes proporcionaram uma reversão acentuada nos futuros de açúcar, impulsionada por uma combinação de fatores técnicos e mudança de sentimento no mercado. A recuperação destaca uma dinâmica clássica de mercado: enquanto as condições fundamentais permanecem baixistas, o short covering—o encerramento de posições vendidas—pode oferecer um suporte de preço poderoso a curto prazo. O açúcar de Nova Iorque subiu mais de 2,5% na ação recente, enquanto o açúcar branco do ICE Londres avançou mais de 3%, à medida que os traders desfaziam posições vendidas em meio ao enfraquecimento do dólar dos EUA. Este rebote técnico reforça a tensão entre as pressões de oferta subjacentes e os movimentos táticos do mercado.
O Desafio Fundamental: Excesso Global de Oferta Surge Como Grande Obstáculo
O mercado de açúcar enfrenta uma forte resistência estrutural que levou os preços a mínimos de vários anos. Vários prognosticadores esperam excedentes significativos de oferta global para a safra de 2025/26, com estimativas variando de cautelosas a extremas. A Green Pool Commodity Specialists projeta um excedente de 2,74 milhões de toneladas métricas (MMT), enquanto a StoneX antecipa 2,9 MMT. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) prevê um excedente mais modesto de 1,625 MMT, mas mesmo esse número representa uma reversão acentuada do déficit de 2,916 MMT do ano anterior.
No entanto, nem todos os analistas concordam quanto à magnitude. A trader de açúcar Czarnikow apresentou uma visão muito mais pessimista, elevando sua estimativa de excedente para 8,7 MMT na safra de 2025/26—mais de cinco vezes maior que a projeção da ISO. Essa disparidade dramática reflete diferentes hipóteses sobre tendências de produção e fluxos de exportação. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA (FAS) projeta que a produção global de açúcar aumentará 4,6%, atingindo um recorde de 189,318 MMT em 2025/26, enquanto o consumo crescerá apenas 1,4%, chegando a 177,921 MMT. Esse desequilíbrio entre crescimento de oferta e expansão da demanda pressiona os preços naturalmente para baixo.
Surto de Produção em Regiões-Chave Impulsiona Perspectiva de Excesso
O excedente esperado está sendo alimentado por aumentos de produção nas três maiores regiões produtoras de açúcar do mundo. O Brasil, principal produtor, está posicionado para uma safra recorde. A Conab elevou sua previsão para 45 MMT em 2025/26, contra os 44,5 MMT anteriores, enquanto a FAS projeta ainda mais alto, 44,7 MMT. As usinas de açúcar brasileiras também mudaram sua estratégia de alocação, direcionando mais cana para a produção de açúcar em vez de etanol, com a proporção de cana destinada ao açúcar subindo para 50,82% em 2025/26, de 48,16% em 2024/25.
A Índia, segunda maior produtora mundial, está passando por um boom de produção impulsionado por condições favoráveis de monções. A Associação de Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) elevou sua previsão para 2025/26 para 31 MMT, contra os 30 MMT anteriores—um aumento de 18,8% em relação ao ano anterior. Até meados de janeiro, a produção atingiu 15,9 MMT, um aumento de 22% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse aumento de produção permitiu ao governo indiano considerar a expansão das exportações de açúcar além da cota de 1,5 MMT estabelecida para 2025/26, potencialmente inundando os mercados globais com oferta adicional.
A Tailândia, terceira maior produtora e segunda maior exportadora, também contribui para o crescimento da produção. A Thai Sugar Millers Corp projeta que a safra de 2025/26 aumentará 5%, atingindo 10,5 MMT, enquanto a FAS estima um aumento de 2%, chegando a 10,25 MMT. Juntas, essas três regiões representam aproximadamente 75% da produção global, tornando sua expansão coletiva um fator decisivo na direção do mercado.
Mecânica do Mercado: Entendendo o Rebound Recente de Short Covering
O recente rally de preços, apesar do agravamento dos fundamentos, ilustra como o short covering funciona nos mercados de commodities. Quando os traders mantêm posições vendidas e os preços começam a subir—impulsionados por fatores como o fraqueamento do dólar—esses traders fecham suas posições para limitar perdas. Essa compra técnica pode, temporariamente, superar a pressão de venda fundamental, criando rebounds de preço que confundem a análise de oferta.
O enfraquecimento recente do índice do dólar foi um catalisador importante. Um dólar mais fraco geralmente torna commodities cotadas em dólar mais baratas para compradores estrangeiros, apoiando os preços. Mais importante para os mercados de futuros, a fraqueza cambial pode desencadear o fechamento de posições entre traders especulativos que apostaram na queda adicional do açúcar. Esse short covering fornece um piso temporário abaixo dos preços, mas não resolve o desequilíbrio de oferta que continua pesando sobre o mercado.
Olhando para o Futuro: Quando as Preocupações com a Oferta Voltarão a Focar?
Embora o recente rebound ofereça alívio aos touros, a perspectiva de médio prazo permanece desafiada pelos projetos de excedentes. A Covrig Analytics inicialmente elevou sua estimativa de excedente para 2025/26 para 4,7 MMT, contra 4,1 MMT anteriores, embora projete que o excedente de 2026/27 se reduza para apenas 1,4 MMT, pois preços baixos desencorajam a produção futura. O Brasil oferece uma esperança nesse cenário: a Safras & Mercado prevê que a produção de 2026/27 cairá 3,91%, para 41,8 MMT, em relação às 43,5 MMT esperadas para 2025/26, com as exportações caindo 11% ano a ano, para 30 MMT.
A dinâmica atual—onde o short covering oferece alívio temporário em meio à fraqueza fundamental persistente—provavelmente não sustentará os preços em níveis elevados. Assim que os traders terminarem de cobrir suas posições vendidas e a dinâmica cambial se estabilizar, o foco provavelmente retornará aos fundamentos de oferta e demanda. Para que o mercado de açúcar realize uma recuperação significativa, ou a produção deve decepcionar as expectativas, ou a demanda deve surpreender positivamente. Até lá, os rebotes de short covering podem oferecer apenas oportunidades passageiras de alívio de preço em um ambiente, de resto, baixista.
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O Mercado de Açúcar Recupera-se com Cobertura de Vendas a Descoberto em Meio a Sinais Contraditórios de Oferta
As sessões de negociação recentes proporcionaram uma reversão acentuada nos futuros de açúcar, impulsionada por uma combinação de fatores técnicos e mudança de sentimento no mercado. A recuperação destaca uma dinâmica clássica de mercado: enquanto as condições fundamentais permanecem baixistas, o short covering—o encerramento de posições vendidas—pode oferecer um suporte de preço poderoso a curto prazo. O açúcar de Nova Iorque subiu mais de 2,5% na ação recente, enquanto o açúcar branco do ICE Londres avançou mais de 3%, à medida que os traders desfaziam posições vendidas em meio ao enfraquecimento do dólar dos EUA. Este rebote técnico reforça a tensão entre as pressões de oferta subjacentes e os movimentos táticos do mercado.
O Desafio Fundamental: Excesso Global de Oferta Surge Como Grande Obstáculo
O mercado de açúcar enfrenta uma forte resistência estrutural que levou os preços a mínimos de vários anos. Vários prognosticadores esperam excedentes significativos de oferta global para a safra de 2025/26, com estimativas variando de cautelosas a extremas. A Green Pool Commodity Specialists projeta um excedente de 2,74 milhões de toneladas métricas (MMT), enquanto a StoneX antecipa 2,9 MMT. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) prevê um excedente mais modesto de 1,625 MMT, mas mesmo esse número representa uma reversão acentuada do déficit de 2,916 MMT do ano anterior.
No entanto, nem todos os analistas concordam quanto à magnitude. A trader de açúcar Czarnikow apresentou uma visão muito mais pessimista, elevando sua estimativa de excedente para 8,7 MMT na safra de 2025/26—mais de cinco vezes maior que a projeção da ISO. Essa disparidade dramática reflete diferentes hipóteses sobre tendências de produção e fluxos de exportação. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA (FAS) projeta que a produção global de açúcar aumentará 4,6%, atingindo um recorde de 189,318 MMT em 2025/26, enquanto o consumo crescerá apenas 1,4%, chegando a 177,921 MMT. Esse desequilíbrio entre crescimento de oferta e expansão da demanda pressiona os preços naturalmente para baixo.
Surto de Produção em Regiões-Chave Impulsiona Perspectiva de Excesso
O excedente esperado está sendo alimentado por aumentos de produção nas três maiores regiões produtoras de açúcar do mundo. O Brasil, principal produtor, está posicionado para uma safra recorde. A Conab elevou sua previsão para 45 MMT em 2025/26, contra os 44,5 MMT anteriores, enquanto a FAS projeta ainda mais alto, 44,7 MMT. As usinas de açúcar brasileiras também mudaram sua estratégia de alocação, direcionando mais cana para a produção de açúcar em vez de etanol, com a proporção de cana destinada ao açúcar subindo para 50,82% em 2025/26, de 48,16% em 2024/25.
A Índia, segunda maior produtora mundial, está passando por um boom de produção impulsionado por condições favoráveis de monções. A Associação de Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) elevou sua previsão para 2025/26 para 31 MMT, contra os 30 MMT anteriores—um aumento de 18,8% em relação ao ano anterior. Até meados de janeiro, a produção atingiu 15,9 MMT, um aumento de 22% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse aumento de produção permitiu ao governo indiano considerar a expansão das exportações de açúcar além da cota de 1,5 MMT estabelecida para 2025/26, potencialmente inundando os mercados globais com oferta adicional.
A Tailândia, terceira maior produtora e segunda maior exportadora, também contribui para o crescimento da produção. A Thai Sugar Millers Corp projeta que a safra de 2025/26 aumentará 5%, atingindo 10,5 MMT, enquanto a FAS estima um aumento de 2%, chegando a 10,25 MMT. Juntas, essas três regiões representam aproximadamente 75% da produção global, tornando sua expansão coletiva um fator decisivo na direção do mercado.
Mecânica do Mercado: Entendendo o Rebound Recente de Short Covering
O recente rally de preços, apesar do agravamento dos fundamentos, ilustra como o short covering funciona nos mercados de commodities. Quando os traders mantêm posições vendidas e os preços começam a subir—impulsionados por fatores como o fraqueamento do dólar—esses traders fecham suas posições para limitar perdas. Essa compra técnica pode, temporariamente, superar a pressão de venda fundamental, criando rebounds de preço que confundem a análise de oferta.
O enfraquecimento recente do índice do dólar foi um catalisador importante. Um dólar mais fraco geralmente torna commodities cotadas em dólar mais baratas para compradores estrangeiros, apoiando os preços. Mais importante para os mercados de futuros, a fraqueza cambial pode desencadear o fechamento de posições entre traders especulativos que apostaram na queda adicional do açúcar. Esse short covering fornece um piso temporário abaixo dos preços, mas não resolve o desequilíbrio de oferta que continua pesando sobre o mercado.
Olhando para o Futuro: Quando as Preocupações com a Oferta Voltarão a Focar?
Embora o recente rebound ofereça alívio aos touros, a perspectiva de médio prazo permanece desafiada pelos projetos de excedentes. A Covrig Analytics inicialmente elevou sua estimativa de excedente para 2025/26 para 4,7 MMT, contra 4,1 MMT anteriores, embora projete que o excedente de 2026/27 se reduza para apenas 1,4 MMT, pois preços baixos desencorajam a produção futura. O Brasil oferece uma esperança nesse cenário: a Safras & Mercado prevê que a produção de 2026/27 cairá 3,91%, para 41,8 MMT, em relação às 43,5 MMT esperadas para 2025/26, com as exportações caindo 11% ano a ano, para 30 MMT.
A dinâmica atual—onde o short covering oferece alívio temporário em meio à fraqueza fundamental persistente—provavelmente não sustentará os preços em níveis elevados. Assim que os traders terminarem de cobrir suas posições vendidas e a dinâmica cambial se estabilizar, o foco provavelmente retornará aos fundamentos de oferta e demanda. Para que o mercado de açúcar realize uma recuperação significativa, ou a produção deve decepcionar as expectativas, ou a demanda deve surpreender positivamente. Até lá, os rebotes de short covering podem oferecer apenas oportunidades passageiras de alívio de preço em um ambiente, de resto, baixista.