Futuros de café passaram por uma sessão turbulenta na quinta-feira, com contratos de arábica encerrando com uma ligeira queda de 0,25 pontos (-0,08%), enquanto o robusta recuperou para território positivo, ganhando +61 pontos (+1,62%). Este desempenho misto mascarou forças subjacentes significativas que estão a remodelar o panorama global do café, especialmente centradas no aumento das ofertas de países produtores importantes e nas mudanças nos padrões de exportação.
O mercado enfrentou uma forte pressão de venda ao longo da semana anterior, impulsionada por preocupações crescentes sobre os elevados estoques de café em todo o mundo. Os preços do arábica caíram para os níveis mais baixos em seis meses, enquanto o robusta desceu a profundidades não vistas há quase seis meses. No entanto, surgiu um rally de cobertura de posições vendidas durante a sessão de quinta-feira, elevando os preços a partir dos seus níveis mais baixos e sinalizando potencial suporte entre os traders que se posicionaram para novas quedas.
Produção recorde no Brasil pesa no sentimento do mercado
O papel do Brasil como principal fornecedor mundial de café foi destaque quando a agência de previsão de safra do país, Conab, anunciou na quinta-feira que a produção de 2026 atingiria níveis sem precedentes. A previsão revelou que a produção de café do Brasil aumentará 17,2% em relação ao ano anterior, atingindo 66,2 milhões de sacos — um recorde. Dentro desta expansão, a produção de arábica deve subir 23,2% em relação ao ano anterior, chegando a 44,1 milhões de sacos, enquanto a de robusta crescerá 6,3% para 22,1 milhões de sacos.
Estas projeções de produção representam uma mudança significativa na dinâmica do mercado. Tal expansão pelo Brasil, aliada às tendências históricas de oferta, normalmente exerce pressão descendente sobre os preços, dado o aumento da oferta e o enfraquecimento da procura por parte de traders de commodities e utilizadores finais.
Exportações sinalizam preocupações de saturação do mercado
Paradoxalmente, apesar das previsões de produção recorde, as exportações de café do Brasil apresentaram um quadro diferente para os participantes do mercado. O Ministério do Comércio do país reportou que as remessas de café de janeiro caíram 42,4% em relação ao ano anterior, totalizando apenas 141.000 toneladas métricas. Esta forte contração nos volumes de exportação contradiz a tese de abundância de oferta, desencadeando o rally de cobertura de posições vendidas que acabou por estabilizar os preços até ao final da sessão.
O colapso das exportações pode refletir constrangimentos logísticos, estratégias de gestão de inventários ou retenções deliberadas por parte dos exportadores brasileiros — fatores que merecem monitorização cuidadosa à medida que a temporada avança.
Alívio nas condições climáticas no Brasil acrescenta complexidade
Para acrescentar mais uma camada ao puzzle analítico, as principais regiões produtoras de café do Brasil tiveram condições climáticas favoráveis no final de janeiro. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, maior região produtora de arábica do país, recebeu 69,8 milímetros de chuva na semana até 30 de janeiro — representando 117% da média histórica. Embora chuvas acima da média normalmente aliviem preocupações de seca, também pressionam os preços do café ao sinalizar condições de colheita saudáveis e capacidade de produção sustentada.
Surto de oferta no Vietname aumenta pressão descendente
Para além do Brasil, a emergência do Vietname como importante fornecedor continua a desafiar a estabilidade dos preços. O maior produtor mundial de robusta reportou que as exportações de café de 2025 atingiram 1,58 milhões de toneladas métricas, representando um aumento de 17,5% em relação ao ano anterior. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname indicou que o ritmo de produção deve persistir, com a previsão de que a safra 2025/26 aumente 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas (29,4 milhões de sacos), marcando o maior nível de produção em quatro anos.
A Associação de Café e Cacau do Vietname reforçou esta perspetiva em outubro, observando que condições climáticas favoráveis poderiam impulsionar a produção de 2025/26 em 10% acima da temporada anterior. Para o mercado de robusta especificamente, esta trajetória de oferta do maior produtor mundial cria obstáculos estruturais que limitam o potencial de recuperação dos preços.
Dinâmica de inventários revela sinais mistos
Os níveis de stock de café contam uma história intrigante. Os inventários de arábica monitorizados pelo ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 396.513 sacos, em 18 de novembro, mas posteriormente recuperaram para um máximo de 3,25 meses, de 461.829 sacos, no início de janeiro. De forma semelhante, os inventários de robusta caíram para um mínimo de 13 meses, de 4.012 lotes, em dezembro, antes de se recuperarem para um máximo de 2 meses, de 4.662 lotes, no final de janeiro. Esta recuperação de inventários, embora possa refletir uma atividade de negociação saudável, geralmente pesa sobre os preços ao sugerir uma disponibilidade de oferta suficiente na cadeia de distribuição.
Perspectiva global de oferta tempera o suporte aos preços
A Organização Internacional do Café forneceu um contexto mais realista em novembro, ao reportar que as exportações globais de café do ano comercial atual (outubro a setembro) caíram 0,3% em relação ao ano anterior, totalizando 138,658 milhões de sacos. No entanto, o panorama mais amplo de oferta mostra expansão à frente.
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA, na sua análise de dezembro, projetou que a produção mundial de café durante 2025/26 aumentará 2% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. Esta expansão oculta mudanças na qualidade: a produção de arábica deverá contrair 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deverá crescer 10,9%, para 83,333 milhões de sacos — refletindo a crescente quota de mercado da variedade de menor qualidade.
O caminho à frente: oferta abundante continua a ser o tema central
Olhando especificamente para a trajetória do Brasil, o USDA prevê que a produção de 2025/26 na verdade diminuirá 3,1% em relação ao ano anterior, para 63 milhões de sacos — contradizendo a previsão mais elevada da Conab, mas ainda assim representando uma oferta substancial. Por outro lado, a produção projetada do Vietname para 2025/26 atinge 30,8 milhões de sacos (um aumento de 6,2% em relação ao ano anterior e o maior em quatro anos), reforçando o desafio contínuo de expansão do robusta.
Por fim, as projeções do FAS indicam que os estoques finais de 2025/26 irão contrair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25. Embora esta ligeira redução sugira um aperto, os níveis absolutos de estoque permanecem suficientes para evitar uma recuperação significativa dos preços. O papel dominante do Brasil na oferta global de café — e as tendências de produção provenientes do país — provavelmente continuarão a ditar as faixas de preço tanto para contratos de arábica quanto de robusta ao longo do próximo ano de comercialização.
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O boom na oferta de café do Brasil provoca volatilidade de preços nos mercados globais
Futuros de café passaram por uma sessão turbulenta na quinta-feira, com contratos de arábica encerrando com uma ligeira queda de 0,25 pontos (-0,08%), enquanto o robusta recuperou para território positivo, ganhando +61 pontos (+1,62%). Este desempenho misto mascarou forças subjacentes significativas que estão a remodelar o panorama global do café, especialmente centradas no aumento das ofertas de países produtores importantes e nas mudanças nos padrões de exportação.
O mercado enfrentou uma forte pressão de venda ao longo da semana anterior, impulsionada por preocupações crescentes sobre os elevados estoques de café em todo o mundo. Os preços do arábica caíram para os níveis mais baixos em seis meses, enquanto o robusta desceu a profundidades não vistas há quase seis meses. No entanto, surgiu um rally de cobertura de posições vendidas durante a sessão de quinta-feira, elevando os preços a partir dos seus níveis mais baixos e sinalizando potencial suporte entre os traders que se posicionaram para novas quedas.
Produção recorde no Brasil pesa no sentimento do mercado
O papel do Brasil como principal fornecedor mundial de café foi destaque quando a agência de previsão de safra do país, Conab, anunciou na quinta-feira que a produção de 2026 atingiria níveis sem precedentes. A previsão revelou que a produção de café do Brasil aumentará 17,2% em relação ao ano anterior, atingindo 66,2 milhões de sacos — um recorde. Dentro desta expansão, a produção de arábica deve subir 23,2% em relação ao ano anterior, chegando a 44,1 milhões de sacos, enquanto a de robusta crescerá 6,3% para 22,1 milhões de sacos.
Estas projeções de produção representam uma mudança significativa na dinâmica do mercado. Tal expansão pelo Brasil, aliada às tendências históricas de oferta, normalmente exerce pressão descendente sobre os preços, dado o aumento da oferta e o enfraquecimento da procura por parte de traders de commodities e utilizadores finais.
Exportações sinalizam preocupações de saturação do mercado
Paradoxalmente, apesar das previsões de produção recorde, as exportações de café do Brasil apresentaram um quadro diferente para os participantes do mercado. O Ministério do Comércio do país reportou que as remessas de café de janeiro caíram 42,4% em relação ao ano anterior, totalizando apenas 141.000 toneladas métricas. Esta forte contração nos volumes de exportação contradiz a tese de abundância de oferta, desencadeando o rally de cobertura de posições vendidas que acabou por estabilizar os preços até ao final da sessão.
O colapso das exportações pode refletir constrangimentos logísticos, estratégias de gestão de inventários ou retenções deliberadas por parte dos exportadores brasileiros — fatores que merecem monitorização cuidadosa à medida que a temporada avança.
Alívio nas condições climáticas no Brasil acrescenta complexidade
Para acrescentar mais uma camada ao puzzle analítico, as principais regiões produtoras de café do Brasil tiveram condições climáticas favoráveis no final de janeiro. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, maior região produtora de arábica do país, recebeu 69,8 milímetros de chuva na semana até 30 de janeiro — representando 117% da média histórica. Embora chuvas acima da média normalmente aliviem preocupações de seca, também pressionam os preços do café ao sinalizar condições de colheita saudáveis e capacidade de produção sustentada.
Surto de oferta no Vietname aumenta pressão descendente
Para além do Brasil, a emergência do Vietname como importante fornecedor continua a desafiar a estabilidade dos preços. O maior produtor mundial de robusta reportou que as exportações de café de 2025 atingiram 1,58 milhões de toneladas métricas, representando um aumento de 17,5% em relação ao ano anterior. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname indicou que o ritmo de produção deve persistir, com a previsão de que a safra 2025/26 aumente 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas (29,4 milhões de sacos), marcando o maior nível de produção em quatro anos.
A Associação de Café e Cacau do Vietname reforçou esta perspetiva em outubro, observando que condições climáticas favoráveis poderiam impulsionar a produção de 2025/26 em 10% acima da temporada anterior. Para o mercado de robusta especificamente, esta trajetória de oferta do maior produtor mundial cria obstáculos estruturais que limitam o potencial de recuperação dos preços.
Dinâmica de inventários revela sinais mistos
Os níveis de stock de café contam uma história intrigante. Os inventários de arábica monitorizados pelo ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 396.513 sacos, em 18 de novembro, mas posteriormente recuperaram para um máximo de 3,25 meses, de 461.829 sacos, no início de janeiro. De forma semelhante, os inventários de robusta caíram para um mínimo de 13 meses, de 4.012 lotes, em dezembro, antes de se recuperarem para um máximo de 2 meses, de 4.662 lotes, no final de janeiro. Esta recuperação de inventários, embora possa refletir uma atividade de negociação saudável, geralmente pesa sobre os preços ao sugerir uma disponibilidade de oferta suficiente na cadeia de distribuição.
Perspectiva global de oferta tempera o suporte aos preços
A Organização Internacional do Café forneceu um contexto mais realista em novembro, ao reportar que as exportações globais de café do ano comercial atual (outubro a setembro) caíram 0,3% em relação ao ano anterior, totalizando 138,658 milhões de sacos. No entanto, o panorama mais amplo de oferta mostra expansão à frente.
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA, na sua análise de dezembro, projetou que a produção mundial de café durante 2025/26 aumentará 2% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. Esta expansão oculta mudanças na qualidade: a produção de arábica deverá contrair 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deverá crescer 10,9%, para 83,333 milhões de sacos — refletindo a crescente quota de mercado da variedade de menor qualidade.
O caminho à frente: oferta abundante continua a ser o tema central
Olhando especificamente para a trajetória do Brasil, o USDA prevê que a produção de 2025/26 na verdade diminuirá 3,1% em relação ao ano anterior, para 63 milhões de sacos — contradizendo a previsão mais elevada da Conab, mas ainda assim representando uma oferta substancial. Por outro lado, a produção projetada do Vietname para 2025/26 atinge 30,8 milhões de sacos (um aumento de 6,2% em relação ao ano anterior e o maior em quatro anos), reforçando o desafio contínuo de expansão do robusta.
Por fim, as projeções do FAS indicam que os estoques finais de 2025/26 irão contrair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25. Embora esta ligeira redução sugira um aperto, os níveis absolutos de estoque permanecem suficientes para evitar uma recuperação significativa dos preços. O papel dominante do Brasil na oferta global de café — e as tendências de produção provenientes do país — provavelmente continuarão a ditar as faixas de preço tanto para contratos de arábica quanto de robusta ao longo do próximo ano de comercialização.