A receita em rápida ascensão da Apple cria um enigma para as ações — Por que este rally ainda não decolou, e se a oportunidade está a acabar

Os resultados do primeiro trimestre fiscal da Apple apresentaram números impressionantes, mas a resposta do mercado permaneceu discreta. A ação valorizou-se menos de 10% ao ano e caiu cerca de 5% desde o início do ano, deixando muitos investidores perplexos: com um momentum operacional tão forte a crescer, por que a Apple ainda não se tornou a vencedora absoluta nas carteiras? A resposta está numa tensão crítica entre crescimento explosivo e preços premium — uma dinâmica que torna a tese de investimento na Apple muito mais complexa do que os lucros destacados nas manchetes sugerem.

O Retorno do iPhone Redefine a História da Receita

Após anos de trajetórias de vendas decepcionantes, a divisão de smartphones da Apple voltou aos seus dias de glória. A receita do iPhone subiu 23% no primeiro trimestre fiscal de 2026, atingindo 85,27 mil milhões de dólares e superando as expectativas dos analistas de 78,65 mil milhões, segundo pesquisa da LSEG. Essa renovação do mercado de smartphones é extremamente importante — os iPhones representam quase 60% do total de receitas da Apple, sendo o motor de lucros da empresa.

O CEO Tim Cook descreveu a procura como “estonteante”, e os números confirmam esse entusiasmo. O crescimento vai além do simples aumento de receita. A China, que vinha sendo uma fraqueza persistente, cresceu 38% no trimestre, sinalizando uma renovada força no mercado mais crítico fora da América do Norte. Quando o momentum do iPhone volta a crescer na China, o teto de crescimento da Apple se expande dramaticamente.

Outras categorias de produtos apresentaram sinais mistos. As vendas de iPad subiram 6%, atingindo 8,6 mil milhões de dólares, com metade dos clientes sendo novos na plataforma, sugerindo penetração de mercado mais ampla. No entanto, a receita de Macs recuou 7% em relação ao ano anterior, para 8,4 mil milhões de dólares, enquanto os wearables caíram 2%, para 11,5 mil milhões. No geral, as vendas dos segmentos de produtos aumentaram 16%, totalizando 113,7 mil milhões de dólares, demonstrando a contribuição significativa do iPhone para os resultados totais.

Os Ganhos Financeiros São Reais — E Impressionantes

Para além do crescimento da receita, os indicadores de rentabilidade da Apple fortaleceram-se significativamente. A margem bruta de produtos expandiu-se 450 pontos base sequencialmente, para 40,7%, enquanto a margem de serviços subiu 120 pontos base, para 76,5%. A margem bruta geral da empresa atingiu 48,2%, evidenciando alavancagem operacional e poder de precificação mesmo com o aumento dos custos dos componentes de memória.

De olho no segundo trimestre fiscal de 2026, a Apple espera manter margens brutas entre 48% e 49%, sugerindo que a expansão de margem não é uma anomalia de um trimestre, mas sim uma melhoria sustentável. A divisão de serviços, que inclui a App Store, iCloud, Apple Pay, compartilhamento de receita do Google Search e Apple TV, contribuiu de forma significativa, crescendo 14% para 30 mil milhões de dólares em receita.

Em toda a operação, a receita subiu 16%, atingindo 143,76 mil milhões de dólares, com o lucro por ação a saltar 19%, para 2,84 dólares — superando a previsão dos analistas de 2,67 dólares, com vendas esperadas de 138,48 mil milhões de dólares. A Apple projeta um crescimento de receita de 13% a 16% no segundo trimestre fiscal, indicando um momentum sustentado, e não um pico temporário.

O Problema da Valorização Que Não Desaparece

Aqui está o paradoxo que explica por que a ação mal se moveu apesar dos excelentes resultados: o múltiplo de avaliação da Apple já precificou grande parte dessa recuperação. A empresa negocia a aproximadamente 31 vezes o lucro estimado para o próximo ano fiscal, com base nas estimativas dos analistas para 2026, e 28 vezes para 2027 — um prêmio que supera muitas das ações do grupo das “Sete Magníficas”, gigantes de tecnologia com múltiplos semelhantes.

Esse prêmio de avaliação surgiu num período em que as vendas do iPhone decepcionaram e a China apresentou dificuldades. A ação subiu de forma constante, apesar do desempenho operacional aquém do esperado, elevando o múltiplo P/E na expectativa de melhorias futuras. Agora que essa melhoria chegou, o preço das ações já incorporou a maior parte dela.

O resultado: a Apple enfrenta o clássico dilema de uma ação de crescimento. A empresa está a executar de forma brilhante, retornando às suas maiores taxas de crescimento desde o período pós-pandemia de 2021. A aceleração da receita é real, as margens estão a expandir-se, e a diversificação geográfica (especialmente a recuperação da China) reduz o risco de concentração. No entanto, a avaliação da ação deixa pouco espaço para mais valorização, mesmo com o momentum operacional a fortalecer-se. Para investidores à procura de pontos de entrada, essa realidade cria uma fricção real.

A Pergunta de Investimento Ainda Sem Resposta

A Apple conseguiu resolver suas duas maiores vulnerabilidades — vendas fracas do iPhone e desempenho decepcionante na China. A empresa está a funcionar quase em pleno, com taxas de crescimento que estão entre as melhores dos últimos anos. No entanto, a ação parece justa ao nível atual, o que limita o potencial de valorização, apesar da trajetória positiva do negócio.

Para investidores que consideram se agora é uma oportunidade de compra atraente, a análise é ambígua. A história de crescimento é legítima e está a acelerar. Mas, a 31 vezes o lucro estimado para o próximo ano, a Apple exige confiança de que o crescimento futuro justificará múltiplos premium — uma aposta que requer ou uma expansão do múltiplo de mercado (pouco provável) ou uma continuação na aceleração da receita além das previsões atuais dos analistas. Se essa oportunidade é ou não uma pechincha a valer a pena, fica uma questão em aberto para que cada investidor avalie à luz das suas expectativas de retorno e tolerância ao risco.

A equipa de analistas do Motley Fool recentemente identificou as suas 10 principais recomendações de ações para investidores — e, notavelmente, a Apple não estava entre elas. O seu histórico sugere que focar nas ideias de maior convicção pode oferecer retornos superiores.

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