Como os preços do café Robusta e Arábica caíram devido às previsões de chuvas no Brasil—Uma análise do mercado de commodities da Barchart

Futuros de arábica de março caíram -13,25 pontos (-3,845%), enquanto os contratos de robusta de março recuaram -66 pontos (-1,58%) na sexta-feira, marcando uma fraqueza significativa em ambas as variedades de café. A correção reflete pressões baixistas crescentes, decorrentes de previsões meteorológicas persistentes e do aumento das ofertas globais. Seja para acompanhar commodities para negociação ou investimento, compreender a interação desses fatores—precipitação, estoques e dinâmicas de produção—é essencial para navegar nos mercados de café. A última análise de mercado da Barchart revela um quadro complexo, onde múltiplos obstáculos estão convergindo para pressionar os preços para baixo.

Precipitação na Faixa de Café do Brasil desencadeia venda de arábica

Futuros de arábica atingiram uma mínima de 5,5 meses, enquanto robusta caiu para o fundo de 3,5 semanas, com previsões de chuva na região de Minas Gerais, Brasil, atuando como principal catalisador. O mercado de café vinha aguardando condições mais secas para aumentar as preocupações com a produtividade, mas o panorama meteorológico mudou. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, lar da maior base de produção de arábica do mundo, recebeu 33,9 mm de chuva na semana encerrada em 16 de janeiro—53% abaixo da média histórica. Apesar dessa precipitação abaixo do normal, modelos meteorológicos de previsão indicam precipitação constante nos próximos sete dias, levando os traders a reavaliar as suposições de oferta restrita.

A previsão de umidade abundante contradiz diretamente narrativas anteriores de risco de produção, enfraquecendo o rally de arábica sustentado por preocupações meteorológicas.

Surto de robusta no Vietnã e o excesso de oferta global

A dominância do Vietnã na produção de robusta está ampliando a pressão baixista nos preços. O Escritório Nacional de Estatísticas do país divulgou que as exportações de café de 2025 aumentaram +17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhão de toneladas métricas, com previsão de produção subir +6% para 1,76 MMT na safra 2025/26—máximo de quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietnã (Vicofa) indicou que a produção pode aumentar até 10% se o clima permanecer favorável, sinalizando um forte impulso de oferta.

Essa expansão vietnamita é particularmente baixista para os preços do robusta, já que o país do Sudeste Asiático responde por cerca de 30% da produção global. Com o aumento das ofertas globais de robusta, o suporte aos preços se deteriora, especialmente quando combinado com outros obstáculos. A estrutura de análise de commodities da Barchart destaca como as dinâmicas do lado da oferta, de grandes produtores, podem sobrepor-se aos fatores técnicos de curto prazo.

Expansão da produção no Brasil e contração das exportações

A produção de café do Brasil em 2025 apresenta uma história diferente—uma de crescimento moderado, mas com fraqueza nas exportações. A Conab, agência oficial de previsão de safra do Brasil, elevou sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacas, contra 55,20 milhões de sacas projetadas em setembro. Essa expansão indica que os agricultores brasileiros estão ampliando as áreas plantadas, apesar dos preços mais baixos, um sinal estrutural baixista para o médio prazo.

Por outro lado, os dados de exportação mostram um quadro mais complexo. A Cecafe informou que as exportações de café verde do Brasil em dezembro caíram -18,4%, para 2,86 milhões de sacas, com embarques de arábica diminuindo -10% em relação ao ano anterior e as de robusta despencando -61%. Essa contração sugere possíveis fricções na cadeia de suprimentos ou demanda de exportação mais fraca—ambos fatores que podem, eventualmente, sustentar os preços ao restringir a disponibilidade de curto prazo.

Estoques de café na ICE mostram recuperação, pressionando os preços

A recuperação dos estoques de café monitorados pela bolsa tornou-se outra fonte de pressão baixista. Os estoques de arábica na ICE, que haviam caído para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacas em 20 de novembro, recuperaram-se para 461.829 sacas em 14 de janeiro. De modo similar, os estoques de robusta subiram para 4.609 lotes na última sexta-feira, após atingirem um mínimo de um ano de 4.012 lotes em meados de dezembro.

Embora a recuperação de estoques possa sugerir liquidez de mercado em melhora, ela também indica que a narrativa de escassez estrutural enfraqueceu. Do ponto de vista da análise de commodities da Barchart, o aumento dos estoques em armazéns frequentemente precede correções prolongadas de preços, à medida que o “prêmio de escassez” se dissipa.

Perspectiva de produção global: recordes à vista

O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA (FAS) apresentou uma previsão ambiciosa de produção em seu relatório de 18 de dezembro. A produção mundial de café em 2025/26 deve atingir um recorde de 178,848 milhões de sacas, aumento de +2,0% em relação ao ano anterior. Contudo, a composição importa: a produção de arábica deve cair -4,7%, para 95,515 milhões de sacas, enquanto a de robusta deve subir +10,9%, para 83,333 milhões de sacas.

Para as principais origens, o FAS prevê que a produção do Brasil em 2025/26 diminuirá -3,1% em relação ao ano anterior, para 63 milhões de sacas, enquanto a safra do Vietnã expandirá +6,2%, atingindo o máximo de quatro anos de 30,8 milhões de sacas. Essas dinâmicas concorrentes—contração brasileira e expansão vietnamita—sustentam a fraqueza dos preços dos futuros de robusta.

As reservas globais de café para 2025/26 devem contrair-se -5,4%, para 20,148 milhões de sacas, de 21,307 milhões em 2024/25, uma contração modesta que oferece suporte limitado aos preços, diante da expansão de produção e da recuperação de estoques.

Implicações de mercado: preços do café enfrentam obstáculos estruturais

O mercado de café está passando de uma percepção de escassez para uma de abundância gerenciada. Embora alguns fatores—como a contração das exportações brasileiras e as leves reduções de estoques—ofereçam algum suporte ao piso, a maioria das evidências sugere que os preços do robusta e do arábica permanecerão sob pressão por um período prolongado. A ferramenta de análise de commodities da Barchart enfatiza a importância de monitorar tanto o panorama macro de oferta quanto os indicadores técnicos de preço em tempo real, já que os mercados de café continuam altamente sensíveis a revisões meteorológicas e mudanças nas orientações de produção.

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