A robótica industrial acaba de entrar numa nova era. Boston Dynamics revelou no CES 2026 de Las Vegas a versão pronta para produção do seu robot humanoide Atlas, marcando o fim de uma década de investigação de laboratório e o início do despliegue em massa em setores reais.
Do laboratório à fábrica: a aposta da Boston Dynamics
“Agora é o momento de tirar oficialmente o Atlas do laboratório”, declarou Zachary Jackowski, vice-presidente e diretor-geral de robôs humanoides na Boston Dynamics, durante o evento. Este anúncio não é meramente simbólico: consolida mais de dez anos de desenvolvimento que começou com o primeiro protótipo em 2013, acelerado pelos recentes avanços em inteligência artificial que tornaram viável o despliegue comercial real.
Os primeiros despliegues chegarão a instalações da Hyundai e Google DeepMind, com a expectativa de expandir para novos clientes em 2027. O Hyundai Motor Group possui aproximadamente 80% da empresa de robótica, aquisição que realizou à SoftBank por 880 milhões de dólares em 2021, consolidando sua posição como ator-chave na corrida global de humanoides.
Capacidades desenhadas para a indústria
O robot humanoide Atlas foi concebido especificamente para tarefas de manufatura: manipulação de materiais, cumprimento de ordens e operações que exigem precisão constante. A sua especificação técnica reflete esta orientação: pode levantar até 50 kg e possui um alcance aproximado de 2,3 metros, permitindo-lhe trabalhar com eficiência superior à dos operários em ambientes onde cada segundo impacta a produtividade.
O design físico também foi deliberado. A sua cabeça e rosto foram configurados intencionalmente para evitar a “humanização” excessiva—a Boston Dynamics priorizou comunicar a sua natureza robótica àqueles que trabalhem ao seu lado. Ao contrário de outros projetos que buscam emular movimentos humanos, o Atlas foi otimizado para eficiência industrial pura.
Quanto à autonomia, o robot opera durante aproximadamente quatro horas usando duas baterias intercambiáveis. Quando se esgotam, navega automaticamente até à sua estação de carga, troca-as por conta própria, e regressa ao trabalho sem intervenção humana.
A inteligência artificial como catalisador
A colaboração entre a Boston Dynamics e o Google DeepMind representa um ponto de inflexão. A DeepMind desenvolveu os seus modelos Gemini Robotics especificamente para levar a inteligência artificial ao mundo físico. Ao integrar esses modelos no Atlas, a empresa potencia a sua capacidade de perceber o ambiente, executar tarefas complexas e operar com maior autonomia.
“Estamos entusiasmados por trabalhar com a Boston Dynamics para explorar o que é possível com o Atlas enquanto desenvolvemos novos modelos para expandir o impacto da robótica”, afirmou Carolina Parada, diretora sénior de robótica do Google DeepMind.
O mercado decola: projeções ambiciosas
O investimento global em robôs humanoides acelerou-se significativamente. Empresas como Tesla, Hyundai e Nvidia expandem programas piloto e mobilizam capital para a manufatura e logística. Uma análise da Morgan Stanley de maio de 2025 projeta que o mercado de robôs humanoides poderá superar os 5 biliões de dólares até 2050, com mais de mil milhões de unidades em operação, principalmente em funções industriais e comerciais.
Este crescimento é liderado por inovações em design—incluindo concorrentes como o robot Unitree G1 desenvolvido na China—mas a Boston Dynamics aspira a consolidar-se como referência através do seu foco em despliegue real e melhoria contínua impulsionada por IA.
O lançamento do Atlas marca, então, não só um marco técnico para a Boston Dynamics, mas um catalisador para a transformação industrial global.
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
Atlas chega à indústria: Boston Dynamics torna oficial o seu primeiro robô humanoide comercial
A robótica industrial acaba de entrar numa nova era. Boston Dynamics revelou no CES 2026 de Las Vegas a versão pronta para produção do seu robot humanoide Atlas, marcando o fim de uma década de investigação de laboratório e o início do despliegue em massa em setores reais.
Do laboratório à fábrica: a aposta da Boston Dynamics
“Agora é o momento de tirar oficialmente o Atlas do laboratório”, declarou Zachary Jackowski, vice-presidente e diretor-geral de robôs humanoides na Boston Dynamics, durante o evento. Este anúncio não é meramente simbólico: consolida mais de dez anos de desenvolvimento que começou com o primeiro protótipo em 2013, acelerado pelos recentes avanços em inteligência artificial que tornaram viável o despliegue comercial real.
Os primeiros despliegues chegarão a instalações da Hyundai e Google DeepMind, com a expectativa de expandir para novos clientes em 2027. O Hyundai Motor Group possui aproximadamente 80% da empresa de robótica, aquisição que realizou à SoftBank por 880 milhões de dólares em 2021, consolidando sua posição como ator-chave na corrida global de humanoides.
Capacidades desenhadas para a indústria
O robot humanoide Atlas foi concebido especificamente para tarefas de manufatura: manipulação de materiais, cumprimento de ordens e operações que exigem precisão constante. A sua especificação técnica reflete esta orientação: pode levantar até 50 kg e possui um alcance aproximado de 2,3 metros, permitindo-lhe trabalhar com eficiência superior à dos operários em ambientes onde cada segundo impacta a produtividade.
O design físico também foi deliberado. A sua cabeça e rosto foram configurados intencionalmente para evitar a “humanização” excessiva—a Boston Dynamics priorizou comunicar a sua natureza robótica àqueles que trabalhem ao seu lado. Ao contrário de outros projetos que buscam emular movimentos humanos, o Atlas foi otimizado para eficiência industrial pura.
Quanto à autonomia, o robot opera durante aproximadamente quatro horas usando duas baterias intercambiáveis. Quando se esgotam, navega automaticamente até à sua estação de carga, troca-as por conta própria, e regressa ao trabalho sem intervenção humana.
A inteligência artificial como catalisador
A colaboração entre a Boston Dynamics e o Google DeepMind representa um ponto de inflexão. A DeepMind desenvolveu os seus modelos Gemini Robotics especificamente para levar a inteligência artificial ao mundo físico. Ao integrar esses modelos no Atlas, a empresa potencia a sua capacidade de perceber o ambiente, executar tarefas complexas e operar com maior autonomia.
“Estamos entusiasmados por trabalhar com a Boston Dynamics para explorar o que é possível com o Atlas enquanto desenvolvemos novos modelos para expandir o impacto da robótica”, afirmou Carolina Parada, diretora sénior de robótica do Google DeepMind.
O mercado decola: projeções ambiciosas
O investimento global em robôs humanoides acelerou-se significativamente. Empresas como Tesla, Hyundai e Nvidia expandem programas piloto e mobilizam capital para a manufatura e logística. Uma análise da Morgan Stanley de maio de 2025 projeta que o mercado de robôs humanoides poderá superar os 5 biliões de dólares até 2050, com mais de mil milhões de unidades em operação, principalmente em funções industriais e comerciais.
Este crescimento é liderado por inovações em design—incluindo concorrentes como o robot Unitree G1 desenvolvido na China—mas a Boston Dynamics aspira a consolidar-se como referência através do seu foco em despliegue real e melhoria contínua impulsionada por IA.
O lançamento do Atlas marca, então, não só um marco técnico para a Boston Dynamics, mas um catalisador para a transformação industrial global.