O que está a impulsionar o aumento dos futuros de café? Uma análise da dinâmica de abastecimento brasileira e dos mecanismos de mercado

Futuros de café registaram ganhos notáveis na terça-feira, com o arábica de março a subir +14,50 pontos (+4,04%) para atingir um pico de 4 semanas, enquanto o robusta de março na ICE avançou +89 pontos (+2,27%). A recuperação reflete uma confluência de pressões de oferta e macroeconómicas que estão a remodelar os mercados globais de café.

Restrições Climáticas no Brasil Encontram Força na Moeda

A base da força do arábica desta semana reside inteiramente no Brasil, o maior produtor mundial de arábica. Minas Gerais, o coração do cultivo de arábica no Brasil, recebeu apenas 47,9 mm de chuva na semana que terminou a 2 de janeiro — apenas 67% das normas históricas, de acordo com a Somar Meteorologia. Este défice de humidade está a apertar as expectativas de oferta a curto prazo.

A somar-se à preocupação de oferta está a recente valorização do real brasileiro face ao dólar. Na terça-feira, a moeda atingiu uma máxima de 1 mês, o que paradoxalmente pressiona os produtores locais. Um real mais forte torna as exportações de café brasileiro menos atrativas nos mercados internacionais, reduzindo efetivamente os incentivos à venda por parte dos produtores e apoiando os preços através de fluxos de oferta restritos.

Produção Robusta do Vietname Tem Peso nos Preços

A história do robusta conta uma narrativa diferente. O Vietname, que domina a produção mundial de café robusta, reportou uma aceleração notável nas exportações de 2025: os embarques aumentaram +17,5% face ao ano anterior para 1,58 milhões de toneladas métricas (MMT), de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas. Olhando para o futuro, a produção de 2025/26 do Vietname está projetada para subir +6% para 1,76 MMT — ou 29,4 milhões de sacos — marcando um máximo de 4 anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname observou que a produção poderia ser 10% superior à colheita anterior, se o tempo favorável persistir.

Esta abundância está a moderar o potencial de subida do robusta, pois os aumentos de oferta do Vietname contrabalançam o suporte de preços observado nos mercados de arábica.

O Panorama de Inventários: Recuperação Após Mínimos Recentes

Os inventários de arábica monitorizados pela ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, a 20 de novembro, antes de se recuperarem para 457.031 sacos até terça-feira — um máximo de 2,5 meses. Para o robusta, os stocks atingiram um mínimo de 1 ano, de 4.012 lotes, a 10 de dezembro, tendo depois recuperado para 4.278 lotes no final de dezembro. Embora os inventários tenham recuperado de mínimos recentes, estes níveis permanecem historicamente restritos, apoiando a oferta estrutural sob os preços.

Mudanças Tarifárias Remodelam os Padrões de Importação dos EUA

Os compradores de café americanos reduziram significativamente as compras de café brasileiro durante o período de tarifas Trump (Agosto-Outubro), com as compras a cair 52% face ao ano anterior para 983.970 sacos. Embora estas tarifas tenham sido posteriormente reduzidas, os inventários de café nos EUA permanecem apertados, sinalizando uma potencial recuperação da procura à medida que o equilíbrio de preços se restabelece e as barreiras comerciais se suavizam.

Perspetivas de Produção: Ganhos no Brasil, Mas Aumento Global Esperado

A agência de previsão de colheitas do Brasil, a Conab, aumentou a sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, em dezembro, sugerindo uma oferta doméstica abundante pela frente. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção do Brasil em 2025/26 na verdade diminuirá -3,1%, para 63 milhões de sacos — um sinal contrastante que merece atenção.

No palco global, o USDA prevê que a produção mundial de café para 2025/26 atingirá um recorde de 178,848 milhões de sacos, um aumento de +2,0% face ao ano anterior. Isto oculta tendências divergentes: a produção de arábica deverá cair -4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto o robusta sobe +10,9%, para 83,333 milhões de sacos. A Organização Internacional do Café relatou que as exportações globais do ano de comercialização atual diminuíram -0,3%, para 138,658 milhões de sacos, sugerindo fluxos mais restritos apesar das colheitas maiores projetadas.

A Conclusão: Pressões em Confronto

Os mercados de café estão a navegar entre forças concorrentes. O stress climático e a dinâmica cambial no Brasil estão a apoiar o arábica, enquanto a abundância no Vietname está a conter o robusta. A recuperação de inventários de mínimos de 1 ano/1,75 anos oferece algum espaço de manobra, mas as projeções de produção futura sugerem que o mercado já está a precificar uma expansão significativa da oferta. Os traders que monitorizam este espaço devem observar os padrões de chuva no Brasil e os movimentos cambiais como potenciais catalisadores, enquanto acompanham o progresso da colheita no Vietname à medida que a temporada avança.

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