A paisagem de preços do açúcar mascavo em 2025/26 está a ser fundamentalmente remodelada por um aumento global de produção antecipado, com os principais previsores a projetar aumentos significativos de oferta em todas as principais regiões produtoras. A última avaliação bienal do USDA, divulgada a 16 de dezembro, fornece a perspetiva mais abrangente até à data, prevendo que a produção mundial de açúcar aumente 4,6% face ao ano anterior, atingindo um nível sem precedentes de 189,318 milhões de toneladas métricas (MMT) em 2025/26.
Dinâmicas de Produção Regional Remodelam o Abastecimento do Mercado
Trajetória de Produção Recorde do Brasil
O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, está posicionado para fornecer volumes recorde que podem alterar fundamentalmente a dinâmica de preços. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA (FAS) projeta que a produção do Brasil em 2025/26 aumentará 2,3% face ao ano anterior, para 44,7 MMT, marcando outro máximo histórico. No entanto, isto contrasta com avaliações anteriores da Conab, a agência oficial de previsão de culturas do Brasil, que a 4 de novembro estimou 45 MMT para 2025/26, acima da previsão anterior de 44,5 MMT.
Os dados operacionais reforçam este quadro otimista de produção: a Unica reportou a 16 de dezembro que a produção acumulada de açúcar na região Centro-Sul do Brasil até novembro aumentou 1,1% face ao ano anterior, para 39,904 MMT. Mais significativamente, as fábricas estão a dar prioridade crescente ao açúcar em detrimento do etanol, com a proporção de cana esmagada para açúcar a subir para 51,12% em 2025/26, face a 48,34% em 2024/25.
Apesar destas projeções recorde, algumas consultoras oferecem uma perspetiva contrária. A Safras & Mercado emitiu uma avaliação mais conservadora, prevendo que a produção de açúcar do Brasil em 2026/27 diminuirá 3,91%, para 41,8 MMT, face às 43,5 MMT esperadas em 2025/26. A firma projeta que as exportações brasileiras em 2026/27 cairão 11% face ao ano anterior, para 30 MMT, sugerindo uma possível escassez na próxima temporada.
Expansão da Produção e Potencial de Exportação da Índia
A trajetória da Índia como o segundo maior produtor mundial mudou drasticamente. O FAS projeta que a produção da Índia em 2025/26 aumentará 25% face ao ano anterior, para 35,25 MMT, bastante acima das estimativas oficiais anteriores. A Associação de Engenhos de Açúcar da Índia (ISMA) elevou a sua previsão para 31 MMT, acima das 30 MMT anteriormente estimadas, representando um aumento de 18,8% face ao ano anterior.
Dados recentes de produção validam estas expectativas otimistas: a ISMA reportou que a produção de açúcar na Índia, de 1 de outubro a 31 de dezembro de 2025, aumentou 24% face ao ano anterior, para 11,83 MMT. Este volume excecional é impulsionado por chuvas de monção favoráveis e pelo aumento da área cultivada de cana.
Crucialmente, a ISMA ajustou a sua alocação de etanol para baixo, reduzindo a estimativa de açúcar mascavo utilizado na produção de etanol para 3,4 MMT, de uma previsão de julho de 5 MMT. Esta reallocação liberta capacidade adicional para os mercados de exportação. O ministério de alimentação da Índia já sinalizou a sua disposição para aumentar as vendas no exterior, tendo aprovado 1,5 MMT de exportações de açúcar para a temporada 2025/26, com potencial para quantidades adicionais, se os abastecimentos internos justificarem tal ação.
Contribuição Crescente das Exportações da Tailândia
A Tailândia, posicionada como o terceiro maior produtor e segundo maior exportador mundial, continua a expandir a sua produção. A Corporação de Engenhos de Açúcar da Tailândia, a 1 de outubro, projetou que a colheita de açúcar de 2025/26 aumentará 5% face ao ano anterior, para 10,5 MMT. A FAS ofereceu uma estimativa ligeiramente mais conservadora de 10,25 MMT para a produção da Tailândia em 2025/26, representando um aumento de 2% face ao ano anterior.
Sinais de Excesso de Oferta Emergentes
O impacto agregado destes aumentos regionais está a criar um ambiente global de excedente antecipado. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) a 17 de novembro previu um excedente de 1,625 milhões de MT em 2025-26, uma reversão dramática do défice de 2,916 milhões de MT registado em 2024-25. A ISO atribui esta expansão do excedente ao aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão, em conjunto.
A estimativa de produção mais ampla da ISO projeta um aumento de 3,2% face ao ano anterior na produção global de açúcar, para 181,8 milhões de MT em 2025-26. O consumo, por outro lado, prevê-se que cresça a um ritmo mais modesto, com o consumo humano global de açúcar em 2025/26 a aumentar apenas 1,4% face ao ano anterior, atingindo um recorde de 177,921 MMT, segundo o USDA.
A firma independente de comércio de açúcar Czarnikow adotou uma postura ainda mais pessimista, prevendo um excedente global de açúcar de 8,7 MMT em 2025/26, a 5 de novembro, acima do seu prognóstico de setembro de 7,5 MMT. Esta revisão ascendente de 1,2 MMT em apenas dois meses reflete o ritmo acelerado do aumento da oferta.
Ação de Preços a Curto Prazo e Considerações Técnicas
O açúcar mundial de março #11 recently recovered from one-week lows, trading up 0.20 (+1.35%), while March London ICE white sugar #5 no NY subiu 2,40 (+0,56%). Esta recuperação intradiária foi atribuída ao cobrir posições vendidas de final de ano por fundos, um fenómeno sazonal comum nos mercados de commodities durante o último mês do calendário de negociação.
A pressão descendente inicial, mais cedo na sessão, refletiu a força do dólar mais ampla, já que o índice do dólar (DXY00) atingiu um máximo de uma semana, pressionando a maioria dos preços das commodities, incluindo os movimentos de preços do açúcar mascavo. No entanto, o suporte técnico manteve-se à medida que os participantes do mercado se reposicionaram antes do fecho de final de ano.
A ação de preços de segunda-feira fez o açúcar do NY atingir o máximo de 2,25 meses da última quarta-feira, impulsionado parcialmente por expectativas temporárias de redução nas ofertas de açúcar do Brasil. Esta recuperação recente destaca como a volatilidade do preço do açúcar mascavo permanece sensível às revisões de oferta, mesmo quando as previsões de longo prazo apontam para condições de excedente.
Perspetivas e Implicações de Investimento
A convergência do aumento da produção global, especialmente da Índia e Tailândia, juntamente com a manutenção de altos níveis de produção do Brasil, sugere que o suporte ao preço do açúcar mascavo poderá enfrentar maior pressão ao longo de 2025/26 e até 2026/27. O USDA projeta que os stocks finais globais de açúcar em 2025/26 cairão 2,9% face ao ano anterior, para 41,188 MMT, embora esta redução modesta ocorra num contexto de expansão da produção e de abastecimentos abundantes.
A dicotomia entre a força técnica de curto prazo (impulsionada pelo cobrir de posições vendidas) e as pressões fundamentais de longo prazo (impulsionadas pela abundância de oferta) sugere que os traders devem monitorizar de perto os dados de produção regionais, particularmente quaisquer revisões às perspetivas do Brasil para 2026/27 ou alterações nas políticas de exportação da Índia, pois estes fatores podem remodelar a narrativa atual de excedente.
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O mercado global de açúcar mascavo enfrenta pressão de excedente devido às previsões de aumento da produção
A paisagem de preços do açúcar mascavo em 2025/26 está a ser fundamentalmente remodelada por um aumento global de produção antecipado, com os principais previsores a projetar aumentos significativos de oferta em todas as principais regiões produtoras. A última avaliação bienal do USDA, divulgada a 16 de dezembro, fornece a perspetiva mais abrangente até à data, prevendo que a produção mundial de açúcar aumente 4,6% face ao ano anterior, atingindo um nível sem precedentes de 189,318 milhões de toneladas métricas (MMT) em 2025/26.
Dinâmicas de Produção Regional Remodelam o Abastecimento do Mercado
Trajetória de Produção Recorde do Brasil
O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, está posicionado para fornecer volumes recorde que podem alterar fundamentalmente a dinâmica de preços. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA (FAS) projeta que a produção do Brasil em 2025/26 aumentará 2,3% face ao ano anterior, para 44,7 MMT, marcando outro máximo histórico. No entanto, isto contrasta com avaliações anteriores da Conab, a agência oficial de previsão de culturas do Brasil, que a 4 de novembro estimou 45 MMT para 2025/26, acima da previsão anterior de 44,5 MMT.
Os dados operacionais reforçam este quadro otimista de produção: a Unica reportou a 16 de dezembro que a produção acumulada de açúcar na região Centro-Sul do Brasil até novembro aumentou 1,1% face ao ano anterior, para 39,904 MMT. Mais significativamente, as fábricas estão a dar prioridade crescente ao açúcar em detrimento do etanol, com a proporção de cana esmagada para açúcar a subir para 51,12% em 2025/26, face a 48,34% em 2024/25.
Apesar destas projeções recorde, algumas consultoras oferecem uma perspetiva contrária. A Safras & Mercado emitiu uma avaliação mais conservadora, prevendo que a produção de açúcar do Brasil em 2026/27 diminuirá 3,91%, para 41,8 MMT, face às 43,5 MMT esperadas em 2025/26. A firma projeta que as exportações brasileiras em 2026/27 cairão 11% face ao ano anterior, para 30 MMT, sugerindo uma possível escassez na próxima temporada.
Expansão da Produção e Potencial de Exportação da Índia
A trajetória da Índia como o segundo maior produtor mundial mudou drasticamente. O FAS projeta que a produção da Índia em 2025/26 aumentará 25% face ao ano anterior, para 35,25 MMT, bastante acima das estimativas oficiais anteriores. A Associação de Engenhos de Açúcar da Índia (ISMA) elevou a sua previsão para 31 MMT, acima das 30 MMT anteriormente estimadas, representando um aumento de 18,8% face ao ano anterior.
Dados recentes de produção validam estas expectativas otimistas: a ISMA reportou que a produção de açúcar na Índia, de 1 de outubro a 31 de dezembro de 2025, aumentou 24% face ao ano anterior, para 11,83 MMT. Este volume excecional é impulsionado por chuvas de monção favoráveis e pelo aumento da área cultivada de cana.
Crucialmente, a ISMA ajustou a sua alocação de etanol para baixo, reduzindo a estimativa de açúcar mascavo utilizado na produção de etanol para 3,4 MMT, de uma previsão de julho de 5 MMT. Esta reallocação liberta capacidade adicional para os mercados de exportação. O ministério de alimentação da Índia já sinalizou a sua disposição para aumentar as vendas no exterior, tendo aprovado 1,5 MMT de exportações de açúcar para a temporada 2025/26, com potencial para quantidades adicionais, se os abastecimentos internos justificarem tal ação.
Contribuição Crescente das Exportações da Tailândia
A Tailândia, posicionada como o terceiro maior produtor e segundo maior exportador mundial, continua a expandir a sua produção. A Corporação de Engenhos de Açúcar da Tailândia, a 1 de outubro, projetou que a colheita de açúcar de 2025/26 aumentará 5% face ao ano anterior, para 10,5 MMT. A FAS ofereceu uma estimativa ligeiramente mais conservadora de 10,25 MMT para a produção da Tailândia em 2025/26, representando um aumento de 2% face ao ano anterior.
Sinais de Excesso de Oferta Emergentes
O impacto agregado destes aumentos regionais está a criar um ambiente global de excedente antecipado. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) a 17 de novembro previu um excedente de 1,625 milhões de MT em 2025-26, uma reversão dramática do défice de 2,916 milhões de MT registado em 2024-25. A ISO atribui esta expansão do excedente ao aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão, em conjunto.
A estimativa de produção mais ampla da ISO projeta um aumento de 3,2% face ao ano anterior na produção global de açúcar, para 181,8 milhões de MT em 2025-26. O consumo, por outro lado, prevê-se que cresça a um ritmo mais modesto, com o consumo humano global de açúcar em 2025/26 a aumentar apenas 1,4% face ao ano anterior, atingindo um recorde de 177,921 MMT, segundo o USDA.
A firma independente de comércio de açúcar Czarnikow adotou uma postura ainda mais pessimista, prevendo um excedente global de açúcar de 8,7 MMT em 2025/26, a 5 de novembro, acima do seu prognóstico de setembro de 7,5 MMT. Esta revisão ascendente de 1,2 MMT em apenas dois meses reflete o ritmo acelerado do aumento da oferta.
Ação de Preços a Curto Prazo e Considerações Técnicas
O açúcar mundial de março #11 recently recovered from one-week lows, trading up 0.20 (+1.35%), while March London ICE white sugar #5 no NY subiu 2,40 (+0,56%). Esta recuperação intradiária foi atribuída ao cobrir posições vendidas de final de ano por fundos, um fenómeno sazonal comum nos mercados de commodities durante o último mês do calendário de negociação.
A pressão descendente inicial, mais cedo na sessão, refletiu a força do dólar mais ampla, já que o índice do dólar (DXY00) atingiu um máximo de uma semana, pressionando a maioria dos preços das commodities, incluindo os movimentos de preços do açúcar mascavo. No entanto, o suporte técnico manteve-se à medida que os participantes do mercado se reposicionaram antes do fecho de final de ano.
A ação de preços de segunda-feira fez o açúcar do NY atingir o máximo de 2,25 meses da última quarta-feira, impulsionado parcialmente por expectativas temporárias de redução nas ofertas de açúcar do Brasil. Esta recuperação recente destaca como a volatilidade do preço do açúcar mascavo permanece sensível às revisões de oferta, mesmo quando as previsões de longo prazo apontam para condições de excedente.
Perspetivas e Implicações de Investimento
A convergência do aumento da produção global, especialmente da Índia e Tailândia, juntamente com a manutenção de altos níveis de produção do Brasil, sugere que o suporte ao preço do açúcar mascavo poderá enfrentar maior pressão ao longo de 2025/26 e até 2026/27. O USDA projeta que os stocks finais globais de açúcar em 2025/26 cairão 2,9% face ao ano anterior, para 41,188 MMT, embora esta redução modesta ocorra num contexto de expansão da produção e de abastecimentos abundantes.
A dicotomia entre a força técnica de curto prazo (impulsionada pelo cobrir de posições vendidas) e as pressões fundamentais de longo prazo (impulsionadas pela abundância de oferta) sugere que os traders devem monitorizar de perto os dados de produção regionais, particularmente quaisquer revisões às perspetivas do Brasil para 2026/27 ou alterações nas políticas de exportação da Índia, pois estes fatores podem remodelar a narrativa atual de excedente.