O mercado do café apresentou uma imagem divergente na segunda-feira, com a arabica a beneficiar-se de preocupações climáticas no Brasil, enquanto a robusta enfrentou dificuldades devido ao aumento da oferta do Vietname. Os contratos futuros de arabica de março subiram +2,05 (+0,57%), marcando ganhos à medida que as condições de seca agravaram as perspetivas, enquanto os contratos de robusta de março caíram -36 (-0,91%) para atingir uma baixa de uma semana.
Dinâmicas de Oferta que Impulsionam a Divergência de Preços
O coração produtor de café do Brasil está a experimentar precipitação abaixo do normal, o que está a captar a atenção do mercado. Minas Gerais, a principal região de arabica do Brasil e fundamental para os abastecimentos globais, registou apenas 47,9 mm de precipitação na semana que terminou a 2 de janeiro — apenas 67% das normas históricas. Este défice de chuva está a reforçar o sentimento positivo em relação à arabica e ocorre enquanto os traders processam implicações mais amplas na oferta.
No que diz respeito à robusta, o setor cafeeiro do Vietname está a inundar o mercado com novos carregamentos. As exportações de café do Vietname em 2025 aumentaram +17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 MMT, pressionando os preços, uma vez que o maior produtor mundial de robusta demonstra disponibilidade abundante. A contrastar, enquanto a arabica enfrenta obstáculos na produção no Brasil, a abundância de robusta do Vietname está a criar pressão baixista.
Efeitos da Moeda e Tarifas que Remodelam a Demanda
A força do real brasileiro face ao dólar está a desempenhar um papel subestimado. A moeda atingiu uma máxima de três semanas na segunda-feira, tornando as exportações brasileiras de café menos atrativas do ponto de vista de preços — um fator que tem apoiado os valores da arabica ao desencorajar a corrida dos agricultores para vender.
As dinâmicas de importação dos EUA também mudaram após ajustes tarifários. Durante o período em que as tarifas da era Trump estiveram ativas (Agosto-Outubro), as compras de café dos EUA ao Brasil caíram 52%, para 983.970 sacos, em comparação com o mesmo período do ano passado. Embora as tarifas tenham sido posteriormente reduzidas, os stocks de café nos EUA permanecem limitados, sugerindo que a procura pode não recuperar imediatamente.
Níveis de Inventário e Previsões de Produção
Os dados dos armazéns da ICE mostram sinais mistos em todo o complexo. Os inventários de arabica atingiram um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, a 20 de novembro, antes de se recuperarem para 456.477 sacos até 24 de dezembro. Os stocks de robusta também saltaram de um mínimo de um ano, de 4.012 lotes, a 10 de dezembro, para 4.278 lotes no final de dezembro.
As previsões de produção pintam um quadro complexo para a perspetiva intermédia do mercado. A agência de produção de café do Brasil, Conab, aumentou a sua estimativa de produção de café para 2025 para 56,54 milhões de sacos — um aumento de 2,4% em relação às projeções de setembro. Entretanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção global de café atingirá um recorde de 178,848 milhões de sacos em 2025/26, com a produção de arabica a contrair 4,7%, enquanto a robusta expandirá 10,9%.
Correntes de Mercado e o Ano que se Segue
A trajetória do café do Vietname sugere uma pressão sustentada sobre os preços da robusta. A produção do país em 2025/26 deve subir 6% em relação ao ano anterior, para 1,76 MMT (29,4 milhões de sacos), potencialmente atingindo um máximo de quatro anos se o clima colaborar. A situação do Brasil é mais complexa: enquanto a produção de 2024/25 é robusta, com 56,54 milhões de sacos, a previsão do FAS indica uma queda de 3,1%, para 63 milhões de sacos em 2025/26.
As exportações globais de café caíram modestamente 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos no atual ano de comercialização, sugerindo estabilidade apesar das mudanças na oferta. No entanto, os stocks finais estão projetados a cair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, potencialmente apoiando os preços a médio prazo.
A divergência entre arabica e robusta reflete dinâmicas fundamentais de oferta e procura: as preocupações com a precipitação no Brasil e a força da moeda estão a elevar a arabica, enquanto as colheitas em expansão do Vietname estão a puxar a robusta para baixo. Os traders que monitorizam este mercado, quando a monção do Brasil atingir a sua fase crítica, irão identificar níveis essenciais que moldarão a próxima fase do complexo do café.
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
A seca de café no Brasil eleva a arábica enquanto o aumento no Vietname pesa na robusta
O mercado do café apresentou uma imagem divergente na segunda-feira, com a arabica a beneficiar-se de preocupações climáticas no Brasil, enquanto a robusta enfrentou dificuldades devido ao aumento da oferta do Vietname. Os contratos futuros de arabica de março subiram +2,05 (+0,57%), marcando ganhos à medida que as condições de seca agravaram as perspetivas, enquanto os contratos de robusta de março caíram -36 (-0,91%) para atingir uma baixa de uma semana.
Dinâmicas de Oferta que Impulsionam a Divergência de Preços
O coração produtor de café do Brasil está a experimentar precipitação abaixo do normal, o que está a captar a atenção do mercado. Minas Gerais, a principal região de arabica do Brasil e fundamental para os abastecimentos globais, registou apenas 47,9 mm de precipitação na semana que terminou a 2 de janeiro — apenas 67% das normas históricas. Este défice de chuva está a reforçar o sentimento positivo em relação à arabica e ocorre enquanto os traders processam implicações mais amplas na oferta.
No que diz respeito à robusta, o setor cafeeiro do Vietname está a inundar o mercado com novos carregamentos. As exportações de café do Vietname em 2025 aumentaram +17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 MMT, pressionando os preços, uma vez que o maior produtor mundial de robusta demonstra disponibilidade abundante. A contrastar, enquanto a arabica enfrenta obstáculos na produção no Brasil, a abundância de robusta do Vietname está a criar pressão baixista.
Efeitos da Moeda e Tarifas que Remodelam a Demanda
A força do real brasileiro face ao dólar está a desempenhar um papel subestimado. A moeda atingiu uma máxima de três semanas na segunda-feira, tornando as exportações brasileiras de café menos atrativas do ponto de vista de preços — um fator que tem apoiado os valores da arabica ao desencorajar a corrida dos agricultores para vender.
As dinâmicas de importação dos EUA também mudaram após ajustes tarifários. Durante o período em que as tarifas da era Trump estiveram ativas (Agosto-Outubro), as compras de café dos EUA ao Brasil caíram 52%, para 983.970 sacos, em comparação com o mesmo período do ano passado. Embora as tarifas tenham sido posteriormente reduzidas, os stocks de café nos EUA permanecem limitados, sugerindo que a procura pode não recuperar imediatamente.
Níveis de Inventário e Previsões de Produção
Os dados dos armazéns da ICE mostram sinais mistos em todo o complexo. Os inventários de arabica atingiram um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, a 20 de novembro, antes de se recuperarem para 456.477 sacos até 24 de dezembro. Os stocks de robusta também saltaram de um mínimo de um ano, de 4.012 lotes, a 10 de dezembro, para 4.278 lotes no final de dezembro.
As previsões de produção pintam um quadro complexo para a perspetiva intermédia do mercado. A agência de produção de café do Brasil, Conab, aumentou a sua estimativa de produção de café para 2025 para 56,54 milhões de sacos — um aumento de 2,4% em relação às projeções de setembro. Entretanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção global de café atingirá um recorde de 178,848 milhões de sacos em 2025/26, com a produção de arabica a contrair 4,7%, enquanto a robusta expandirá 10,9%.
Correntes de Mercado e o Ano que se Segue
A trajetória do café do Vietname sugere uma pressão sustentada sobre os preços da robusta. A produção do país em 2025/26 deve subir 6% em relação ao ano anterior, para 1,76 MMT (29,4 milhões de sacos), potencialmente atingindo um máximo de quatro anos se o clima colaborar. A situação do Brasil é mais complexa: enquanto a produção de 2024/25 é robusta, com 56,54 milhões de sacos, a previsão do FAS indica uma queda de 3,1%, para 63 milhões de sacos em 2025/26.
As exportações globais de café caíram modestamente 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos no atual ano de comercialização, sugerindo estabilidade apesar das mudanças na oferta. No entanto, os stocks finais estão projetados a cair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, potencialmente apoiando os preços a médio prazo.
A divergência entre arabica e robusta reflete dinâmicas fundamentais de oferta e procura: as preocupações com a precipitação no Brasil e a força da moeda estão a elevar a arabica, enquanto as colheitas em expansão do Vietname estão a puxar a robusta para baixo. Os traders que monitorizam este mercado, quando a monção do Brasil atingir a sua fase crítica, irão identificar níveis essenciais que moldarão a próxima fase do complexo do café.