Perspetivas de Colheita de Cacau na África Ocidental Provocam Forte Recuo nos Preços

Futuros de cacau sofreram uma forte queda na sexta-feira, com o cacau de março do ICE NY a afundar 194 pontos, encerrando -3,20% mais baixo, enquanto o cacau de março do ICE London caiu 129 pontos, fechando -2,95%. O contrato atingiu uma mínima de uma semana antes de se estabilizar na zona negativa, à medida que condições agrícolas melhores em toda a África Ocidental ofuscaram outros suportes do mercado.

Perspectivas de Colheita Abundante pressionam o momentum do preço do cacau

O principal obstáculo para os futuros de cacau decorre do fortalecimento das condições de cultivo nas principais regiões produtoras. O Tropical General Investments Group destacou na sexta-feira que se espera que padrões climáticos melhores proporcionem uma colheita robusta de fevereiro a março na Costa do Marfim e Gana, com os agricultores relatando vagens significativamente maiores e mais robustas em comparação com o mesmo período do ano passado.

A Mondelez, uma grande processadora de chocolate, reforçou essa previsão ao observar que a contagem atual de vagens de cacau na África Ocidental está 7% acima do benchmark de cinco anos e excede substancialmente os números do ano passado. Com as colheitas em andamento na Costa do Marfim, a comunidade agrícola da região demonstra otimismo quanto à qualidade da safra, sugerindo ainda mais estoques abundantes no horizonte.

Volatilidade semanal: Rally revertido à medida que os preços sucumbem à recuperação da oferta

Apenas três dias antes, os futuros de cacau haviam atingido máximas de três semanas na segunda-feira, quando dados de entregas portuárias geraram preocupações de escassez. Na semana encerrada em 28 de dezembro, os agricultores da Costa do Marfim entregaram apenas 59.708 MT nos portos — uma queda de 27% em relação à mesma semana do ano passado. As remessas acumuladas até 28 de dezembro totalizaram 1,029 MMT, uma redução de 2,0% em relação às 1,050 MMT do ano anterior.

A queda subsequente de sexta-feira sugere que o mercado já assimilou essas preocupações de oferta, diante de um cenário de colheita mais favorável à frente.

Apoio estrutural ainda em jogo apesar da fraqueza de sexta-feira

Apesar da ação de preço baixista, o cacau mantém suporte relevante de várias fontes. O novo impulso de listagem, com a inclusão de futuros de cacau no Bloomberg Commodity Index (BCOM) a partir de janeiro, deve atrair aproximadamente $2 bilhão em interesse de compra relacionado ao índice, segundo análise do Citigroup.

Além disso, os estoques de cacau monitorados pelo ICE nos portos dos EUA atingiram uma mínima de 9,5 meses, com 1.626.105 sacos na última sexta-feira, sugerindo uma disponibilidade restrita nos armazéns que pode, eventualmente, limitar movimentos de baixa. As previsões globais de oferta também se ajustaram para mais apertadas: a Organização Internacional do Cacau (ICCO) reduziu sua estimativa de superávit para 2024/25 para 49.000 MT, de 142.000 MT anteriormente, enquanto cortou a orientação de produção global para 4,69 MMT de 4,84 MMT. A Rabobank também ajustou sua projeção de superávit para 2025/26 para 250.000 MT, de uma estimativa anterior de 328.000 MT.

Obstáculos contrários: atraso na lei de desmatamento da UE e demanda fraca

A decisão do Parlamento Europeu em 26 de novembro de atrasar sua regulamentação de desmatamento (EUDR) por um ano elimina uma restrição de oferta de curto prazo, permitindo a continuidade das importações de regiões afetadas pelo desmatamento na África e Indonésia. Essa pausa regulatória mantém efetivamente os canais de oferta abertos e a pressão sobre o preço do cacau.

A fraqueza na demanda também obscurece o cenário de curto prazo. As moagem de cacau na Ásia no terceiro trimestre caíram 17% ano a ano, para 183.413 MT — o menor total do terceiro trimestre em nove anos. As moagem de cacau na Europa caíram 4,8%, para 337.353 MT, marcando o pior terceiro trimestre em uma década. As moagem na América do Norte aumentaram 3,2%, embora mudanças na metodologia de relatório tenham distorcido esses dados.

Um ponto positivo: obstáculos à produção na Nigéria

A Nigéria, classificada como a quinta maior produtora de cacau do mundo, oferece um fator de alta contrária. A Associação de Cacau do país projeta que a produção de 2025/26 contrairá 11%, para 305.000 MT, de uma expectativa de 344.000 MT neste ano. As exportações de cacau de setembro permaneceram estáveis em relação ao ano anterior, com 14.511 MT, reforçando os desafios de produção da região.

O mercado de cacau permanece dividido entre a abundância de safra de curto prazo e a restrição estrutural de oferta, deixando a direção do preço dependente de qual narrativa ganhará domínio nas próximas semanas.

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