Futuros de açúcar registaram perdas hoje à medida que os movimentos cambiais e os fundamentos de oferta colidiram no mercado. Os contratos de março de Nova Iorque (SBH26) caíram 0,05 pontos (-0,33%), enquanto o açúcar branco ICE de Londres #5 (SWH26) caiu 1,20 pontos (-0,28%). O principal culpado: um índice do dólar mais firme (DXY00) que atingiu o seu nível mais alto em quatro semanas, criando uma pressão adicional sobre as avaliações de commodities em geral.
Força do Dólar vs. Rebalanceamento de Índice: Um Quadro Misto
A valorização do dólar geralmente pressiona commodities agrícolas como o açúcar, mas as perdas permanecem contidas. A análise do Citigroup aponta para um contrapeso: fluxos de entrada previstos relacionados ao índice para o reequilíbrio de referência de commodities. Os dois índices dominantes—BCOM e S&P GSCI—devem receber aproximadamente 1,2 mil milhões de dólares em futuros de açúcar nos próximos sete dias, oferecendo algum suporte aos preços em meio ao momentum mais amplo do dólar.
Perspetivas de Produção do Brasil: Questões de Qualidade em vez de Quantidade
Desenvolvimentos recentes no Brasil, maior produtor mundial de açúcar, mudaram as expectativas. Na semana passada, o açúcar de NY aproximou-se de um pico de 2,5 meses, impulsionado pelo otimismo em relação a fornecimentos futuros mais apertados. No entanto, esse otimismo agora enfrenta escrutínio. A Safras & Mercado, uma consultora líder, informou em 23 de dezembro que a colheita de açúcar de 2026/27 no Brasil irá contrair-se 3,91% para 41,8 MMT, em comparação com as 43,5 MMT previstas para 2025/26. Mais significativamente, a firma projeta que as exportações de açúcar irão diminuir 11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT—uma redução material que poderia suportar os preços se outras regiões não compensarem a queda.
Por outro lado, os dados mais recentes de dezembro da Conab apresentam uma perspetiva mais otimista para 2025/26, tendo aumentado a sua previsão para 45 MMT, de 44,5 MMT em novembro. A Unica confirmou essa força, observando que a moagem na região Centro-Sul até novembro aumentou 1,1% em relação ao ano anterior, para 39,904 MMT. A proporção de cana direcionada para a produção de açúcar (em vez de etanol) subiu para 51,12%, de 48,34% no ano anterior, sugerindo uma produção contínua robusta a curto prazo.
Surto na Índia: Expansão das Exportações Ameaça a Estabilidade do Preço do Açúcar
O mercado de açúcar da Índia ganhou destaque após a fraqueza de sexta-feira, impulsionado pela crescente produção doméstica. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) informou que a produção de outubro a dezembro aumentou 25% em relação ao ano anterior, atingindo 11,90 MMT—uma aceleração acentuada em relação às 9,54 MMT no mesmo período de 2024. A produção total de 2025/26 foi revista para cima, para 31 MMT, de uma estimativa anterior de 30 MMT, refletindo um aumento de 18,8% em relação ao ano anterior.
Essa expansão tem implicações críticas para a disponibilidade global. O ministério de alimentos da Índia sinalizou em novembro que exportações adicionais de açúcar além da quota permitida de 1,5 MMT podem ser autorizadas para aliviar pressões na oferta doméstica. A ISMA também reduziu sua estimativa de desvio de etanol de 5 MMT para 3,4 MMT, liberando inventário para vendas internacionais. Como o segundo maior produtor mundial, as decisões de exportação da Índia influenciam as tendências de custo do açúcar globalmente.
Tailândia e Preocupações com Excedentes Emergentes
A perspetiva de produção da Tailândia reforça as preocupações com a oferta. A Thai Sugar Millers Corp projeta um aumento de 5%, para 10,5 MMT, para 2025/26, com o status do país como o terceiro maior produtor mundial e o segundo maior exportador amplificando o impacto no mercado.
A avaliação de novembro da Organização Internacional do Açúcar revelou o desafio estrutural à frente: um excedente de 1,625 milhões de MT em 2025/26, revertendo o défice de 2,916 milhões de MT em 2024/25. A ISO atribui essa reversão aos ganhos de produção na Índia, Tailândia e Paquistão, prevendo um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior na produção global, para 181,8 milhões de MT. A trader de açúcar Czarnikow foi mais longe, elevando sua projeção de excedente global para 8,7 MMT ( versus 7,5 MMT anteriormente), sugerindo riscos ainda maiores de excesso de oferta.
Estrutura de Longo Prazo do USDA: Produção Recorde Encontra Crescente Consumo
A avaliação semestral do USDA de 16 de dezembro preparou o cenário para 2025/26: a produção global de açúcar deve subir 4,6% em relação ao ano anterior, atingindo um máximo histórico de 189,318 MMT. O consumo deve crescer de forma mais modesta, 1,4%, para 177,921 MMT, deixando uma margem de oferta ampla. As stocks finais globais estão projetadas para diminuir 2,9%, para 41,188 MMT—uma redução que reflete a escala das aumentos de produção.
Por região, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA prevê que o Brasil atingirá 44,7 MMT (+2,3% y/y), a Índia 35,25 MMT (+25% y/y impulsionada pelos benefícios do monção e expansão de área plantada), e a Tailândia 10,25 MMT (+2% y/y). Juntos, esses cenários reforçam a pressão de oferta que pesa sobre os preços de curto prazo e a trajetória geral do custo do açúcar.
A combinação de força do dólar, produção recorde projetada e mudanças nas políticas de exportação sugere que o suporte de preços permanecerá contestado, com os fundamentos de oferta, em última análise, a determinar se as perdas recentes se estenderão ainda mais.
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
O Mercado Global de Açúcar Enfrenta Obstáculos: Aumento do Dólar e Pressão de Crescimento da Produção sobre os Preços
Futuros de açúcar registaram perdas hoje à medida que os movimentos cambiais e os fundamentos de oferta colidiram no mercado. Os contratos de março de Nova Iorque (SBH26) caíram 0,05 pontos (-0,33%), enquanto o açúcar branco ICE de Londres #5 (SWH26) caiu 1,20 pontos (-0,28%). O principal culpado: um índice do dólar mais firme (DXY00) que atingiu o seu nível mais alto em quatro semanas, criando uma pressão adicional sobre as avaliações de commodities em geral.
Força do Dólar vs. Rebalanceamento de Índice: Um Quadro Misto
A valorização do dólar geralmente pressiona commodities agrícolas como o açúcar, mas as perdas permanecem contidas. A análise do Citigroup aponta para um contrapeso: fluxos de entrada previstos relacionados ao índice para o reequilíbrio de referência de commodities. Os dois índices dominantes—BCOM e S&P GSCI—devem receber aproximadamente 1,2 mil milhões de dólares em futuros de açúcar nos próximos sete dias, oferecendo algum suporte aos preços em meio ao momentum mais amplo do dólar.
Perspetivas de Produção do Brasil: Questões de Qualidade em vez de Quantidade
Desenvolvimentos recentes no Brasil, maior produtor mundial de açúcar, mudaram as expectativas. Na semana passada, o açúcar de NY aproximou-se de um pico de 2,5 meses, impulsionado pelo otimismo em relação a fornecimentos futuros mais apertados. No entanto, esse otimismo agora enfrenta escrutínio. A Safras & Mercado, uma consultora líder, informou em 23 de dezembro que a colheita de açúcar de 2026/27 no Brasil irá contrair-se 3,91% para 41,8 MMT, em comparação com as 43,5 MMT previstas para 2025/26. Mais significativamente, a firma projeta que as exportações de açúcar irão diminuir 11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT—uma redução material que poderia suportar os preços se outras regiões não compensarem a queda.
Por outro lado, os dados mais recentes de dezembro da Conab apresentam uma perspetiva mais otimista para 2025/26, tendo aumentado a sua previsão para 45 MMT, de 44,5 MMT em novembro. A Unica confirmou essa força, observando que a moagem na região Centro-Sul até novembro aumentou 1,1% em relação ao ano anterior, para 39,904 MMT. A proporção de cana direcionada para a produção de açúcar (em vez de etanol) subiu para 51,12%, de 48,34% no ano anterior, sugerindo uma produção contínua robusta a curto prazo.
Surto na Índia: Expansão das Exportações Ameaça a Estabilidade do Preço do Açúcar
O mercado de açúcar da Índia ganhou destaque após a fraqueza de sexta-feira, impulsionado pela crescente produção doméstica. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) informou que a produção de outubro a dezembro aumentou 25% em relação ao ano anterior, atingindo 11,90 MMT—uma aceleração acentuada em relação às 9,54 MMT no mesmo período de 2024. A produção total de 2025/26 foi revista para cima, para 31 MMT, de uma estimativa anterior de 30 MMT, refletindo um aumento de 18,8% em relação ao ano anterior.
Essa expansão tem implicações críticas para a disponibilidade global. O ministério de alimentos da Índia sinalizou em novembro que exportações adicionais de açúcar além da quota permitida de 1,5 MMT podem ser autorizadas para aliviar pressões na oferta doméstica. A ISMA também reduziu sua estimativa de desvio de etanol de 5 MMT para 3,4 MMT, liberando inventário para vendas internacionais. Como o segundo maior produtor mundial, as decisões de exportação da Índia influenciam as tendências de custo do açúcar globalmente.
Tailândia e Preocupações com Excedentes Emergentes
A perspetiva de produção da Tailândia reforça as preocupações com a oferta. A Thai Sugar Millers Corp projeta um aumento de 5%, para 10,5 MMT, para 2025/26, com o status do país como o terceiro maior produtor mundial e o segundo maior exportador amplificando o impacto no mercado.
A avaliação de novembro da Organização Internacional do Açúcar revelou o desafio estrutural à frente: um excedente de 1,625 milhões de MT em 2025/26, revertendo o défice de 2,916 milhões de MT em 2024/25. A ISO atribui essa reversão aos ganhos de produção na Índia, Tailândia e Paquistão, prevendo um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior na produção global, para 181,8 milhões de MT. A trader de açúcar Czarnikow foi mais longe, elevando sua projeção de excedente global para 8,7 MMT ( versus 7,5 MMT anteriormente), sugerindo riscos ainda maiores de excesso de oferta.
Estrutura de Longo Prazo do USDA: Produção Recorde Encontra Crescente Consumo
A avaliação semestral do USDA de 16 de dezembro preparou o cenário para 2025/26: a produção global de açúcar deve subir 4,6% em relação ao ano anterior, atingindo um máximo histórico de 189,318 MMT. O consumo deve crescer de forma mais modesta, 1,4%, para 177,921 MMT, deixando uma margem de oferta ampla. As stocks finais globais estão projetadas para diminuir 2,9%, para 41,188 MMT—uma redução que reflete a escala das aumentos de produção.
Por região, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA prevê que o Brasil atingirá 44,7 MMT (+2,3% y/y), a Índia 35,25 MMT (+25% y/y impulsionada pelos benefícios do monção e expansão de área plantada), e a Tailândia 10,25 MMT (+2% y/y). Juntos, esses cenários reforçam a pressão de oferta que pesa sobre os preços de curto prazo e a trajetória geral do custo do açúcar.
A combinação de força do dólar, produção recorde projetada e mudanças nas políticas de exportação sugere que o suporte de preços permanecerá contestado, com os fundamentos de oferta, em última análise, a determinar se as perdas recentes se estenderão ainda mais.