Pare de adivinhar: Como estes 4 indicadores-chave de avaliação funcionam realmente para investidores em ações

Quando tenta perceber se uma ação vale a pena comprar, basicamente faz uma pergunta: Esta empresa está cara ou barata neste momento? O problema é que os preços das ações por si só não dizem nada. Uma $50 ação não é automaticamente mais barata do que uma $200 ação. É aí que entram as múltiplas de avaliação—são os códigos de trapaça que analistas profissionais usam para comparar empresas de forma justa, independentemente do seu tamanho ou setor.

Pense numa múltipla de avaliação como uma proporção que responde a esta pergunta: “Quanto estou a pagar por cada dólar de lucros, receitas ou caixa que esta empresa gera?” É assim de simples. Assim que entender as principais, perceberá por que algumas ações negociam a preços astronómicos enquanto outras parecem baratas. Spoiler: geralmente não é só hype.

A Proporção Mais Importante: Preço/Lucros (P/E)

A proporção P/E é provavelmente a métrica de avaliação que mais ouvirá falar. Ela pega o preço da ação (ou valor de mercado total) da empresa e divide pelo lucro que a empresa realmente obteve.

Vamos usar um exemplo real: A Empresa A vale $1 bilhão no mercado e teve $100 milhões de lucros no ano passado. Divida esses números, e obtém um P/E de 10. Parece barato, certo? Agora imagine que os investidores ficam entusiasmados com o futuro desta empresa e elevam o seu valor de mercado para $1,5 mil milhões—mas a empresa na verdade não ganhou mais dinheiro. De repente, esse P/E sobe para 15. Mesma empresa, mesmos lucros, mas a métrica de avaliação mostra que os investidores agora estão a pagar mais por cada dólar ganho.

Aqui está o truque: diferentes setores têm naturalmente diferentes P/E. O mercado não avalia tudo da mesma forma. Historicamente, as empresas do S&P 500 tiveram uma média de P/E em torno de 20 nos últimos 40 anos. Se uma empresa está a negociar muito acima ou abaixo disso? É altura de investigar e perguntar porquê.

Múltiplos de Receita: O P/S que Todos Ignoram

O múltiplo P/S (ou relação preço-vendas) funciona quase exatamente como o P/E, exceto que, em vez de dividir pelos lucros, divide o valor de mercado pela receita total. Por que usar isto em vez do P/E? Porque os lucros podem ser manipulados—empresas cortam custos ou ajustam contabilidade—mas a receita é mais difícil de falsificar.

Exemplo: A Empresa A tem um valor de mercado de $1 bilhão, mas só gerou $500 milhões em vendas. O seu múltiplo P/S é 2. Muito direto.

Normalmente, verá múltiplos P/S abaixo de 3 na maioria das empresas. Se for mais alto, é melhor ter uma boa razão—como crescimento explosivo à vista ou otimismo sério dos investidores quanto às receitas futuras. Alguns setores têm naturalmente múltiplos P/S mais altos devido às suas perspetivas de crescimento, por isso comparar entre setores é fundamental.

O CEO do setor tecnológico Scott McNealy explicou bem por que múltiplos P/S absurdamente altos não fazem sentido. Ele apontou que, se pagar 10 vezes as receitas, a empresa precisaria dar-lhe 100% das vendas em dividendos durante uma década—antes de impostos, custos operacionais, P&D. É um choque brutal, mas uma verificação de realidade eficaz.

Quando o Valor Contábil Importa: A Proporção P/B

A proporção P/B (preço/valor contábil) é diferente das outras porque não usa lucros trimestrais ou vendas—usa o balanço da empresa. O valor contábil é basicamente o que sobra quando subtraímos o que a empresa deve do que possui (ativos menos passivos).

Exemplo: A Empresa A tem $750 milhões em ativos e $50 milhões em dívidas, deixando um valor contábil de $700 milhões. Se o mercado valoriza a empresa em $1 bilhão, a proporção P/B é 1,42—o que geralmente indica que a ação está sobrevalorizada.

Para bancos e instituições financeiras, um P/B abaixo de 1 é na verdade o normal e saudável. Mas empresas tecnológicas? Raramente as verá a negociar tão baixo, mesmo quando estão sobrevalorizadas, porque elas adquirem ativos intangíveis constantemente e não amarram capital da mesma forma que os bancos.

A Verificação do Caixa: Preço/Fluxo de Caixa Livre

Aqui está uma verdade que os investidores muitas vezes ignoram: não se pagam contas com lucros contabilísticos. O fluxo de caixa livre—o dinheiro real que uma empresa tem sobrando depois de pagar as suas contas—é mais importante do que qualquer outra métrica nesta lista.

A proporção P/FCF divide o valor de mercado pelo fluxo de caixa livre que a empresa gera. Uma empresa avaliada em $1 bilhão que produz $175 milhões de fluxo de caixa livre anual tem um P/FCF de 5,7.

Com fluxo de caixa livre, a regra é simples: quanto mais baixo, melhor geralmente. FCF é dinheiro real que a empresa pode usar para dividendos, pagamento de dívidas, recompra de ações, aquisições ou simplesmente para manter as luzes acesas. Compare o P/FCF da sua empresa com o de outras no mesmo setor—se for significativamente mais alto, pode ser um sinal de alerta.

Como o Mundo Real Usa Estas Métricas

Analistas profissionais não escolhem só uma proporção e ficam por aí. Comparam também avaliações históricas. A maioria das múltiplas vem em duas versões: trailing (baseado nos últimos 12 meses) e forward (baseado nos próximos 12 meses esperados). Com dados históricos, consegue ver se uma ação sempre foi cara, sempre foi barata ou se está atualmente em um extremo.

Pegue a Apple (NASDAQ: AAPL), negociando a cerca de $190 por ação, com um P/E de aproximadamente 31. Historicamente, a Apple já negociou tanto acima quanto abaixo disso. Com esta avaliação, relativamente à sua própria história, a ação está numa faixa mais cara. É para comprar mesmo assim? Isso depende da sua convicção sobre o futuro da empresa—mas, no mínimo, sabe que está a pagar um prémio.

Por que as Tecnológicas Negociam Caro e os Bancos Não

Quer ver a maior diferença que as múltiplas de avaliação fazem? Compare setores. O setor tecnológico atualmente negocia a uma média de P/E em torno de 35, enquanto o setor financeiro fica nos 12. Isso não é por acaso.

As ações tecnológicas têm múltiplos mais altos porque os investidores esperam um crescimento mais rápido dos lucros à frente. As empresas financeiras são maduras, previsíveis e de crescimento mais lento. Onde o mercado prevê mais crescimento, recompensa com múltiplos mais altos. Não é que as empresas tecnológicas sejam melhores—é que os investidores estão a pagar pelo potencial de expansão futura, que pode ou não acontecer.

De forma semelhante, o múltiplo P/S para empresas tecnológicas de alto crescimento pode chegar a 3x ou mais, enquanto utilitários e empresas maduras podem negociar entre 0,5 e 2x as vendas. A própria proporção não é o veredicto—é apenas uma ferramenta que mostra o que o mercado está a precificar atualmente.

A Conclusão

As múltiplas de avaliação não são magia. São apenas matemática. Mas revelam o que realmente está precificado numa ação e permitem comparar empresas e setores de forma justa. Domine o P/E, o múltiplo P/S, o P/B e o P/FCF, e entenderá por que algumas ações custam o que custam. Mais importante ainda, conseguirá identificar quando uma empresa pode estar sobrevalorizada—ou quando o mercado puniu injustamente um negócio sólido.

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