Panorama Global do Níquel: Onde Estão Localizados os Depósitos Mais Ricos do Mundo

O mercado global de níquel continua a ser fundamental para duas indústrias principais: a produção de aço e a fabricação de baterias para veículos elétricos. Compreender quais países controlam as maiores reservas de níquel do mundo tornou-se cada vez mais importante para investidores que acompanham a revolução dos veículos elétricos e o setor de commodities. Com mais de 130 milhões de toneladas métricas de reservas confirmadas globalmente, nove nações dominam o panorama de fornecimento — e suas posições revelam oportunidades de investimento convincentes.

Os Dois Pilares da Demanda por Níquel

Antes de mergulhar nos detalhes de quais países detêm essas reservas, é importante entender por que isso importa. A China consome aproximadamente 65 por cento do níquel global, principalmente para a produção de aço inoxidável, onde lidera como maior produtora e consumidora. Enquanto isso, o setor de baterias para veículos elétricos está expandindo rapidamente seu apetite por níquel, criando uma corrida entre nações para garantir reservas e construir infraestrutura de processamento.

Domínio e Desafios: Uma Visão Regional

A distribuição das reservas de níquel revela uma dinâmica interessante: alguns dos maiores produtores do mundo possuem depósitos igualmente massivos, garantindo segurança de fornecimento a longo prazo. Outros superam suas próprias expectativas na produção, apesar de terem bases de reservas menores. Além disso, eventos geopolíticos e interrupções no fornecimento têm remodelado recentemente as realidades do mercado.

Indonésia: Reservas Inigualáveis e Crescimento Explosivo

Com 55 milhões de toneladas métricas — mais do que qualquer outra nação — a Indonésia possui as maiores reservas de níquel do mundo. Essa vantagem de reserva coincide com a trajetória de produção notável do país, que cresceu de 345.000 MT em 2017 para 1,8 milhão de MT em 2023, ultrapassando a marca de 1 milhão de MT já em 2021.

A mina de níquel-hierro-cobalto de Hengjaya e a instalação de Weda Bay impulsionam essa expansão, com a Nickel Industries detendo uma participação de 80 por cento em Hengjaya e a operação de Weda Bay representando uma joint venture entre a mineradora europeia Eramet e a chinesa Tsingshan Holding Group. A Indonésia busca posicionar-se como um fornecedor crítico de materiais para baterias de veículos elétricos, embora preocupações ambientais tenham surgido em relação às comunidades locais.

Austrália: Segunda Divisão, mas Enfrentando Desafios

Com 24 milhões de toneladas métricas de reservas confirmadas de níquel, a Austrália ocupa o segundo lugar em reservas. No entanto, sua realidade de produção conta uma história diferente: com 160.000 MT anuais, o país ocupa apenas a sexta posição global. Várias minas australianas de níquel entraram em modo de cuidado e manutenção, enquanto o excesso de oferta da Indonésia pressiona os preços. A instalação Nickel West da BHP suspendeu operações até o final de 2024, enquanto a mina Ravensthorpe da First Quantum Minerals fechou devido às condições de excesso de oferta no mercado.

Brasil: Crescimento Constante a Partir de Minas Estabelecidas

As reservas de níquel do Brasil, de 16 milhões de toneladas métricas, sustentam uma base de produção em crescimento. A produção aumentou de 76.100 MT em 2021 para 89.000 MT em 2023, posicionando o Brasil como o oitavo maior produtor mundial de níquel. A Vale opera a mina Onca Puma, uma das maiores instalações do planeta, enquanto a Anglo American gerencia o complexo de ferroníquel de Barro Alto. A Centaurus Metals está avançando com o projeto de sulfeto Jaguar — contendo 1,2 milhão de MT de níquel contido em 138,2 milhões de MT de minério — com uma decisão final de investimento prevista para o segundo trimestre de 2025.

Rússia: Complicações Geopolíticas e Influência no Mercado

Apesar de deter 8,3 milhões de toneladas métricas de reservas, a Rússia enfrenta desafios de produção, produzindo 200.000 MT em 2023, contra 222.000 MT no ano anterior. A Norilsk Nickel domina o fornecimento russo e possui influência significativa nos mercados globais de níquel devido ao seu acesso autorizado aos mecanismos de negociação da London Metal Exchange. Analistas permanecem cautelosos quanto a possíveis interrupções no fornecimento decorrentes das tensões geopolíticas em andamento.

Nova Caledónia: Reservas, Produção e Risco Político

O território francês do Pacífico Sul abriga 7,1 milhões de toneladas métricas das maiores reservas de níquel do mundo por região e ocupa o terceiro lugar na produção global, com 230.000 MT anuais. Historicamente protetora de sua indústria de fundição, a Nova Caledónia aumentou recentemente as exportações diretas de minério para a China, que recebeu 39,2 por cento das exportações em 2022. No entanto, protestos pró-independência em maio de 2024 interromperam as operações de mineração e aprofundaram os desafios econômicos do território.

Filipinas: Trajetória de Crescimento em Ascensão

Com 4,8 milhões de toneladas métricas de reservas, as Filipinas dobraram a produção de níquel de 345.000 MT em 2021 para 400.000 MT em 2023. A Nickel Asia opera as minas Cagdianao e Hinatuan, além de possuir participações nas instalações de Rio Tuba e Taganito. A planta de processamento hidrometalúrgico de Coral Bay, apoiada pela participação de 10 por cento da Nickel Asia, processa minério de limonite para materiais de grau de bateria.

China: Detentora de Reservas, Mas Compradora Dominante

A China reivindica 4,2 milhões de toneladas métricas de depósitos domésticos de níquel, produzindo apenas 110.000 MT por ano. No entanto, a influência do país vai muito além desses números — como maior produtor e consumidor de aço, o poder de compra da China molda os preços globais de níquel e as cadeias de fornecimento.

Canadá e Estados Unidos: Fornecimento Norte-Americano

O Canadá possui 2,2 milhões de toneladas métricas e ocupa a quinta posição global em produção, com 180.000 MT em 2023, apoiado pelas operações da Vale em Sudbury e Voisey’s Bay, além da instalação Raglan da Glencore. Os Estados Unidos, por sua vez, detêm apenas 340.000 toneladas métricas e produzem apenas 17.000 MT anuais na mina Eagle da Lundin Mining, no Upper Peninsula de Michigan, sendo um player marginal nos mercados globais de níquel.

A Conclusão de Investimento

A geografia das maiores reservas de níquel do mundo revela tanto oportunidades quanto riscos. Nações com reservas combinadas e capacidade de produção crescente — especialmente Indonésia e Brasil — oferecem segurança de fornecimento a longo prazo para fabricantes de baterias e consumidores industriais. Enquanto isso, produtores estabelecidos que enfrentam pressão nas margens apresentam uma dinâmica de investimento diferente. Para aqueles que acompanham a transição para veículos elétricos e os mercados de commodities, monitorar a localização das reservas continua sendo essencial para antecipar as dinâmicas de oferta na próxima década.

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