Outubro de 2025 deveria ter sido “Uptober”, o mês tradicionalmente favorável às criptomoedas. Em vez disso, tornou-se sinónimo de pedido de uma das contrações mais severas da última década no setor cripto.
Entre 5 e 7 de outubro, o Bitcoin atingiu novos máximos históricos entre 124.000 e 126.000 dólares. Menos de uma semana depois, caiu abaixo de 105.000 dólares. O valor eliminado? Mais de 1 trilhão de dólares de capitalização de mercado global em poucas semanas.
O que aconteceu no fim de semana negro de outubro
De 10 a 12 de outubro foi o momento crítico. Em menos de 24 horas:
Bitcoin caiu cerca de 16-18%
Ethereum perdeu 11-12%
Altcoins menores sofreram quedas entre 40-70%, com alguns flash crashes quase a zero nas pares menos líquidas
Isto não foi uma simples correção de mercado. Foi um evento de deleveraging massivo: 17-19 mil milhões de dólares em posições alavancadas liquidada, 1,6 milhões de traders afetados simultaneamente em todo o mundo.
As verdadeiras razões por trás do colapso
O anúncio surpresa de tarifas até 100% sobre as importações chinesas por parte da administração Trump foi a faísca, não o incêndio.
A pólvora já estava construída:
O problema da alavancagem excessiva: Durante meses, o mercado cripto foi dominado por traders que usavam alavancagens muito agressivas. Muitos estavam convencidos de um percurso linear até Bitcoin a 150.000 dólares. Quando a realidade contrariou essa narrativa, as liquidações automáticas amplificaram o movimento muito além do que a simples notícia macro teria provocado.
O desequilíbrio macro: O Fed tinha prometido cortes nas taxas, mas mantinha uma mensagem cautelosa: “Não esperem dinheiro fácil sem condições”. O mercado já tinha precificado essa contradição com tensão estrutural.
O fator psicológico: Após meses de discussões otimistas, o desalinhamento entre a “narrativa” (Bitcoin acima de 150.000$) e os “preços reais” transformou a dúvida em pânico, sobretudo entre quem entrou tardiamente na euforia.
Onde estamos agora e o que esperar
Atualmente (janeiro de 2026), o Bitcoin oscila em torno de 91.870 dólares, cerca de 27% abaixo do pico de outubro. O sentimento permanece cauteloso, apesar dos cortes do Fed.
Três cenários possíveis para o resto do ano:
Cenário 1 – Absorção gradual: O mercado absorve o choque, os holders de longo prazo acumulam, estratégias de reequilíbrio aumentam a exposição ao Bitcoin e grandes cap.
Cenário 2 – Lateralização nervosa: O mercado para de cair mas tem dificuldade em reagir. Volatilidade intradiária sem direção clara. Fase difícil para traders de curto prazo.
Cenário 3 – Nova perna de baixa: O Bitcoin pode testar a área de 70.000-80.000 dólares com mais decisão. As altcoins sofreriam ainda mais, com poucos catalisadores positivos no curto prazo.
Os dados históricos sobre a sazonalidade de final de ano
Analisando o Bitcoin de 2017 a 2024, o final do ano tende a ser mediamente de alta, mesmo com volatilidade significativa. Contudo, os resultados de cada ano são contrastantes: alguns trimestres finais tiveram rallies fortes, outros quedas importantes. Não há garantias.
Como reagem os investidores institucionais
Ao contrário de 2021-2022, o capital institucional no cripto não é puramente especulativo. Muitos fundos consideram-no parte de estratégias macro mais amplas de diversificação.
Apesar do drawdown de outubro, os indicadores sugerem reequilíbrios e coberturas mais do que uma saída definitiva do ativo.
O colapso, porém, acendeu os holofotes dos reguladores: propostas em discussão incluem maior transparência sobre a alavancagem, requisitos de gestão de risco mais rigorosos para as exchanges e padrões de reporte uniformes.
Lições finais: volatilidade não é desvio, é estrutura
O colapso de outubro de 2025 demonstrou a fragilidade de um mercado ainda dominado por alavancagem agressiva. Mas também mostrou que o sistema permanece líquido mesmo sob pressão extrema, e que os players institucionais transformam a abordagem “tudo ou nada” num processo de reequilíbrio mais maduro.
Para quem investe em cripto, a mensagem é clara: a volatilidade não é uma desvio do ciclo cripto, é o próprio ciclo cripto. Quem decide ficar deve fazê-lo com gestão rigorosa do risco, horizonte temporal claro, e a consciência de que momentos como outubro de 2025 farão parte da história deste ativo por muito tempo.
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
A queda do Bitcoin em outubro de 2025: não é apenas um "desconto", é uma reestruturação do mercado
Outubro de 2025 deveria ter sido “Uptober”, o mês tradicionalmente favorável às criptomoedas. Em vez disso, tornou-se sinónimo de pedido de uma das contrações mais severas da última década no setor cripto.
Entre 5 e 7 de outubro, o Bitcoin atingiu novos máximos históricos entre 124.000 e 126.000 dólares. Menos de uma semana depois, caiu abaixo de 105.000 dólares. O valor eliminado? Mais de 1 trilhão de dólares de capitalização de mercado global em poucas semanas.
O que aconteceu no fim de semana negro de outubro
De 10 a 12 de outubro foi o momento crítico. Em menos de 24 horas:
Isto não foi uma simples correção de mercado. Foi um evento de deleveraging massivo: 17-19 mil milhões de dólares em posições alavancadas liquidada, 1,6 milhões de traders afetados simultaneamente em todo o mundo.
As verdadeiras razões por trás do colapso
O anúncio surpresa de tarifas até 100% sobre as importações chinesas por parte da administração Trump foi a faísca, não o incêndio.
A pólvora já estava construída:
O problema da alavancagem excessiva: Durante meses, o mercado cripto foi dominado por traders que usavam alavancagens muito agressivas. Muitos estavam convencidos de um percurso linear até Bitcoin a 150.000 dólares. Quando a realidade contrariou essa narrativa, as liquidações automáticas amplificaram o movimento muito além do que a simples notícia macro teria provocado.
O desequilíbrio macro: O Fed tinha prometido cortes nas taxas, mas mantinha uma mensagem cautelosa: “Não esperem dinheiro fácil sem condições”. O mercado já tinha precificado essa contradição com tensão estrutural.
O fator psicológico: Após meses de discussões otimistas, o desalinhamento entre a “narrativa” (Bitcoin acima de 150.000$) e os “preços reais” transformou a dúvida em pânico, sobretudo entre quem entrou tardiamente na euforia.
Onde estamos agora e o que esperar
Atualmente (janeiro de 2026), o Bitcoin oscila em torno de 91.870 dólares, cerca de 27% abaixo do pico de outubro. O sentimento permanece cauteloso, apesar dos cortes do Fed.
Três cenários possíveis para o resto do ano:
Cenário 1 – Absorção gradual: O mercado absorve o choque, os holders de longo prazo acumulam, estratégias de reequilíbrio aumentam a exposição ao Bitcoin e grandes cap.
Cenário 2 – Lateralização nervosa: O mercado para de cair mas tem dificuldade em reagir. Volatilidade intradiária sem direção clara. Fase difícil para traders de curto prazo.
Cenário 3 – Nova perna de baixa: O Bitcoin pode testar a área de 70.000-80.000 dólares com mais decisão. As altcoins sofreriam ainda mais, com poucos catalisadores positivos no curto prazo.
Os dados históricos sobre a sazonalidade de final de ano
Analisando o Bitcoin de 2017 a 2024, o final do ano tende a ser mediamente de alta, mesmo com volatilidade significativa. Contudo, os resultados de cada ano são contrastantes: alguns trimestres finais tiveram rallies fortes, outros quedas importantes. Não há garantias.
Como reagem os investidores institucionais
Ao contrário de 2021-2022, o capital institucional no cripto não é puramente especulativo. Muitos fundos consideram-no parte de estratégias macro mais amplas de diversificação.
Apesar do drawdown de outubro, os indicadores sugerem reequilíbrios e coberturas mais do que uma saída definitiva do ativo.
O colapso, porém, acendeu os holofotes dos reguladores: propostas em discussão incluem maior transparência sobre a alavancagem, requisitos de gestão de risco mais rigorosos para as exchanges e padrões de reporte uniformes.
Lições finais: volatilidade não é desvio, é estrutura
O colapso de outubro de 2025 demonstrou a fragilidade de um mercado ainda dominado por alavancagem agressiva. Mas também mostrou que o sistema permanece líquido mesmo sob pressão extrema, e que os players institucionais transformam a abordagem “tudo ou nada” num processo de reequilíbrio mais maduro.
Para quem investe em cripto, a mensagem é clara: a volatilidade não é uma desvio do ciclo cripto, é o próprio ciclo cripto. Quem decide ficar deve fazê-lo com gestão rigorosa do risco, horizonte temporal claro, e a consciência de que momentos como outubro de 2025 farão parte da história deste ativo por muito tempo.