Como utilizar o PER para selecionar empresas: A métrica-chave que todo investidor deve dominar

El Price/Earnings Ratio (que é o PER de uma ação em termos técnicos) representa um dos indicadores mais fundamentais da análise bolsista. No entanto, muitos investidores utilizam-no sem compreender realmente o seu verdadeiro significado e as suas limitações. Este artigo irá guiá-lo por tudo o que precisa saber sobre esta métrica crucial.

O que é exatamente o PER?

Quando falamos de que é o per de uma ação, referimo-nos a um quociente que mede quantas vezes o benefício líquido anual de uma empresa se reflete no seu preço de mercado. As siglas PER provêm do inglês Price/Earnings Ratio, traduzido como Razão Preço/Lucro.

Em termos práticos, se uma empresa tem um PER de 15, significa que os seus lucros atuais precisariam de 15 anos para igualar o valor total da empresa na bolsa. Esta relação é o espelho do apetite de investimento: reflete quanto estão dispostos a pagar os investidores por cada euro de benefício gerado.

O PER é considerado tão relevante que faz parte das seis métricas essenciais em qualquer análise de saúde empresarial, juntamente com o BPA (Benefício Por Ação), o P/VC, o EBITDA, o ROE e o ROA.

As duas formas de calcular o PER

Existem duas abordagens equivalentes para obter esta métrica:

Método 1 - Usando cifras globais: Dividir a capitalização bolsista total da empresa pelo seu benefício líquido anual.

Método 2 - Usando valores por ação: Dividir o preço unitário da ação pelo benefício por ação (BPA).

Ambos os métodos fornecem o mesmo resultado. A vantagem reside no facto de os dados estarem amplamente disponíveis em qualquer plataforma financeira, permitindo que qualquer investidor verifique os cálculos de forma independente.

Exemplo prático 1

Uma empresa com capitalização de 2.600 milhões de dólares e benefícios de 658 milhões teria um PER de 3,95. Este valor excepcionalmente baixo sugeriria uma infravalorização significativa.

Exemplo prático 2

Um título cotado a 2,78 dólares com BPA de 0,09 dólares geraria um PER de 30,9, indicando potencial sobrevalorização ou expectativas de crescimento muito elevadas.

O comportamento do PER em diferentes contextos

Nem todas as empresas respondem da mesma forma às mudanças nesta métrica. Meta Platforms (antes Facebook) demonstrou durante anos como um PER decrescente correlacionava-se com subidas de preço sustentadas, refletindo incrementos constantes na rentabilidade. No entanto, no final de 2022, a relação quebrou-se: apesar de PER cada vez mais baixos, a cotação despencou devido a fatores macroeconómicos como os aumentos de tipos de juro.

Boeing apresenta outro padrão: o seu PER mantém-se estável dentro de faixas específicas, enquanto que o preço oscila em consonância com a solidez dos seus resultados.

Interpretação prática do PER

A leitura desta relação varia significativamente consoante o contexto:

  • PER entre 0 e 10: Atractivo à primeira vista, mas costuma indicar que os investidores temem quedas futuras de benefícios
  • PER entre 10 e 17: A zona de conforto para analistas, associada a crescimento equilibrado sem expectativas de deterioração
  • PER entre 17 e 25: Indica empresas em expansão acelerada ou possíveis bolhas em formação
  • PER superior a 25: Terreno ambíguo que reflete otimismo extremo sobre projeções futuras ou desconexão clara do valor fundamental

Crucialmente, esta interpretação nunca deve ser aplicada de forma isolada. Um PER baixo de forma consistente numa empresa pode significar que está em falência iminente, não que seja uma oportunidade de ouro.

Variantes avançadas do PER

O PER de Shiller

Uma melhoria conceptual que utiliza os benefícios médios dos últimos 10 anos ajustados pela inflação, em vez de apenas os do último exercício. A teoria sustenta que esta abordagem, ao suavizar a volatilidade, permite projetar com maior precisão os próximos 20 anos. Os seus detratores argumentam que é igualmente imperfeito.

O PER normalizado

Ajusta a capitalização subtraindo ativos líquidos e somando dívida, enquanto utiliza o fluxo de caixa livre em vez de benefício líquido. Este refinamento foi especialmente relevante no caso da aquisição do Banco Popular pelo Santander: tecnicamente a 1 euro, mas na realidade com assunção de dívida multimilionária que modificava completamente a avaliação real.

Comparabilidade setorial: a regra de ouro

Uma das maiores armadilhas na análise do PER é comparar empresas de setores diferentes. Os bancos e indústrias manufatureiras operam tipicamente com PER baixos (2-10), enquanto que tecnológicas e biotecnológicas cotizam com rácios elevados (50-200+).

ArcelorMittal, no aço, mantém um PER de 2,58 que seria considerado deprimido se o comparássemos com Zoom Video Communications, cujo PER atinge 202,49. Ambas as cifras são “normais” dentro dos seus respetivos contextos setoriais e de modelos de negócio.

A importância de o combinar com outros indicadores

O PER nunca funciona isoladamente. Para uma análise sólida, deve complementar-se com:

  • BPA: Crescimento anual de lucros
  • Preço/Valor Contabilístico: Relação com ativos líquidos
  • ROE e ROA: Eficiência na geração de rentabilidade
  • RoTE: Retorno sobre capital tangível
  • Análise de composição do benefício: Verificar se provém do negócio principal ou de venda de ativos pontuais

O PER em estratégias Value Investing

Os gestores Value, centrados em “comprar boas empresas a bom preço”, utilizam o PER como ferramenta principal. Fundos como Horos Value Internacional (PER 7,249 frente a 14,559 da sua categoria) e Cobas Internacional (PER 5,466) exemplificam como os gestores de valor procuram sistematicamente empresas descontadas relativamente aos seus pares.

Vantagens incontestáveis do PER

✓ Acessibilidade: cálculo simples disponível em qualquer plataforma
✓ Clareza comparativa: identifica rapidamente sobre/infravalorização relativa dentro de setores
✓ Universalidade: funciona com empresas que não pagam dividendos
✓ Adoção: continua a ser uma das três métricas mais consultadas por profissionais

Limitações que não devem ser ignoradas

✗ Miopia temporal: só considera benefícios de um ano para projetar o futuro
✗ Incompletude: não é aplicável a empresas em perdas
✗ Estaticidade: reflete o passado próximo, não a realidade dinâmica da gestão futura
✗ Complexidade cíclica: empresas cíclicas apresentam PER muito baixos nos picos de ciclo e muito altos em depressões, gerando sinais falsos

O veredicto final sobre o PER

O PER é uma ferramenta extraordinariamente útil para comparações rápidas entre empresas do mesmo setor e geografia. No entanto, confiar unicamente nele é receita para o fracasso. A realidade é que abundam empresas com PER baixos precisamente porque os investidores desconfiam delas justificadamente.

Uma estratégia vencedora requer: examinar o PER como ponto de partida, combinar com outros rácios fundamentais, dedicar tempo a compreender a composição real dos benefícios e, acima de tudo, manter uma visão crítica sobre o que se esconde por trás de cada número. A análise fundamental exaustiva, embora exija dez minutos por empresa, é a diferença entre rentabilidade sustentável e perdas evitáveis.

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