Nos últimos anos, a subida dos preços tornou-se uma rotina. O Banco Central de Taiwan aumentou as taxas de juros cinco vezes consecutivas, e os principais bancos centrais das maiores economias globais também estão numa corrida incessante de aumento de juros. Mas você sabia? Nesta fase do ciclo de inflação, nem todos estão a perder dinheiro — alguns, na verdade, estão a ficar ricos silenciosamente.
O que é inflação? Por que ela merece atenção?
Inflação, de forma simples, é o dinheiro que perde valor. Quando há excesso de moeda em circulação numa economia e a oferta de bens é relativamente limitada, os preços dos bens continuam a subir, e o poder de compra do seu dinheiro diminui constantemente. O indicador mais comum para medir esse fenômeno é o Índice de Preços ao Consumidor (CPI).
As causas da inflação são variadas. O aumento da procura impulsiona a subida dos preços, assim como o aumento dos custos das matérias-primas (por exemplo, em 2022, o conflito Rússia-Ucrânia fez os preços de energia na Europa dispararem 10 vezes, levando o CPI da zona euro a atingir um recorde de mais de 10%) também eleva os preços. A emissão excessiva de dinheiro pelo governo pode gerar hiperinflação — na história de Taiwan, isso aconteceu na década de 1950, quando 800 milhões de francos franceses valiam apenas 1 dólar americano. Além disso, quando as pessoas esperam que os preços subam no futuro, tendem a consumir antecipadamente, elevando ainda mais os preços, criando um ciclo de expectativas auto-realizáveis.
A elevação das taxas de juros é a ferramenta mais comum do banco central para combater a inflação. Quando o banco central aumenta as taxas, o custo de empréstimo sobe, a disposição de empresas e indivíduos de tomar crédito diminui, a liquidez do mercado se restringe, a demanda diminui e os preços naturalmente caem. Por exemplo, em 2022, a inflação nos EUA atingiu 9,1% em junho, o maior em 40 anos, e o Federal Reserve iniciou uma política agressiva de aumento de juros, elevando a taxa em 7 ocasiões ao longo do ano, totalizando 425 pontos-base, levando a taxa de 0,25% para 4,5%. Contudo, o aumento de juros tem seu preço: eleva o desemprego, desacelera o crescimento econômico e, às vezes, até provoca recessão.
Os beneficiários ocultos da inflação: quem está a lucrar?
A maioria das pessoas fica em pânico ao falar de inflação, mas, na verdade, uma inflação moderada (entre 2% e 5%) é benéfica para a economia. Ela estimula as expectativas de consumo, impulsiona o investimento das empresas e promove o crescimento do PIB. Os dados da China no início dos anos 2000 são uma prova disso — o CPI subiu de 0 para 5%, e o crescimento do PIB saltou de 8% para mais de 10%.
Mais importante ainda, há grupos claramente beneficiados pela inflação:
1. Pessoas com dívidas
Este é o maior vencedor da inflação. Se você tomou um empréstimo de 100 mil yuan há 20 anos para comprar uma casa, com uma taxa de juros fixa de 2%, sob uma inflação de 3%, após 20 anos, esses 100 mil valem na prática o equivalente a 55 mil de poder de compra. Em outras palavras, a dívida que você precisa pagar encolheu na prática pela metade. Quanto maior a inflação, menor o peso da dívida para quem tomou emprestado.
2. Detentores de ativos
Imóveis, ações, ouro e outros ativos tendem a valorizar-se com a inflação. Em épocas de liquidez abundante, o capital especulativo entra nesses ativos, elevando suas avaliações. A longo prazo, o retorno das ações costuma superar a inflação. O ouro tem uma relação inversa com a taxa de juros real (taxa de juros nominal menos a inflação); quanto maior a inflação, melhor o desempenho do ouro.
3. Acionistas de empresas de energia
A alta da inflação costuma vir acompanhada de aumento nos preços de energia. Em 2022, o retorno do setor de energia na bolsa dos EUA ultrapassou 60%, com a Occidental Petroleum e a ExxonMobil subindo 111% e 74%, respectivamente. Essas empresas tiveram lucros significativamente aumentados, beneficiando seus acionistas.
4. Detentores de dólares
Durante períodos de alta inflação, o Federal Reserve costuma adotar aumentos agressivos de juros, o que valoriza o dólar em relação às outras moedas. A valorização do dólar torna os ativos denominados em dólar mais valiosos.
Os efeitos duais da inflação no mercado de ações
Conclusão rápida: inflação baixa favorece o mercado de ações, alta da inflação prejudica.
Em ambientes de inflação moderada, o fluxo de capital para ações aumenta, impulsionando os preços. Mas, quando a inflação dispara, as políticas de aperto do banco central elevam os custos de financiamento das empresas, pressionando as avaliações das ações.
O exemplo de 2022 nos EUA é uma lição viva. Os aumentos agressivos de juros do Fed levaram à queda das avaliações — o S&P 500 caiu 19% no ano, e a Nasdaq, com forte peso em tecnologia, caiu 33%.
Porém, isso não significa que, em períodos de alta inflação, seja impossível investir em ações. Setores defensivos como energia, utilidades e bens de consumo essenciais tendem a mostrar resiliência. Como a Occidental Petroleum e a ExxonMobil, que subiram contra a tendência em 2022, justamente porque seus produtos — petróleo — se tornaram commodities escassas em tempos de alta inflação.
Como montar uma carteira de investimentos contra a inflação?
Sabendo quem são os beneficiários da inflação, o investidor precisa agir de forma proativa. O segredo é uma alocação diversificada de ativos:
Ativos que se saem melhor em cenários de inflação:
Imóveis: a liquidez impulsionada pela inflação costuma entrar no mercado imobiliário, elevando os preços
Ouro e prata: com relação negativa à taxa de juros real, quanto maior a inflação, mais valorizado fica o ouro
Ações: com alta volatilidade no curto prazo, mas com retorno que geralmente supera a inflação no longo prazo
Dólar: durante ciclos de aumento de juros, o dólar se valoriza, protegendo contra a inflação
Ações de energia: beneficiadas diretamente pelo aumento dos preços de energia
Exemplo de alocação prática:
Divida seu capital em três partes — 33% em ações (que impulsionam o crescimento do PIB), 33% em ouro (como proteção de valor) e 33% em dólares (para hedge contra a valorização). Assim, você consegue aproveitar o crescimento econômico e ao mesmo tempo mitigar riscos de ativos específicos.
Para quem deseja uma alocação multiativos de forma prática, os contratos por diferença (CFDs) são uma opção — oferecem uma vasta gama de produtos, incluindo ações, metais preciosos, moedas, com custos de transação relativamente baixos e alavancagem elevada.
Para finalizar
A inflação não é o fim do mundo, é apenas uma fase do ciclo econômico. O importante é reconhecer quem são os beneficiários: quem tem dívidas, possui ativos, atua no setor de energia ou detém ativos em dólares. Como investidor, ao invés de aceitar passivamente a erosão do seu patrimônio pela inflação, é melhor aproveitar as oportunidades de alocação de ativos e fazer seu dinheiro crescer durante o ciclo inflacionário. Lembre-se: a meta de inflação do banco central costuma ficar entre 2% e 5%, o que indica que uma inflação moderada é sinal de uma economia em funcionamento saudável. Aprender a identificar essas oportunidades é o que diferencia um investidor de sucesso.
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
Na era da inflação, quem está a sorrir? Aproveite as oportunidades dos beneficiários no ciclo económico
Nos últimos anos, a subida dos preços tornou-se uma rotina. O Banco Central de Taiwan aumentou as taxas de juros cinco vezes consecutivas, e os principais bancos centrais das maiores economias globais também estão numa corrida incessante de aumento de juros. Mas você sabia? Nesta fase do ciclo de inflação, nem todos estão a perder dinheiro — alguns, na verdade, estão a ficar ricos silenciosamente.
O que é inflação? Por que ela merece atenção?
Inflação, de forma simples, é o dinheiro que perde valor. Quando há excesso de moeda em circulação numa economia e a oferta de bens é relativamente limitada, os preços dos bens continuam a subir, e o poder de compra do seu dinheiro diminui constantemente. O indicador mais comum para medir esse fenômeno é o Índice de Preços ao Consumidor (CPI).
As causas da inflação são variadas. O aumento da procura impulsiona a subida dos preços, assim como o aumento dos custos das matérias-primas (por exemplo, em 2022, o conflito Rússia-Ucrânia fez os preços de energia na Europa dispararem 10 vezes, levando o CPI da zona euro a atingir um recorde de mais de 10%) também eleva os preços. A emissão excessiva de dinheiro pelo governo pode gerar hiperinflação — na história de Taiwan, isso aconteceu na década de 1950, quando 800 milhões de francos franceses valiam apenas 1 dólar americano. Além disso, quando as pessoas esperam que os preços subam no futuro, tendem a consumir antecipadamente, elevando ainda mais os preços, criando um ciclo de expectativas auto-realizáveis.
A elevação das taxas de juros é a ferramenta mais comum do banco central para combater a inflação. Quando o banco central aumenta as taxas, o custo de empréstimo sobe, a disposição de empresas e indivíduos de tomar crédito diminui, a liquidez do mercado se restringe, a demanda diminui e os preços naturalmente caem. Por exemplo, em 2022, a inflação nos EUA atingiu 9,1% em junho, o maior em 40 anos, e o Federal Reserve iniciou uma política agressiva de aumento de juros, elevando a taxa em 7 ocasiões ao longo do ano, totalizando 425 pontos-base, levando a taxa de 0,25% para 4,5%. Contudo, o aumento de juros tem seu preço: eleva o desemprego, desacelera o crescimento econômico e, às vezes, até provoca recessão.
Os beneficiários ocultos da inflação: quem está a lucrar?
A maioria das pessoas fica em pânico ao falar de inflação, mas, na verdade, uma inflação moderada (entre 2% e 5%) é benéfica para a economia. Ela estimula as expectativas de consumo, impulsiona o investimento das empresas e promove o crescimento do PIB. Os dados da China no início dos anos 2000 são uma prova disso — o CPI subiu de 0 para 5%, e o crescimento do PIB saltou de 8% para mais de 10%.
Mais importante ainda, há grupos claramente beneficiados pela inflação:
1. Pessoas com dívidas
Este é o maior vencedor da inflação. Se você tomou um empréstimo de 100 mil yuan há 20 anos para comprar uma casa, com uma taxa de juros fixa de 2%, sob uma inflação de 3%, após 20 anos, esses 100 mil valem na prática o equivalente a 55 mil de poder de compra. Em outras palavras, a dívida que você precisa pagar encolheu na prática pela metade. Quanto maior a inflação, menor o peso da dívida para quem tomou emprestado.
2. Detentores de ativos
Imóveis, ações, ouro e outros ativos tendem a valorizar-se com a inflação. Em épocas de liquidez abundante, o capital especulativo entra nesses ativos, elevando suas avaliações. A longo prazo, o retorno das ações costuma superar a inflação. O ouro tem uma relação inversa com a taxa de juros real (taxa de juros nominal menos a inflação); quanto maior a inflação, melhor o desempenho do ouro.
3. Acionistas de empresas de energia
A alta da inflação costuma vir acompanhada de aumento nos preços de energia. Em 2022, o retorno do setor de energia na bolsa dos EUA ultrapassou 60%, com a Occidental Petroleum e a ExxonMobil subindo 111% e 74%, respectivamente. Essas empresas tiveram lucros significativamente aumentados, beneficiando seus acionistas.
4. Detentores de dólares
Durante períodos de alta inflação, o Federal Reserve costuma adotar aumentos agressivos de juros, o que valoriza o dólar em relação às outras moedas. A valorização do dólar torna os ativos denominados em dólar mais valiosos.
Os efeitos duais da inflação no mercado de ações
Conclusão rápida: inflação baixa favorece o mercado de ações, alta da inflação prejudica.
Em ambientes de inflação moderada, o fluxo de capital para ações aumenta, impulsionando os preços. Mas, quando a inflação dispara, as políticas de aperto do banco central elevam os custos de financiamento das empresas, pressionando as avaliações das ações.
O exemplo de 2022 nos EUA é uma lição viva. Os aumentos agressivos de juros do Fed levaram à queda das avaliações — o S&P 500 caiu 19% no ano, e a Nasdaq, com forte peso em tecnologia, caiu 33%.
Porém, isso não significa que, em períodos de alta inflação, seja impossível investir em ações. Setores defensivos como energia, utilidades e bens de consumo essenciais tendem a mostrar resiliência. Como a Occidental Petroleum e a ExxonMobil, que subiram contra a tendência em 2022, justamente porque seus produtos — petróleo — se tornaram commodities escassas em tempos de alta inflação.
Como montar uma carteira de investimentos contra a inflação?
Sabendo quem são os beneficiários da inflação, o investidor precisa agir de forma proativa. O segredo é uma alocação diversificada de ativos:
Ativos que se saem melhor em cenários de inflação:
Exemplo de alocação prática:
Divida seu capital em três partes — 33% em ações (que impulsionam o crescimento do PIB), 33% em ouro (como proteção de valor) e 33% em dólares (para hedge contra a valorização). Assim, você consegue aproveitar o crescimento econômico e ao mesmo tempo mitigar riscos de ativos específicos.
Para quem deseja uma alocação multiativos de forma prática, os contratos por diferença (CFDs) são uma opção — oferecem uma vasta gama de produtos, incluindo ações, metais preciosos, moedas, com custos de transação relativamente baixos e alavancagem elevada.
Para finalizar
A inflação não é o fim do mundo, é apenas uma fase do ciclo econômico. O importante é reconhecer quem são os beneficiários: quem tem dívidas, possui ativos, atua no setor de energia ou detém ativos em dólares. Como investidor, ao invés de aceitar passivamente a erosão do seu patrimônio pela inflação, é melhor aproveitar as oportunidades de alocação de ativos e fazer seu dinheiro crescer durante o ciclo inflacionário. Lembre-se: a meta de inflação do banco central costuma ficar entre 2% e 5%, o que indica que uma inflação moderada é sinal de uma economia em funcionamento saudável. Aprender a identificar essas oportunidades é o que diferencia um investidor de sucesso.