Qual é a situação mais temida ao investir em ações? Não é a volatilidade de preços, mas a deslistagem de ações. A deslistagem significa que as ações que possui podem, a partir de então, não poder ser negociadas, podendo até resultar na perda total do investimento, causando um impacto muito mais severo do que a queda do mercado. Especialmente para investidores que investem em ações americanas, diante da complexidade da regulamentação transfronteiriça, é importante antecipar todas as possibilidades de deslistagem.
O que exatamente é a deslistagem de ações? E como ela difere do suspensão de negociação?
Muitas pessoas confundem “suspensão de negociação” com “deslistagem”, mas na verdade são conceitos completamente diferentes.
Suspensão de negociação geralmente é uma pausa temporária nas negociações, por motivos como divulgação de anúncios importantes pela empresa, alterações na estrutura acionária ou espera por aprovação regulatória. Durante a suspensão, a propriedade das ações permanece válida, e assim que a negociação é retomada, as ações podem continuar a ser compradas e vendidas. Mas a deslistagem é uma saída definitiva do mercado — a empresa deixa de atender aos critérios de listagem ou solicita a retirada voluntariamente, e uma vez deslistada, os investidores não podem mais negociar na bolsa, e as ações perdem liquidez.
É importante notar que, após a deslistagem, os investidores continuam a possuir as ações, mas o valor dessas ações pode variar dependendo do tratamento subsequente dado pela empresa. Nos mercados de ações dos EUA, Nasdaq e NYSE possuem critérios claros de deslistagem; empresas que não atendem às condições são removidas do índice.
Por que as ações podem ser deslistadas? Quais são as três razões mais comuns?
1. Deterioração financeira contínua da empresa
Perdas consecutivas, patrimônio negativo, relatórios financeiros contestados por auditores ou com opiniões não favoráveis são motivos principais para a bolsa iniciar processos de deslistagem. Um exemplo clássico é a Chesapeake Energy Corporation, produtora de gás natural, que entrou com pedido de proteção por falência em junho de 2020 e concluiu sua reestruturação em fevereiro de 2021, sendo um caso típico de deslistagem por dificuldades financeiras.
2. Violações na divulgação de informações ou fraudes
Não divulgar relatórios financeiros conforme exigido, reportar receitas falsas ou ocultar informações relevantes podem levar a sanções de deslistagem por parte das autoridades reguladoras. Um exemplo é a Luckin Coffee, cadeia de cafeterias online da China, que foi retirada da Nasdaq em abril de 2020 por fraudes financeiras, servindo de alerta no mercado de ações dos EUA.
3. Privatização voluntária ou aquisição pela controladora
Quando a empresa decide se tornar privada ou é totalmente adquirida pela controladora, ela pode solicitar a deslistagem. Um exemplo é a Dell Technologies, que saiu da Nasdaq em 2013 para se tornar uma empresa privada, por razões estratégicas de desenvolvimento.
Quanto tempo leva o processo de deslistagem? Quais sinais de alerta os investidores devem observar?
A deslistagem não acontece de repente; geralmente, o processo leva de 3 a 6 meses, dando tempo suficiente aos investidores para se prepararem:
Primeira fase — fase de aviso: A bolsa emite um aviso, e o nome da ação é marcado com um símbolo como “*” ou “ST”. Este é o primeiro sinal de alerta, e os investidores devem acompanhar de perto os anúncios da empresa e seu desenvolvimento subsequente.
Segunda fase — período de correção: A empresa entra em um período de 3 a 6 meses para melhorar sua situação, podendo precisar apresentar relatórios financeiros complementares, buscar apoio de investidores ou melhorar sua saúde financeira. Os investidores devem avaliar os riscos com base no progresso da recuperação da empresa.
Terceira fase — fase de deliberação: Se as metas de melhoria não forem atingidas, a bolsa realiza uma reunião de deliberação para votar e decidir se a deslistagem final ocorrerá.
Quarta fase — deslistagem oficial: A bolsa anuncia a data de deslistagem, e após o último dia de negociação, as ações são oficialmente removidas do mercado.
As ações realmente perdem todo valor após a deslistagem?
Não há uma resposta absoluta; depende da causa da deslistagem e do tratamento subsequente dado pela empresa:
Deslistagem por privatização: Se a participação em circulação for de apenas 10%-20%, os principais acionistas geralmente compram essas ações a um preço elevado dentro de um período específico. Os detentores precisam acompanhar os anúncios da empresa para aproveitar oportunidades de recompra.
Falência e liquidação: Este é o pior cenário. Segundo a lei de falências, os credores têm prioridade na recuperação, enquanto os acionistas comuns ficam por último. Os investidores podem não receber nenhuma compensação, e o valor das ações tende a zero.
Baixa capitalização ou preço muito baixo: Mesmo que a ação não esteja mais listada na bolsa, os investidores ainda podem procurar compradores por meio de negociações fora de mercado, mas a liquidez será drasticamente reduzida, dificultando encontrar alguém disposto a comprar.
Deslistagem por violação de regras: As ações podem ser “congeladas”, impedindo sua negociação, e os investidores terão que aguardar a conclusão de processos legais antes de poderem usar seus fundos, resultando em perda de valor de uso do capital investido.
Mudança para mercado de balcão ou preparação para nova listagem: Essa é uma situação relativamente favorável. As ações podem continuar negociando no mercado de balcão (com liquidez limitada), e se a empresa melhorar sua situação financeira e atender aos critérios de listagem, há possibilidade de re-listagem futura. Nesse caso, o investidor pode manter a posição a longo prazo aguardando a recuperação.
Como os investidores podem se proteger contra riscos de deslistagem?
Estabeleça uma alocação de ativos científica
Diversificar os investimentos é a estratégia principal para reduzir o risco de deslistagem. Pode-se ajustar a alocação de acordo com o perfil de risco:
Antes de comprar qualquer ação, analise os seguintes fatores:
Perspectivas do negócio principal e posição no mercado
Relatórios financeiros e tendências de lucro dos últimos três anos
Se atende aos critérios de manutenção de listagem da bolsa
Se há violações ou riscos regulatórios relevantes
Comparação com empresas similares do setor
Especialmente ao investir em ações americanas, é importante acompanhar as ações da SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) e os critérios específicos de deslistagem do mercado de ações dos EUA.
E se as ações que possuo já estiverem em processo de deslistagem, como agir?
Se, por azar, suas ações estiverem entrando em processo de deslistagem, aqui estão algumas estratégias comuns:
1. Acompanhe de perto os anúncios oficiais
Antes da deslistagem definitiva, a empresa divulgará planos de tratamento, incluindo se oferecerá recompra, se transferirá para o mercado de balcão ou entrará em liquidação. Os investidores devem consultar ativamente o plataforma de informações públicas ou confirmar com a corretora para não perder prazos importantes.
2. Avalie a proposta de recompra
Se a empresa oferecer recompra, o investidor deve decidir dentro do prazo se participa. Aceitar a recompra requer a realização de procedimentos específicos; após o prazo, perde-se o direito. Recusar a recompra permite manter a posição, mas a liquidez futura será bastante reduzida.
3. Transferir para o mercado de balcão
Algumas empresas podem migrar para o mercado de balcão. Embora o volume de negociações seja menor, ainda é possível comprar e vender por meio de corretoras. Se a empresa melhorar sua situação financeira posteriormente, há chance de re-listar, e o investidor pode optar por manter a posição a longo prazo.
4. Negociação fora de mercado ou transferência privada
Após a deslistagem, o investidor pode negociar diretamente com outros acionistas ou transferir suas ações por acordo privado, desde que complete os procedimentos de transferência formal. Geralmente, isso envolve contato direto com o agente de registros da empresa ou auxílio da corretora.
5. Declaração de impostos e compensação de perdas
Se as ações se tornarem irrecuperáveis devido à deslistagem, o investidor pode declarar a perda de investimento junto às autoridades fiscais para compensar ganhos de capital. Recomenda-se consultar um contador ou serviço de orientação fiscal para garantir a conformidade com as regras.
Dicas finais
A deslistagem de ações não significa que o investimento esteja completamente perdido; o segredo está em acompanhar as informações em tempo hábil e agir de forma adequada. Se a avaliação indicar grande potencial de prejuízo após a deslistagem, pode ser melhor realizar perdas rapidamente; se houver chance de re-listagem, manter a posição e aguardar a recuperação da empresa pode ser uma estratégia válida. De qualquer forma, revisar periodicamente a carteira, identificar sinais de risco antecipadamente e agir com cautela são as melhores formas de proteger seu capital.
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As ações nos EUA vão deixar de ser negociadas, perderá o capital investido? Entender o processo de deslistagem é essencial para se salvar a tempo
Qual é a situação mais temida ao investir em ações? Não é a volatilidade de preços, mas a deslistagem de ações. A deslistagem significa que as ações que possui podem, a partir de então, não poder ser negociadas, podendo até resultar na perda total do investimento, causando um impacto muito mais severo do que a queda do mercado. Especialmente para investidores que investem em ações americanas, diante da complexidade da regulamentação transfronteiriça, é importante antecipar todas as possibilidades de deslistagem.
O que exatamente é a deslistagem de ações? E como ela difere do suspensão de negociação?
Muitas pessoas confundem “suspensão de negociação” com “deslistagem”, mas na verdade são conceitos completamente diferentes.
Suspensão de negociação geralmente é uma pausa temporária nas negociações, por motivos como divulgação de anúncios importantes pela empresa, alterações na estrutura acionária ou espera por aprovação regulatória. Durante a suspensão, a propriedade das ações permanece válida, e assim que a negociação é retomada, as ações podem continuar a ser compradas e vendidas. Mas a deslistagem é uma saída definitiva do mercado — a empresa deixa de atender aos critérios de listagem ou solicita a retirada voluntariamente, e uma vez deslistada, os investidores não podem mais negociar na bolsa, e as ações perdem liquidez.
É importante notar que, após a deslistagem, os investidores continuam a possuir as ações, mas o valor dessas ações pode variar dependendo do tratamento subsequente dado pela empresa. Nos mercados de ações dos EUA, Nasdaq e NYSE possuem critérios claros de deslistagem; empresas que não atendem às condições são removidas do índice.
Por que as ações podem ser deslistadas? Quais são as três razões mais comuns?
1. Deterioração financeira contínua da empresa
Perdas consecutivas, patrimônio negativo, relatórios financeiros contestados por auditores ou com opiniões não favoráveis são motivos principais para a bolsa iniciar processos de deslistagem. Um exemplo clássico é a Chesapeake Energy Corporation, produtora de gás natural, que entrou com pedido de proteção por falência em junho de 2020 e concluiu sua reestruturação em fevereiro de 2021, sendo um caso típico de deslistagem por dificuldades financeiras.
2. Violações na divulgação de informações ou fraudes
Não divulgar relatórios financeiros conforme exigido, reportar receitas falsas ou ocultar informações relevantes podem levar a sanções de deslistagem por parte das autoridades reguladoras. Um exemplo é a Luckin Coffee, cadeia de cafeterias online da China, que foi retirada da Nasdaq em abril de 2020 por fraudes financeiras, servindo de alerta no mercado de ações dos EUA.
3. Privatização voluntária ou aquisição pela controladora
Quando a empresa decide se tornar privada ou é totalmente adquirida pela controladora, ela pode solicitar a deslistagem. Um exemplo é a Dell Technologies, que saiu da Nasdaq em 2013 para se tornar uma empresa privada, por razões estratégicas de desenvolvimento.
Quanto tempo leva o processo de deslistagem? Quais sinais de alerta os investidores devem observar?
A deslistagem não acontece de repente; geralmente, o processo leva de 3 a 6 meses, dando tempo suficiente aos investidores para se prepararem:
Primeira fase — fase de aviso: A bolsa emite um aviso, e o nome da ação é marcado com um símbolo como “*” ou “ST”. Este é o primeiro sinal de alerta, e os investidores devem acompanhar de perto os anúncios da empresa e seu desenvolvimento subsequente.
Segunda fase — período de correção: A empresa entra em um período de 3 a 6 meses para melhorar sua situação, podendo precisar apresentar relatórios financeiros complementares, buscar apoio de investidores ou melhorar sua saúde financeira. Os investidores devem avaliar os riscos com base no progresso da recuperação da empresa.
Terceira fase — fase de deliberação: Se as metas de melhoria não forem atingidas, a bolsa realiza uma reunião de deliberação para votar e decidir se a deslistagem final ocorrerá.
Quarta fase — deslistagem oficial: A bolsa anuncia a data de deslistagem, e após o último dia de negociação, as ações são oficialmente removidas do mercado.
As ações realmente perdem todo valor após a deslistagem?
Não há uma resposta absoluta; depende da causa da deslistagem e do tratamento subsequente dado pela empresa:
Deslistagem por privatização: Se a participação em circulação for de apenas 10%-20%, os principais acionistas geralmente compram essas ações a um preço elevado dentro de um período específico. Os detentores precisam acompanhar os anúncios da empresa para aproveitar oportunidades de recompra.
Falência e liquidação: Este é o pior cenário. Segundo a lei de falências, os credores têm prioridade na recuperação, enquanto os acionistas comuns ficam por último. Os investidores podem não receber nenhuma compensação, e o valor das ações tende a zero.
Baixa capitalização ou preço muito baixo: Mesmo que a ação não esteja mais listada na bolsa, os investidores ainda podem procurar compradores por meio de negociações fora de mercado, mas a liquidez será drasticamente reduzida, dificultando encontrar alguém disposto a comprar.
Deslistagem por violação de regras: As ações podem ser “congeladas”, impedindo sua negociação, e os investidores terão que aguardar a conclusão de processos legais antes de poderem usar seus fundos, resultando em perda de valor de uso do capital investido.
Mudança para mercado de balcão ou preparação para nova listagem: Essa é uma situação relativamente favorável. As ações podem continuar negociando no mercado de balcão (com liquidez limitada), e se a empresa melhorar sua situação financeira e atender aos critérios de listagem, há possibilidade de re-listagem futura. Nesse caso, o investidor pode manter a posição a longo prazo aguardando a recuperação.
Como os investidores podem se proteger contra riscos de deslistagem?
Estabeleça uma alocação de ativos científica
Diversificar os investimentos é a estratégia principal para reduzir o risco de deslistagem. Pode-se ajustar a alocação de acordo com o perfil de risco:
Investidores agressivos: Contratos por diferença 15%, ações 50%, fundos 30%, depósitos bancários 5%
Investidores equilibrados: Contratos por diferença 10%, ações 35%, fundos 35%, depósitos bancários 20%
Investidores conservadores: Contratos por diferença 5%, ações 15%, fundos 40%, depósitos bancários 40%
Fortaleça a diligência prévia antes de investir
Antes de comprar qualquer ação, analise os seguintes fatores:
Especialmente ao investir em ações americanas, é importante acompanhar as ações da SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) e os critérios específicos de deslistagem do mercado de ações dos EUA.
E se as ações que possuo já estiverem em processo de deslistagem, como agir?
Se, por azar, suas ações estiverem entrando em processo de deslistagem, aqui estão algumas estratégias comuns:
1. Acompanhe de perto os anúncios oficiais
Antes da deslistagem definitiva, a empresa divulgará planos de tratamento, incluindo se oferecerá recompra, se transferirá para o mercado de balcão ou entrará em liquidação. Os investidores devem consultar ativamente o plataforma de informações públicas ou confirmar com a corretora para não perder prazos importantes.
2. Avalie a proposta de recompra
Se a empresa oferecer recompra, o investidor deve decidir dentro do prazo se participa. Aceitar a recompra requer a realização de procedimentos específicos; após o prazo, perde-se o direito. Recusar a recompra permite manter a posição, mas a liquidez futura será bastante reduzida.
3. Transferir para o mercado de balcão
Algumas empresas podem migrar para o mercado de balcão. Embora o volume de negociações seja menor, ainda é possível comprar e vender por meio de corretoras. Se a empresa melhorar sua situação financeira posteriormente, há chance de re-listar, e o investidor pode optar por manter a posição a longo prazo.
4. Negociação fora de mercado ou transferência privada
Após a deslistagem, o investidor pode negociar diretamente com outros acionistas ou transferir suas ações por acordo privado, desde que complete os procedimentos de transferência formal. Geralmente, isso envolve contato direto com o agente de registros da empresa ou auxílio da corretora.
5. Declaração de impostos e compensação de perdas
Se as ações se tornarem irrecuperáveis devido à deslistagem, o investidor pode declarar a perda de investimento junto às autoridades fiscais para compensar ganhos de capital. Recomenda-se consultar um contador ou serviço de orientação fiscal para garantir a conformidade com as regras.
Dicas finais
A deslistagem de ações não significa que o investimento esteja completamente perdido; o segredo está em acompanhar as informações em tempo hábil e agir de forma adequada. Se a avaliação indicar grande potencial de prejuízo após a deslistagem, pode ser melhor realizar perdas rapidamente; se houver chance de re-listagem, manter a posição e aguardar a recuperação da empresa pode ser uma estratégia válida. De qualquer forma, revisar periodicamente a carteira, identificar sinais de risco antecipadamente e agir com cautela são as melhores formas de proteger seu capital.