Ao analisar o balanço de qualquer empresa, os investidores frequentemente negligenciam uma parte importante que pode medir a capacidade de sobrevivência do negócio. Essa parte é a observação dos componentes dos ativos, especialmente a distinção entre ativos que podem ser convertidos em dinheiro rapidamente e aqueles que podem levar mais tempo. Essa diferença é uma informação valiosa para a tomada de decisão de investimento.
A diferença entre os dois tipos de ativos
O balanço (Balance Sheet) da empresa divide os ativos em duas categorias principais:
Ativos de curto prazo são bens que a empresa pode converter em dinheiro ou equivalentes de valor em até 12 meses. A característica principal dessa categoria é indicar a capacidade da empresa de lidar com emergências financeiras. Quando a empresa enfrenta problemas temporários de liquidez, esses ativos podem ser utilizados rapidamente, como aconteceu durante a pandemia de COVID-19, quando muitas empresas precisaram recorrer a ativos de curto prazo para pagar salários, manutenção de máquinas e aluguel de imóveis.
Ativos não circulantes são bens que a empresa deve manter por um período superior a 12 meses. Essa categoria foca no suporte às operações de longo prazo, como terrenos, edifícios, máquinas e investimentos de longo prazo. Em crises, esses ativos não podem ser vendidos rapidamente, pois o processo de venda leva tempo e sua liquidez é limitada pelo mercado.
Componentes principais dos ativos circulantes
Ao estudar o balanço, os investidores encontram a separação dos ativos de curto prazo em várias categorias para entender melhor a estrutura dos ativos.
Dinheiro e equivalentes de caixa representam a maior liquidez. Incluem dinheiro em caixa, depósitos bancários, investimentos de curto prazo, letras de câmbio, etc. A vantagem é que podem ser acessados rapidamente, mas a desvantagem é que manter dinheiro em caixa não gera retorno.
Investimentos de curto prazo são recursos que algumas empresas optam por investir em ações, títulos, ouro ou outros ativos para gerar renda adicional. Apesar de apresentarem maior risco, oferecem potencial de retorno sobre o capital investido.
Títulos e contratos a receber são dívidas de parceiros que devem ser pagas em até um ano. Apesar de serem ativos, possuem risco de inadimplência.
Contas a receber comerciais representam valores devidos por clientes por bens ou serviços já entregues. Essa categoria é importante na análise, pois pode variar mais que dinheiro em caixa. Se os clientes não pagarem, a empresa pode enfrentar uma crise.
Inventários incluem matérias-primas, produtos em produção e produtos acabados aguardando venda. São importantes porque um alto volume de inventários indica que a empresa consegue converter em dinheiro, mas excesso pode gerar custos de armazenamento ou obsolescência.
Despesas antecipadas como seguros, assinaturas e alugueres pagos antecipadamente, que podem reduzir custos atuais quando o período de uso chega.
Exemplo de análise da Apple Inc.
A Apple é um exemplo importante na análise de ativos circulantes. No final de 2019, a Apple tinha US$ 59 bilhões em dinheiro e equivalentes, demonstrando uma forte posição financeira. O CEO Tim Cook afirmou que o dinheiro em caixa não era um problema para a Apple, mesmo em tempos difíceis.
No entanto, ao acompanhar os dados de 2020, observa-se que:
O dinheiro em caixa caiu de US$ 90 bilhões para US$ 48 bilhões (redução de 46%), enquanto as contas a receber aumentaram de US$ 37 bilhões para US$ 60 bilhões (aumento de 62,7%).
Essa mudança indica uma possível alteração na política de gestão de ativos da Apple, talvez por uma política de cobrança mais flexível ou por riscos maiores de inadimplência. É um sinal que os investidores devem observar e entender profundamente.
O que observar ao analisar ativos não circulantes
Os ativos não circulantes são essenciais para avaliar a qualidade geral da estrutura de ativos da empresa. Os investidores devem verificar:
A proporção de ativos não circulantes em relação ao total de ativos. Uma proporção elevada pode indicar que o retorno do investimento levará mais tempo.
A qualidade desses ativos, como a idade e o desgaste de máquinas.
As mudanças no valor desses ativos ao longo dos anos, para entender a tendência de expansão da empresa.
Conclusão
Estudar as demonstrações financeiras, especialmente os ativos, é fundamental para os investidores. Os ativos circulantes ajudam a entender a liquidez de curto prazo, enquanto os ativos não circulantes indicam o potencial de longo prazo. Os investidores devem analisar detalhadamente os tipos e tamanhos de cada ativo, além de acompanhar as variações anuais, para tomar decisões de investimento informadas e inteligentes.
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Como ler ativos circulantes para avaliar o risco financeiro
Ao analisar o balanço de qualquer empresa, os investidores frequentemente negligenciam uma parte importante que pode medir a capacidade de sobrevivência do negócio. Essa parte é a observação dos componentes dos ativos, especialmente a distinção entre ativos que podem ser convertidos em dinheiro rapidamente e aqueles que podem levar mais tempo. Essa diferença é uma informação valiosa para a tomada de decisão de investimento.
A diferença entre os dois tipos de ativos
O balanço (Balance Sheet) da empresa divide os ativos em duas categorias principais:
Ativos de curto prazo são bens que a empresa pode converter em dinheiro ou equivalentes de valor em até 12 meses. A característica principal dessa categoria é indicar a capacidade da empresa de lidar com emergências financeiras. Quando a empresa enfrenta problemas temporários de liquidez, esses ativos podem ser utilizados rapidamente, como aconteceu durante a pandemia de COVID-19, quando muitas empresas precisaram recorrer a ativos de curto prazo para pagar salários, manutenção de máquinas e aluguel de imóveis.
Ativos não circulantes são bens que a empresa deve manter por um período superior a 12 meses. Essa categoria foca no suporte às operações de longo prazo, como terrenos, edifícios, máquinas e investimentos de longo prazo. Em crises, esses ativos não podem ser vendidos rapidamente, pois o processo de venda leva tempo e sua liquidez é limitada pelo mercado.
Componentes principais dos ativos circulantes
Ao estudar o balanço, os investidores encontram a separação dos ativos de curto prazo em várias categorias para entender melhor a estrutura dos ativos.
Dinheiro e equivalentes de caixa representam a maior liquidez. Incluem dinheiro em caixa, depósitos bancários, investimentos de curto prazo, letras de câmbio, etc. A vantagem é que podem ser acessados rapidamente, mas a desvantagem é que manter dinheiro em caixa não gera retorno.
Investimentos de curto prazo são recursos que algumas empresas optam por investir em ações, títulos, ouro ou outros ativos para gerar renda adicional. Apesar de apresentarem maior risco, oferecem potencial de retorno sobre o capital investido.
Títulos e contratos a receber são dívidas de parceiros que devem ser pagas em até um ano. Apesar de serem ativos, possuem risco de inadimplência.
Contas a receber comerciais representam valores devidos por clientes por bens ou serviços já entregues. Essa categoria é importante na análise, pois pode variar mais que dinheiro em caixa. Se os clientes não pagarem, a empresa pode enfrentar uma crise.
Inventários incluem matérias-primas, produtos em produção e produtos acabados aguardando venda. São importantes porque um alto volume de inventários indica que a empresa consegue converter em dinheiro, mas excesso pode gerar custos de armazenamento ou obsolescência.
Despesas antecipadas como seguros, assinaturas e alugueres pagos antecipadamente, que podem reduzir custos atuais quando o período de uso chega.
Exemplo de análise da Apple Inc.
A Apple é um exemplo importante na análise de ativos circulantes. No final de 2019, a Apple tinha US$ 59 bilhões em dinheiro e equivalentes, demonstrando uma forte posição financeira. O CEO Tim Cook afirmou que o dinheiro em caixa não era um problema para a Apple, mesmo em tempos difíceis.
No entanto, ao acompanhar os dados de 2020, observa-se que:
O dinheiro em caixa caiu de US$ 90 bilhões para US$ 48 bilhões (redução de 46%), enquanto as contas a receber aumentaram de US$ 37 bilhões para US$ 60 bilhões (aumento de 62,7%).
Essa mudança indica uma possível alteração na política de gestão de ativos da Apple, talvez por uma política de cobrança mais flexível ou por riscos maiores de inadimplência. É um sinal que os investidores devem observar e entender profundamente.
O que observar ao analisar ativos não circulantes
Os ativos não circulantes são essenciais para avaliar a qualidade geral da estrutura de ativos da empresa. Os investidores devem verificar:
Conclusão
Estudar as demonstrações financeiras, especialmente os ativos, é fundamental para os investidores. Os ativos circulantes ajudam a entender a liquidez de curto prazo, enquanto os ativos não circulantes indicam o potencial de longo prazo. Os investidores devem analisar detalhadamente os tipos e tamanhos de cada ativo, além de acompanhar as variações anuais, para tomar decisões de investimento informadas e inteligentes.