As stablecoins passaram de uma ferramenta de nicho a infraestruturas fundamentais do mercado cripto. Até ao momento, a capitalização total de mercado dos stablecoins ultrapassa os 212 mil milhões de dólares, com mais de 200 projetos em funcionamento. Mas afinal, como funciona este ecossistema? Hoje vamos analisá-lo ao detalhe.
Quatro tipos de stablecoins
1. Lastreados em moeda fiduciária (os mais conservadores)
Os mais comuns são o USDT, USDC e afins — ancorados ao dólar numa proporção de 1:1, com reservas reais em dólares por trás. O USDT já ultrapassou os 140 mil milhões de dólares em valor de mercado, distribuído por 109 milhões de carteiras. Estes são os mais estáveis, mas apresentam riscos óbvios: dependência da transparência do emissor e risco regulatório permanente.
2. Lastreados em commodities (com ativos físicos)
Como o PAX Gold ou Tether Gold — cada token representa 1 onça de ouro ou prata real guardada num cofre. A vantagem é ter ativos físicos como suporte, mas as desvantagens são a baixa liquidez, taxas altas de levantamento e a volatilidade do preço da commodity afetar a estabilidade.
3. Lastreados em criptoativos (altamente digitalizados)
Modelos como DAI e sUSD — utilizam ETH e outras criptomoedas como colateral, recorrendo a sobre-colateralização para manter a estabilidade. Estes são os mais descentralizados, mas exigem 150-200% de colateralização (ex: bloquear 1.500 USD em ETH para gerar 1.000 USD em DAI), o que reduz a eficiência de capital. É também necessário proteger-se contra riscos de contratos inteligentes e liquidações em caso de grandes quebras de preço do colateral.
4. Algorítmicos (os mais inovadores, e também os mais arriscados)
Ampleforth, e o antigo UST, encaixam-se aqui — o preço é mantido por algoritmos que ajustam a oferta sem colateral direto. Na prática, vivem da psicologia do mercado. O resultado já se conhece: Luna/UST colapsaram em 2022, causando enormes perdas para investidores. Este tipo de stablecoin perdeu grande parte da confiança do mercado.
Matriz dos stablecoins: quem lidera
Projeto
Capitalização
Tipo
Destaques
USDT(Tether)
~140 mil milhões
Moeda fiduciária
O maior, mas sempre sob suspeita quanto à suficiência das reservas
USDC(Circle)
~42 mil milhões
Moeda fiduciária
Mais transparente, mais aceitação institucional
RLUSD(Ripple)
53 milhões+
Moeda fiduciária
Lançamento recente (dezembro), foca-se em pagamentos
USDe(Ethena)
~6 mil milhões
Yield
Em 10 meses tornou-se top 3, estratégia Delta neutra inovadora
DAI(MakerDAO)
~5,3 mil milhões
Colateral cripto
Infraestrutura DeFi, mais descentralizado
FDUSD(First Digital)
~1,3 mil milhões
Moeda fiduciária
Emitido em Hong Kong, ultrapassou mil milhões em meio ano
PYUSD(PayPal)
~494 milhões
Moeda fiduciária
Grande base de utilizadores mas adoção lenta
USD0(Usual)
~1,2 mil milhões
Ativo físico
Lastreado em treasuries dos EUA, novidade de 2024
O mais interessante é a abordagem do USDe — não segue o modelo clássico de colateralização, mas sim uma estratégia Delta neutra: staking de ETH + venda a descoberto de ETH em exchanges, para manter a estabilidade e gerar rendimento para os utilizadores. Este modelo atraiu muitos interessados em retorno; em dezembro, a Ethena lançou ainda o USDtb (lastreado no fundo BUIDL da BlackRock), reduzindo ainda mais o risco.
Porque é que os stablecoins estão em alta
Cenário atual: O BTC ultrapassou os 100 mil dólares, iniciou-se um novo bull market, e o volume de negociação disparou. O papel dos stablecoins tornou-se fundamental:
Par padrão de trading — Facilita trocar BTC por stablecoins sem passar por moeda fiduciária, reduzindo custos
Pagamentos internacionais — Uma transferência de stablecoin é muito mais rápida e barata que SWIFT
Colateral em DeFi — Em plataformas como Aave e Compound, os stablecoins são o par de negociação principal
Ferramenta de proteção — Em mercados voláteis, é possível sair rapidamente para stablecoins, funcionando como “cash” nos ativos digitais
Inclusão financeira — Em regiões sem bancos acessíveis, stablecoin = banco digital funcional
Lista de riscos (leitura obrigatória)
Tempestade regulatória — O Tesouro dos EUA e o FSOC estão a apertar o controlo sobre stablecoins, preocupados com a estabilidade financeira. Alguns países já começaram a restringir stablecoins.
Suficiência das reservas — O USDT há muito que é questionado sobre as suas reservas reais. O USDC é mais transparente, mas também precisa de validação contínua.
Risco tecnológico — Vulnerabilidades de código, exploits em contratos, e problemas de segurança cross-chain podem levar a fundos bloqueados ou perdas.
Dilema da descentralização — Stablecoins lastreados em moeda fiduciária exigem emissores centralizados, o que entra em conflito com a filosofia cripto de descentralização.
Risco de desancoragem — Em situações extremas (como corridas aos bancos), um stablecoin pode perder o seu valor de referência. O caso do UST é paradigmático.
Conclusão
Os stablecoins tornaram-se o sangue do mercado cripto, mas não são todos iguais. Os fiat como USDT/USDC são os mais estáveis, mas também os mais centralizados; o DAI aposta na descentralização máxima, mas exige sobre-colateralização; stablecoins inovadores como USDe e USD0 tentam equilibrar rendimento e estabilidade.
O que esperar em 2025: surgirá um verdadeiro standard global de stablecoin? Qual será o impacto das CBDC? Poderão os stablecoins DeFi superar os fiat como opção dominante?
Para participar neste ecossistema, o fundamental é perceber as vantagens e desvantagens de cada mecanismo — não seguir cegamente a inovação, pois o risco é quase sempre maior nos projetos mais novos.
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
Grande análise do ecossistema das stablecoins em 2025: comparação dos quatro principais mecanismos + teste prático das principais moedas
As stablecoins passaram de uma ferramenta de nicho a infraestruturas fundamentais do mercado cripto. Até ao momento, a capitalização total de mercado dos stablecoins ultrapassa os 212 mil milhões de dólares, com mais de 200 projetos em funcionamento. Mas afinal, como funciona este ecossistema? Hoje vamos analisá-lo ao detalhe.
Quatro tipos de stablecoins
1. Lastreados em moeda fiduciária (os mais conservadores)
Os mais comuns são o USDT, USDC e afins — ancorados ao dólar numa proporção de 1:1, com reservas reais em dólares por trás. O USDT já ultrapassou os 140 mil milhões de dólares em valor de mercado, distribuído por 109 milhões de carteiras. Estes são os mais estáveis, mas apresentam riscos óbvios: dependência da transparência do emissor e risco regulatório permanente.
2. Lastreados em commodities (com ativos físicos)
Como o PAX Gold ou Tether Gold — cada token representa 1 onça de ouro ou prata real guardada num cofre. A vantagem é ter ativos físicos como suporte, mas as desvantagens são a baixa liquidez, taxas altas de levantamento e a volatilidade do preço da commodity afetar a estabilidade.
3. Lastreados em criptoativos (altamente digitalizados)
Modelos como DAI e sUSD — utilizam ETH e outras criptomoedas como colateral, recorrendo a sobre-colateralização para manter a estabilidade. Estes são os mais descentralizados, mas exigem 150-200% de colateralização (ex: bloquear 1.500 USD em ETH para gerar 1.000 USD em DAI), o que reduz a eficiência de capital. É também necessário proteger-se contra riscos de contratos inteligentes e liquidações em caso de grandes quebras de preço do colateral.
4. Algorítmicos (os mais inovadores, e também os mais arriscados)
Ampleforth, e o antigo UST, encaixam-se aqui — o preço é mantido por algoritmos que ajustam a oferta sem colateral direto. Na prática, vivem da psicologia do mercado. O resultado já se conhece: Luna/UST colapsaram em 2022, causando enormes perdas para investidores. Este tipo de stablecoin perdeu grande parte da confiança do mercado.
Matriz dos stablecoins: quem lidera
O mais interessante é a abordagem do USDe — não segue o modelo clássico de colateralização, mas sim uma estratégia Delta neutra: staking de ETH + venda a descoberto de ETH em exchanges, para manter a estabilidade e gerar rendimento para os utilizadores. Este modelo atraiu muitos interessados em retorno; em dezembro, a Ethena lançou ainda o USDtb (lastreado no fundo BUIDL da BlackRock), reduzindo ainda mais o risco.
Porque é que os stablecoins estão em alta
Cenário atual: O BTC ultrapassou os 100 mil dólares, iniciou-se um novo bull market, e o volume de negociação disparou. O papel dos stablecoins tornou-se fundamental:
Lista de riscos (leitura obrigatória)
Tempestade regulatória — O Tesouro dos EUA e o FSOC estão a apertar o controlo sobre stablecoins, preocupados com a estabilidade financeira. Alguns países já começaram a restringir stablecoins.
Suficiência das reservas — O USDT há muito que é questionado sobre as suas reservas reais. O USDC é mais transparente, mas também precisa de validação contínua.
Risco tecnológico — Vulnerabilidades de código, exploits em contratos, e problemas de segurança cross-chain podem levar a fundos bloqueados ou perdas.
Dilema da descentralização — Stablecoins lastreados em moeda fiduciária exigem emissores centralizados, o que entra em conflito com a filosofia cripto de descentralização.
Risco de desancoragem — Em situações extremas (como corridas aos bancos), um stablecoin pode perder o seu valor de referência. O caso do UST é paradigmático.
Conclusão
Os stablecoins tornaram-se o sangue do mercado cripto, mas não são todos iguais. Os fiat como USDT/USDC são os mais estáveis, mas também os mais centralizados; o DAI aposta na descentralização máxima, mas exige sobre-colateralização; stablecoins inovadores como USDe e USD0 tentam equilibrar rendimento e estabilidade.
O que esperar em 2025: surgirá um verdadeiro standard global de stablecoin? Qual será o impacto das CBDC? Poderão os stablecoins DeFi superar os fiat como opção dominante?
Para participar neste ecossistema, o fundamental é perceber as vantagens e desvantagens de cada mecanismo — não seguir cegamente a inovação, pois o risco é quase sempre maior nos projetos mais novos.