O ouro entrou em março com uma forte tendência de alta, mas depois passou por uma das inversões mais notáveis do ano, quando o preço caiu quase 12% apenas no espaço de um mês. De acordo com duas grandes instituições financeiras, Goldman Sachs e UBS, há vários fatores que, em simultâneo, fizeram pressão para baixo sobre este metal precioso, desde a volatilidade nas expectativas de taxas de juro até à realização de lucros por parte dos investidores.
Após uma fase de forte aceleração, o ouro não conseguiu manter o ritmo em março. Embora seja considerado um ativo de refúgio seguro, este metal precioso continuou sob forte pressão de venda quando o mercado reajustou as expectativas sobre a política monetária da Reserva Federal dos EUA (Fed).
Goldman Sachs e UBS consideram que a queda do ouro não reflete uma fraqueza de longo prazo da tendência de alta, mas sobretudo o facto de os investidores estarem a aproveitar para realizar lucros depois de o preço ter subido demasiado depressa num curto espaço de tempo.
Segundo a Goldman Sachs, uma das principais razões para a fraqueza do ouro é o aumento da realização de lucros após o preço ter estabelecido continuamente novos máximos. Quando o sentimento do mercado se torna mais cauteloso, muitos investidores vendem para salvaguardar os lucros.
Além disso, o fortalecimento do USD também coloca pressão sobre o ouro, já que este metal precioso é cotado em dólares. Quando o dólar verde valoriza, o ouro torna-se mais caro para os compradores que detêm outras moedas, reduzindo assim a procura.
A Goldman Sachs também salienta que as mudanças nas expectativas de taxas de juro da Fed levaram o mercado a reavaliar as perspetivas dos ativos que não geram rendimentos, como o ouro.
A UBS considera que esta queda é um ajuste saudável depois de uma subida demasiado forte. De acordo com o banco, o ouro continua a ser sustentado por fundamentos como a instabilidade geopolítica, as preocupações com a inflação e a necessidade de diversificação da carteira de investimentos.
No entanto, a UBS entende que, no curto prazo, o mercado foi puxado para uma zona de sobrecompra. Isso faz com que qualquer sinal negativo, mesmo que pequeno, possa desencadear uma vaga de vendas de forma ampla.
Apesar de março ter registado uma queda acentuada, tanto a Goldman Sachs como a UBS não alteraram a sua visão positiva de longo prazo para o ouro. Estas duas instituições consideram que, se a inflação continuar persistente, a economia global enfrentar riscos continuados e a Fed não conseguir afrouxar a política de forma acentuada, o ouro ainda pode receber um apoio significativo nos próximos tempos.
Por outras palavras, a queda de 12% em março pode ser apenas um recuo temporário na tendência de alta mais ampla, em vez de ser um sinal de que o ciclo de alta do ouro terminou.