Existe um caso que não sai da minha cabeça. Em agosto de 2024, um grupo de jovens realizou uma das maiores e mais audaciosas invasões na história das criptomoedas, e toda a operação foi tão engenhosa que chega a dar um calafrio.



O protagonista foi Malone Lam, que tinha apenas 20 anos na época, junto com alguns cúmplices: Veer Chetal, Jeandiel Serrano, Danish Khan e Chen. O objetivo deles era bem claro: um credor do Genesis, que possuía milhares de bitcoins.

Todo o processo de execução foi extremamente profissional. Primeiro, alguém se passou por um atendente do Google, ligando para a vítima e dizendo que sua conta havia sido hackeada, assim conseguiram obter acesso ao Gmail e ao iCloud. Depois, outra pessoa se disfarçou de funcionário da Gemini, informando que a conta na exchange tinha sido atacada. A vítima, em pânico, seguiu as instruções e resetou a autenticação de dois fatores. Essa etapa, aparentemente simples, deu controle total da conta Gemini para os criminosos. Por fim, eles induziram a vítima a instalar o software de acesso remoto AnyDesk. Com a tela exposta, as chaves privadas também ficaram vulneráveis. Assim, 4.064 bitcoins foram roubados.

Na época, o valor total era cerca de 238 milhões de dólares, e uma única transferência mudou completamente o jogo. Depois, eles começaram a lavar o dinheiro de forma frenética, dispersando os fundos em 15 exchanges, convertendo para Litecoin, Ethereum, Monero, para confundir as pistas.

Malone Lam se entregou de corpo e alma. Uma noite, gastou meio milhão de dólares em uma balada, comprou uma mansão de 10,5 milhões de dólares em Miami. Supercarros encheram a garagem. Ele comprou cinco bolsas Hermès Birkin de uma só vez, e as entregava aleatoriamente para mulheres desconhecidas na balada. Ainda, comprou um Lamborghini Urus rosa para tentar reconquistar a ex-namorada, mas foi rejeitado. Esse cara simplesmente mostrava, de forma direta, que tinha dinheiro, mas também entregava sua vulnerabilidade.

Em 19 de setembro de 2024, agentes federais invadiram sua mansão em Miami. Malone Lam foi algemado. Agora, toda a equipe foi presa, e cada um enfrenta a possibilidade de dezenas de anos de prisão federal.

O mais doloroso é que, dos 238 milhões de dólares em bitcoins, até agora só recuperaram 9 milhões. O restante ainda está escondido em várias carteiras e exchanges. Pense bem: se esse dinheiro estivesse agora, com o preço atual do BTC, valeria cerca de 468 milhões de dólares. Esses caras poderiam estar ganhando dinheiro de forma tranquila, mas preferiram ostentar, e no final, acabaram se entregando à prisão.

O que esse caso nos mostra? Primeiro, que a liquidez dos ativos cripto realmente é forte, mas justamente por isso, qualquer erro pode levar a consequências catastróficas. Segundo, que nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, consegue resistir à ganância e ao desejo de ostentar do ser humano. O problema de Malone Lam e seus colegas não foi a técnica do crime, mas a incapacidade de controlar o desejo de se exibir. E é por isso que tantos grandes casos são resolvidos justamente por erros bobos dos envolvidos.
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