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Há alguns anos atrás aconteceu algo que poucos na comunidade cripto mencionam: a queda do AlphaBay. Se não o conheces, foi literalmente o maior mercado do dark web que alguma vez existiu, e o seu fundador era um tipo chamado Alexandre Cazes, um canadiano de Quebec que aparentemente tinha tudo resolvido.
A história é bastante intensa. Alexandre Cazes construiu o AlphaBay desde 2014 e transformou-o numa máquina de fazer dinheiro. Estamos a falar de mais de 40.000 fornecedores, 200.000 utilizadores ativos, e de um volume de transações diário que atingia milhões de dólares. O tipo ganhava comissões de tudo: drogas, armas, documentos falsos, malware, serviços de lavagem de dinheiro. Praticamente qualquer coisa ilegal que possas imaginar estava naquela plataforma.
Entretanto, Alexandre Cazes vivia em Banguecoque como um magnata. Mansões luxuosas, carros desportivos de luxo, milhões em criptomoedas. Mas aqui vem o mais interessante: ninguém ao seu redor suspeitava de nada. Passava por um empresário de tecnologia normal, quando na realidade estava a operar o maior império criminoso da internet.
A tecnologia por trás do AlphaBay era sofisticada. Múltiplas camadas de servidores distribuídos globalmente, comunicações encriptadas, transações em Bitcoin. As autoridades procuravam-no, mas não encontravam nada durante anos. O anonimato era praticamente intransponível.
Mas pronto, tudo tem um ponto fraco. Nos primeiros dias do AlphaBay, Alexandre Cazes cometeu um erro: cada utilizador novo recebia um e-mail de boas-vindas que expunha o seu verdadeiro endereço de e-mail. Corrigiu rapidamente, mas alguém já tinha guardado esse e-mail e entregou-o às autoridades. Com isso em mãos, os investigadores rastrearam as suas redes sociais, encontraram fotos antigas, registos de atividades. A rede foi sendo encerrada, passo a passo.
Depois veio a operação. Julho de 2017, Banguecoque. Os agentes tailandeses, o FBI e outros organismos internacionais montaram uma armadilha elaborada. Enquanto Alexandre Cazes trabalhava na sua vila, um carro embateu na porta e uma agente disfarçada saiu fingindo um acidente. Quando ele desceu para verificar, ficou rodeado por dezenas de agentes. Tentou resistir, mas foi detido em segundos.
O pior para Alexandre Cazes: deixou o computador sem encriptar, visível. Os investigadores encontraram tudo: contas de criptomoedas, palavras-passe críticas, endereços de servidores do dark web. O império desmoronou numa noite.
Agora, é aqui que a história fica estranha. Enquanto estava na prisão tailandesa à espera de extradição para os Estados Unidos, Alexandre Cazes foi encontrado morto. As autoridades comunicaram suicídio. Nunca chegou a julgamento nos EUA.
A polícia confiscou ativos no valor de centenas de milhões em criptomoedas, carros e propriedades. Mas o interessante é que, com a sua queda, outros mercados surgiram quase imediatamente. O jogo do gato e do rato continua no dark web. Alexandre Cazes foi uma geração do “rei do dark web”, mas a pergunta é óbvia: quantos outros estão a operar agora mesmo sem que ninguém dê por isso?