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Acabei de ler este artigo do Paul Krugman e, honestamente, vale a pena. O economista Nobel basicamente explica como a administração de Trump continua a atrair um tipo específico de personagem — e aviso de spoiler, não é o tipo que você quer a ocupar posições governamentais importantes.
Tudo gira em torno do Secretário de Comércio Howard Lutnick e a sua, digamos, relação complicada com Jeffrey Epstein. Durante uma audiência no Senado no início deste ano, Lutnick admitiu ter almoçado com Epstein após a sua condenação por crimes sexuais. Alega que não tem nada a esconder, mas os ficheiros recentemente divulgados de Epstein contam uma história diferente — aparentemente, eles mantiveram contacto próximo e podem até ter feito negócios juntos.
O que me chamou a atenção na análise de Krugman foi a forma como ele enquadra o verdadeiro problema. Ele aponta que o mundo MAGA adora obsessivamente teorias da conspiração grandiosas — George Soros a manipular os bastidores, lasers espaciais judeus, satélites italianos a hackear eleições, tudo isso. Mas aqui está o ponto: as conspirações reais, que acontecem à vista de todos, são muito piores e muito mais banais. Não porque existam mestres do mal a orquestrar um grande esquema, mas porque há grifters amoral e incompetentes como Lutnick a ocupar posições de verdadeiro poder.
Krugman aprofunda ainda mais, mostrando como Lutnick se encontra na interseção de várias situações suspeitas — há o ângulo da criptomoeda Tether, com implicações de branqueamento de capitais, além de toda a confusão com Epstein. As contradições são evidentes. Lutnick passou anos a negar qualquer ligação a Epstein, alegando que cortou relações em 2005. Mas os documentos mostram o contrário.
A parte mais louca? Numa administração normal, isto já o teria forçado a sair. Os conflitos de interesse por si só seriam motivo de desqualificação. Mas estamos a viver numa época em que a hipocrisia nua e crua e a desonestidade documentada aparentemente já não importam. Os verdadeiros vilões, como Krugman diz, são simplesmente demasiado burros e grosseiros para esconder o que estão a fazer — fazem-no à luz do dia e apostam que ninguém se vai importar o suficiente para os parar.