Dinâmicas Globais de Oferta de Manganês: Quem Domina como o Principal Produtor de Manganês em 2024?

O principal produtor de manganês enfrenta desafios crescentes à medida que o mercado de commodities continua sua trajetória volátil em 2024 e início de 2025. Disrupções na oferta causadas por eventos climáticos extremos, mudanças nos padrões de demanda devido às dificuldades económicas da China e uma onda emergente de fornecedores alternativos redesenharam o panorama competitivo deste metal industrial crítico. Compreender quais países controlam a cadeia de abastecimento de manganês nunca foi tão importante para investidores e stakeholders do setor que acompanham a transição energética global.

Quando o Ciclone Tropical Megan atingiu as operações da Groote Eylandt Mining Company na Austrália em abril de 2024, os preços do manganês dispararam de forma acentuada. No entanto, esse aumento temporário mostrou-se de curta duração, à medida que fornecedores concorrentes aumentaram a produção e a demanda chinesa permaneceu fraca. Até meados de 2024, os preços recuaram aos níveis anteriores e, no primeiro trimestre de 2025, o mercado estabilizou-se praticamente numa fase de manutenção — um contraste marcante com os picos de preços que caracterizaram anos anteriores.

Por que o manganês importa: de siderúrgicas a baterias de veículos elétricos

Historicamente, a indústria do aço dominou o consumo de manganês, com os produtores incorporando o metal prateado como liga para fortalecer e melhorar a trabalhabilidade deste pilar da construção. No entanto, o cenário de aplicações está passando por uma mudança profunda. Dióxido de manganês e óxido de manganês funcionam como materiais essenciais no cátodo de baterias de zinco-carbono e alcalinas, enquanto aditivos de manganês protegem os motores de veículos após o processamento do petróleo bruto.

A oportunidade mais transformadora reside no setor de baterias de íon de lítio. O principal produtor de minérios de manganês deve lidar com uma demanda crescente por químicas avançadas de baterias: baterias de lítio-níquel-manganês-cobalto (NMC) oferecem maior densidade de energia e maior durabilidade para veículos elétricos, enquanto baterias emergentes de fosfato de ferro e lítio (LMFP) prometem desempenho ainda melhor em baixas temperaturas e maior capacidade energética. Segundo projeções da Benchmark Mineral Intelligence, o consumo de manganês vai explodir — aumentando oito vezes entre 2020 e 2030 — à medida que a transição para energias verdes acelera e a demanda por baterias de EV supera o consumo tradicional do setor de aço.

África do Sul: o peso pesado indiscutível

A dominância da África do Sul como principal produtora de manganês é praticamente incontestável. O país extraiu 7,4 milhões de toneladas métricas em 2024, um aumento modesto de 200 mil toneladas em relação ao ano anterior, controlando 37% da produção global e impressionantes 70% dos recursos conhecidos de minério de manganês do mundo. Suas reservas totalizam 560 milhões de toneladas métricas — mais do que o triplo do seu concorrente mais próximo.

A South32, mineradora diversificada australiana, detém uma participação indireta de 44% nas operações de manganês na África do Sul, por meio de uma joint venture com a Anglo American (29,6%) na bacia do Kalahari, rica em manganês. A região opera a mina a céu aberto Mamatwan e a mina subterrânea Wessels. Além disso, a Jupiter Mines opera a mina Tshipi Borwa com 49,9% de participação, sendo a maior mina de manganês do país e uma das cinco maiores do mundo. Essa concentração de ativos de classe mundial consolida o papel da África do Sul como líder global na produção de manganês.

Gabão e Austrália: os titãs secundários

O Gabão emergiu como o segundo maior fornecedor de manganês, com 4,6 milhões de toneladas produzidas em 2024. Situado na costa centro-oeste da África, o país forneceu 63% das importações de minério de manganês dos EUA em 2024, tornando-se uma peça-chave para as cadeias de abastecimento norte-americanas. A operação de Moanda, gerida pela Eramet (a segunda maior produtora mundial de minério de manganês de alta qualidade) através da subsidiária COMILOG, sustenta a produção do país. A produção foi temporariamente interrompida no quarto trimestre de 2024 devido a condições de excesso de oferta no mercado.

A Austrália contribuiu com 2,8 milhões de toneladas — praticamente estável em relação às 2,86 milhões de toneladas de 2023 — consolidando sua posição como terceira maior fonte. A participação de 60% da South32 nas operações da GEMCO no Território do Norte posiciona a empresa entre os produtores de manganês de menor custo do mundo. No entanto, os danos causados pelo ciclone à infraestrutura de exportação da GEMCO devem restringir as vendas pelo menos até o primeiro trimestre de 2025. A Anglo American mantém os restantes 40%. A antiga instalação de fundição na Tasmânia, anteriormente co-propriedade da South32 e da Anglo American, foi transferida para a GFG Alliance em 2021.

Novos produtores: a ascensão da África

Gana completou o top 4 como o quarto maior produtor, com 820 mil toneladas métricas em 2024, um aumento modesto em relação aos anos anteriores. A maior parte da produção do país vem da região oeste, próxima a Takoradi. A Consolidated Minerals (Consmin), subsidiária da Ningxia Tianyuan Manganese Industry da China, controla 90% da Ghana Manganese Company e opera a mina Nsuta. Essa estrutura historicamente direcionou o fornecimento de manganês para a produção de manganês eletrolítico e matéria-prima para as operações chinesas da TMI.

A Índia produziu 800 mil toneladas em 2024, um aumento de 56 mil toneladas em relação ao ano anterior. Como uma das maiores consumidoras de manganês do mundo, ao lado da China e do Brasil, a maior parte da produção é destinada à siderurgia doméstica. A MOIL, maior produtora estatal, opera a única instalação de dióxido de manganês eletrolítico do país. No exercício fiscal de 2023-24, a MOIL atingiu um recorde de 1,76 milhão de toneladas de produção de minério de manganês, embora os primeiros nove meses de 2024-25 tenham mostrado 1,33 milhão de toneladas — indicando uma moderada redução na produção.

Concorrentes asiáticos e sul-americanos

A produção de manganês da China caiu para 770 mil toneladas em 2024, continuando uma trajetória de declínio desde o pico de 1,34 milhão de toneladas em 2020. Disrupções relacionadas à COVID-19 e cortes recentes na produção devido à fraqueza no setor imobiliário chinês explicam essa redução. Paradoxalmente, a China permanece como a maior consumidora mundial de manganês, utilizando quantidades enormes na fabricação de aço. Diversos depósitos de minério de grande porte foram descobertos na província de Guizhou em 2017, mas permanecem não desenvolvidos, sugerindo potencial de oferta latente. O US Geological Survey estima reservas econômicas na China em 280 mil toneladas, ficando atrás apenas da África do Sul. A Firebird Metals está em parceria com fabricantes chineses na construção de uma instalação de sulfato de manganês de alta pureza, destinada a abastecer produtores de baterias de EV.

O Brasil produziu 590 mil toneladas em 2024, um aumento de 2 mil toneladas em relação a 2023. A Vale, tradicionalmente maior produtora nacional, controlando 70% do mercado, vendeu seus ativos de manganês e minério de ferro na região Centro-Oeste para a J&F Investimentos em 2022; a subsidiária Lhg Mining agora opera essas propriedades. A Lhg retomou a produção na mina subterrânea Urucum em meados de 2023, e a J&F anunciou planos ambiciosos de investir US$1 bilhão em operações de ferro e manganês. A Buritirama, subsidiária brasileira, comprometeu US$200 milhões na expansão das operações no Pará.

Malásia e Costa do Marfim completam o top tier com 410 mil e 360 mil toneladas respectivamente. A Malásia tornou-se um centro especializado na produção de ferro-manganês, respondendo por 24% das importações americanas de ferromanganês. A subsidiária OM Holdings em Sarawak opera um complexo de fundição que produziu 317.995 toneladas de liga de manganês em 2024. A Costa do Marfim, após atingir 525 mil toneladas em 2020, atualmente opera quatro minas (Bondoukou, Guitry, Kaniasso e Lagnonkaha), com a maior parte da produção destinada a siderúrgicas na China, Índia e Letônia.

A equação do preço do manganês: a recuperação da China é a chave

Analistas concordam amplamente que a recuperação econômica da China determinará a próxima trajetória dos preços do manganês. O setor imobiliário fraco tem suprimido a demanda doméstica por aço, mantendo a demanda sob controle apesar de a China ser um dos maiores consumidores e usuários industriais. Por outro lado, o principal produtor de manganês — a África do Sul — beneficia-se de vantagens estruturais: reservas abundantes, operações de baixo custo e infraestrutura de exportação consolidada. No entanto, a diversificação de oferta em Gabão, Austrália, Gana, Índia, Brasil, Malásia e Costa do Marfim oferece alguma proteção contra a volatilidade de preços.

À medida que a química das baterias evolui e a adoção de EVs acelera, o mercado de manganês enfrenta um ponto de inflexão crucial. A previsão de aumento de oito vezes na demanda até 2030 pode transformar fundamentalmente as hierarquias de produção e prioridades de investimento, potencialmente elevando nações com reservas escaláveis e parceiros tecnológicos capazes de produzir materiais de grau para baterias. A dominância da África do Sul como maior produtora de manganês provavelmente persistirá, mas as dinâmicas competitivas se intensificarão consideravelmente.

Perguntas frequentes sobre o abastecimento e aplicações do manganês

O manganês é considerado um metal?

Sim, o manganês é classificado como um metal industrial importante. Com número atômico 25, é um elemento duro, quebradiço e prateado, que ocupa a segunda posição em abundância entre os elementos de transição na crosta terrestre, atrás apenas do ferro.

Qual o papel do dióxido de manganês em baterias?

O dióxido de manganês tem funcionado há muito tempo como despolarizador em baterias alcalinas, embora a oportunidade mais promissora esteja na química de íon de lítio. O dióxido de manganês eletrolítico é atualmente um material de cátodo crítico em formulações avançadas de óxido de manganês de lítio e óxido de níquel-manganês-cobalto de lítio. Investidores que apostam na expansão da demanda do setor de baterias esperam que essas químicas dependentes de manganês se proliferem à medida que a tecnologia de íon de lítio domina o setor de veículos elétricos.

Quais países lideram o mercado de manganês?

A África do Sul responde por quase 37% da produção global, seguida pelo Gabão (4,6 milhões de toneladas), Austrália (2,8 milhões de toneladas) e Gana (820 mil toneladas). Juntos, esses países representam a espinha dorsal do fornecimento mundial de manganês, embora Índia, China, Brasil, Malásia e Costa do Marfim também contribuam de forma significativa para a produção total.

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