O mercado de café enfrenta pressão sustentada à medida que as perspetivas de fornecimento do Brasil e do Vietname mudam

De acordo com a análise de commodities da Barchart, os mercados globais de café enfrentaram uma pressão descendente significativa em meados de janeiro de 2026, com os contratos futuros de arábica e robusta fechando em forte baixa. O café arábica de março (KCH26) caiu 3,85%, enquanto o café robusta ICE de março (RMH26) caiu 1,58%, atingindo uma mínima de 5,5 meses para o arábica e uma mínima de 3,5 semanas para o robusta. A retração reflete uma interação complexa de expectativas de oferta, ajustes de inventário e previsões meteorológicas que estão moldando o sentimento dos traders no setor de café.

Sinal de retração de preços indica preocupação do mercado

A queda dupla em ambas as variedades de café sinaliza um sentimento baixista acentuado, apesar de suas diferentes fundamentações de oferta. A queda mais acentuada do arábica sugere preocupação específica com o excesso de oferta no mercado. A fraqueza simultânea do robusta—tradicionalmente um contrato mais estável—indica que o medo de superprodução está afetando todo o complexo do café. Essa pressão sincronizada destaca uma mudança fundamental nas expectativas do mercado em relação à disponibilidade global de café.

Boom de produção no Brasil cria obstáculos

O Brasil, responsável por aproximadamente um terço da produção mundial de café, emergiu como o principal fator baixista para os preços. Em dezembro, a Conab, agência de previsão de safra do governo brasileiro, aumentou significativamente sua estimativa de produção de 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, acima da projeção de setembro de 55,20 milhões de sacos. Essa revisão ascendente substancial indica uma colheita excepcionalmente abundante à frente, inundando os mercados com oferta justamente quando a demanda permanece fraca.

No entanto, dados recentes de exportação apresentam um contraponto à narrativa de produção. A Cecafe reportou que as exportações de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4%, para 2,86 milhões de sacos, com embarques de arábica diminuindo 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos, e as exportações de robusta despencando 61%, para apenas 222.147 sacos. A forte queda nas exportações sugere que os exportadores podem estar retendo embarques, possivelmente antecipando melhores preços ou aguardando a finalização da colheita. Simultaneamente, as chuvas em Minas Gerais, principal região cafeeira do Brasil, mediram 33,9 milímetros na semana que terminou em 16 de janeiro—apenas 53% da média histórica—levando a questionar se a produção abundante prevista se materializará como esperado.

Surge de exportação do Vietnã domina o mercado de robusta

A posição do Vietnã como maior produtor mundial de robusta confere às suas decisões de oferta uma influência desproporcional no mercado. As exportações de café do país em 2025 aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietnã, demonstrando forte demanda externa apesar das preocupações globais de excesso de oferta. Projeções da Associação de Café e Cacau do Vietnã (Vicofa) estimam que a produção de 2025/26 atingirá um recorde de 1,76 milhões de toneladas métricas—ou 29,4 milhões de sacos—representando o maior valor em quatro anos. Se as condições climáticas permanecerem favoráveis, a produção pode subir mais 10% acima dessas projeções.

Esse aumento esperado de produção pesa fortemente sobre os preços do robusta, pois os traders precificam a probabilidade de margens de lucro estendidas para o café robusta consumido nos mercados europeu e asiático. A combinação de fortes exportações vietnamitas e crescimento projetado da produção indica poder de precificação limitado para produtores e exportadores de robusta.

Sinais de inventário do ICE indicam dinâmicas de mercado mistas

Dados de inventário fornecem sinais mais sutis sobre a real escassez de mercado por trás da ação de preços baixista. Os estoques de arábica monitorados pelo ICE inicialmente caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, em 20 de novembro, sugerindo escassez genuína. No entanto, até 14 de janeiro, esses mesmos estoques se recuperaram para 461.829 sacos—um máximo de 2,5 meses—indicando reposição e alívio nas preocupações imediatas de oferta. De forma semelhante, os estoques de robusta do ICE caíram para um mínimo de 1 ano, de 4.012 lotes, em 10 de dezembro, mas se recuperaram para 4.609 lotes até meados de janeiro. O padrão de recuperação dos estoques sugere que, embora tenha havido escassez pontual, o mercado como um todo está reabastecendo gradualmente, contribuindo para a pressão de baixa nos preços.

Panorama de oferta global torna-se mais complicado

A Organização Internacional do Café (OIC) reportou em novembro que as exportações globais de café do ano comercial atual (outubro a setembro) na verdade caíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sinalizando oferta restrita na fase de exportação. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA (FAS) apresentou uma visão mais expansionista em seu relatório de dezembro. O FAS projetou que a produção mundial de café em 2025/26 atingirá um recorde de 178,848 milhões de sacos—um aumento de 2,0% em relação ao ano anterior—impulsionada principalmente pelo aumento da produção de robusta, que subirá 10,9%, para 83,333 milhões de sacos, enquanto a produção de arábica contrairá 4,7%, para 95,515 milhões de sacos.

Esses sinais conflitantes—oferta restrita na exportação atual, mas produção recorde futura—explicam a confusão nos preços do mercado. Além disso, o FAS projeta que os estoques finais de 2025/26 cairão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25, indicando condições ligeiramente mais apertadas no futuro, apesar do aumento da produção. A produção do Brasil em 2025/26 deve diminuir 3,1% em relação ao ano anterior, para 63 milhões de sacos, enquanto a produção do Vietnã deve subir 6,2%, atingindo um máximo de quatro anos de 30,8 milhões de sacos, refletindo a mudança geográfica na produção para o Sudeste Asiático.

Perspectiva de mercado permanece contestada

Os preços do café atualmente refletem a tensão entre as realidades de oferta de curto prazo e as expectativas de produção de longo prazo. Enquanto a análise de commodities da Barchart mostra que regiões dependentes do clima, como Minas Gerais, enfrentam chuvas incertas, fatores contrários incluem a crescente capacidade de exportação do Vietnã e as projeções de aumento da produção global. Os traders que navegam pelos mercados de café devem ponderar se os níveis atuais de preço já descontam adequadamente a abundância de produção prevista ou se possíveis interrupções na oferta ainda podem sustentar avaliações mais altas. A dinâmica fundamental opõe previsões otimistas de produção de longo prazo às preocupações persistentes de inventário de curto prazo, criando um mercado de café em transição.

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