Os mercados de café apresentaram sinais mistos na segunda-feira, com o café arábica a subir devido a coberturas técnicas de posições vendidas, enquanto o robusta caiu para uma baixa de 4 semanas. Esta divergência entre as duas variedades de café reflete as suas perspetivas de oferta fundamentalmente diferentes, com o arábica a beneficiar de suporte técnico mesmo com o aumento da produção noutros locais, e o robusta a enfrentar pressões crescentes de exportação do maior produtor mundial.
Arábica Recupera-se Tecnicamente Apesar de Abundantes Stocks Brasileiros
O café arábica de março fechou a subir +1,00 pontos (+0,30%) na segunda-feira, impulsionado por uma cobertura técnica moderada após os preços não conseguirem romper abaixo da mínima de 5,5 meses de sexta-feira passada. Embora esta recuperação represente uma pausa de curto prazo, a pressão de longo prazo sobre os preços do arábica persiste devido às previsões de stocks abundantes no Brasil, principal produtor mundial de arábica.
A situação de precipitação na região de Minas Gerais, maior área de cultivo de arábica do país, apresenta um quadro misto. Segundo o relatório da Somar Meteorologia divulgado na segunda-feira, a região recebeu 69,8 mm de chuva durante a semana até 30 de janeiro, representando 117% da média histórica. Embora tal humidade abundante suporte rendimentos saudáveis, acaba por pressionar os preços ao sinalizar colheitas amplas no horizonte.
As previsões oficiais de produção reforçam esta abundância de oferta. A Conab, agência de estatísticas agrícolas do Brasil, aumentou a sua estimativa de produção de café para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, em dezembro, face aos 55,20 milhões de sacos estimados em setembro. Esta revisão ascendente sugere que a colheita de arábica no Brasil permanecerá robusta, mantendo os preços sob pressão estrutural de baixa, apesar de recuperações técnicas ocasionais como a de segunda-feira.
Robusta Enfrenta Aumento de Exportações do Vietname
Em contraste, o robusta enfraqueceu-se de forma mais acentuada, com o contrato de março do ICE a cair -84 pontos (-2,04%) para uma baixa de 4 semanas. Esta queda mais acentuada reflete a vulnerabilidade específica do robusta: as exportações de café do Vietname estão a disparar, inundando os mercados globais com fornecimentos mais baratos.
O Vietname, maior produtor mundial de robusta, reportou que as exportações de café de 2025 aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas, segundo dados do seu Escritório Nacional de Estatísticas divulgados a 5 de janeiro. Para o futuro, a produção de café de 2025/26 no Vietname está projetada a subir 6% em relação ao ano anterior, para 1,76 milhões de toneladas métricas (29,4 milhões de sacos), atingindo um máximo de 4 anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname acrescentou em outubro que a produção do país poderia ser 10% superior à do ano anterior, se as condições meteorológicas forem favoráveis.
Este fluxo massivo de robusta vietnamita é fundamentalmente diferente do quadro de oferta do arábica. Enquanto o arábica beneficia de algumas incertezas na produção brasileira, o robusta enfrenta um crescimento incessante de oferta de uma fonte dominante, criando uma pressão de baixa persistente nos preços.
Inventários Globais em Recuperação, Testando Ambas as Variedades
Um obstáculo notável para ambos, arábica e robusta, é a recuperação dos inventários monitorizados nas bolsas. Os inventários de arábica no ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos de 396.513 sacos a 18 de novembro, mas recuperaram para um máximo de 3,25 meses de 461.829 sacos até 7 de janeiro. De forma semelhante, os inventários de robusta desceram para um mínimo de 13 meses de 4.012 lotes a 10 de dezembro, antes de recuperarem para um máximo de 2 meses de 4.662 lotes na segunda-feira passada.
Esta recuperação dos inventários sugere que há stocks suficientes a chegar ao mercado, limitando as perspetivas de recuperação de preços a curto prazo para qualquer das variedades.
Declínio das Exportações do Brasil vs. Explosão de Envio do Vietname: A Divisão entre Arábica e Robusta
Um potencial ponto positivo surge dos dados de exportação de café do Brasil. Segundo o último relatório da Cecafe, as exportações de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4%, para 2,86 milhões de sacos, sendo que o arábica caiu especificamente 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos, e o robusta caiu acentuadamente 61%, para 222.147 sacos.
Esta contração das exportações brasileiras poderia, teoricamente, apoiar os preços do arábica ao reduzir a oferta do maior produtor mundial. No entanto, este benefício parece modesto face à pressão de baixa derivada das previsões de grandes colheitas brasileiras e das explosivas remessas de robusta do Vietname.
Previsões de Produção: Uma História de Dois Cafés
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou, no seu relatório de 18 de dezembro sobre a produção de 2025/26, uma visão de caminhos divergentes para o arábica e o robusta. A produção mundial de café deverá aumentar 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos, mas a composição importa.
A produção de arábica enfrenta obstáculos, com uma queda de 4,7% em relação ao ano anterior, para 95,515 milhões de sacos. A produção de arábica no Brasil deve diminuir 3,1%, para 63 milhões de sacos. Em contrapartida, a produção de robusta deverá subir 10,9% em relação ao anterior, para 83,333 milhões de sacos, com a produção do Vietname a disparar 6,2%, para 30,8 milhões de sacos — um máximo de 4 anos.
Esta divergência estrutural explica as diferentes trajetórias de preços do arábica e do robusta. Enquanto os stocks finais globais de café vão diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões em 2024/25, essa redução encobre uma mudança crítica: a oferta de arábica a encolher-se, enquanto a de robusta expande-se dramaticamente.
Perspetivas Futuras: Arábica e Robusta em Posicionamentos Distintos
A Organização Internacional do Café informou a 7 de novembro que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual caíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sinalizando um mercado global ligeiramente mais apertado. No entanto, esta constrição global oculta dinâmicas muito diferentes para o arábica e o robusta.
O arábica enfrenta um equilíbrio precário: stocks abundantes no Brasil e a recuperação dos inventários do ICE pressionam os preços para baixo, embora a força técnica e possíveis restrições de exportação do Brasil ofereçam suporte ocasional. O robusta, por sua vez, enfrenta uma avalanche de fornecimentos vietnamitas que manterão a pressão de baixa implacável durante toda a temporada. Para os traders, a divisão entre arábica e robusta é a principal conclusão — nem toda a pressão de preços do café é igual.
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Arabica e Robusta apresentam tendências divergentes face às dinâmicas globais de oferta
Os mercados de café apresentaram sinais mistos na segunda-feira, com o café arábica a subir devido a coberturas técnicas de posições vendidas, enquanto o robusta caiu para uma baixa de 4 semanas. Esta divergência entre as duas variedades de café reflete as suas perspetivas de oferta fundamentalmente diferentes, com o arábica a beneficiar de suporte técnico mesmo com o aumento da produção noutros locais, e o robusta a enfrentar pressões crescentes de exportação do maior produtor mundial.
Arábica Recupera-se Tecnicamente Apesar de Abundantes Stocks Brasileiros
O café arábica de março fechou a subir +1,00 pontos (+0,30%) na segunda-feira, impulsionado por uma cobertura técnica moderada após os preços não conseguirem romper abaixo da mínima de 5,5 meses de sexta-feira passada. Embora esta recuperação represente uma pausa de curto prazo, a pressão de longo prazo sobre os preços do arábica persiste devido às previsões de stocks abundantes no Brasil, principal produtor mundial de arábica.
A situação de precipitação na região de Minas Gerais, maior área de cultivo de arábica do país, apresenta um quadro misto. Segundo o relatório da Somar Meteorologia divulgado na segunda-feira, a região recebeu 69,8 mm de chuva durante a semana até 30 de janeiro, representando 117% da média histórica. Embora tal humidade abundante suporte rendimentos saudáveis, acaba por pressionar os preços ao sinalizar colheitas amplas no horizonte.
As previsões oficiais de produção reforçam esta abundância de oferta. A Conab, agência de estatísticas agrícolas do Brasil, aumentou a sua estimativa de produção de café para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, em dezembro, face aos 55,20 milhões de sacos estimados em setembro. Esta revisão ascendente sugere que a colheita de arábica no Brasil permanecerá robusta, mantendo os preços sob pressão estrutural de baixa, apesar de recuperações técnicas ocasionais como a de segunda-feira.
Robusta Enfrenta Aumento de Exportações do Vietname
Em contraste, o robusta enfraqueceu-se de forma mais acentuada, com o contrato de março do ICE a cair -84 pontos (-2,04%) para uma baixa de 4 semanas. Esta queda mais acentuada reflete a vulnerabilidade específica do robusta: as exportações de café do Vietname estão a disparar, inundando os mercados globais com fornecimentos mais baratos.
O Vietname, maior produtor mundial de robusta, reportou que as exportações de café de 2025 aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas, segundo dados do seu Escritório Nacional de Estatísticas divulgados a 5 de janeiro. Para o futuro, a produção de café de 2025/26 no Vietname está projetada a subir 6% em relação ao ano anterior, para 1,76 milhões de toneladas métricas (29,4 milhões de sacos), atingindo um máximo de 4 anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname acrescentou em outubro que a produção do país poderia ser 10% superior à do ano anterior, se as condições meteorológicas forem favoráveis.
Este fluxo massivo de robusta vietnamita é fundamentalmente diferente do quadro de oferta do arábica. Enquanto o arábica beneficia de algumas incertezas na produção brasileira, o robusta enfrenta um crescimento incessante de oferta de uma fonte dominante, criando uma pressão de baixa persistente nos preços.
Inventários Globais em Recuperação, Testando Ambas as Variedades
Um obstáculo notável para ambos, arábica e robusta, é a recuperação dos inventários monitorizados nas bolsas. Os inventários de arábica no ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos de 396.513 sacos a 18 de novembro, mas recuperaram para um máximo de 3,25 meses de 461.829 sacos até 7 de janeiro. De forma semelhante, os inventários de robusta desceram para um mínimo de 13 meses de 4.012 lotes a 10 de dezembro, antes de recuperarem para um máximo de 2 meses de 4.662 lotes na segunda-feira passada.
Esta recuperação dos inventários sugere que há stocks suficientes a chegar ao mercado, limitando as perspetivas de recuperação de preços a curto prazo para qualquer das variedades.
Declínio das Exportações do Brasil vs. Explosão de Envio do Vietname: A Divisão entre Arábica e Robusta
Um potencial ponto positivo surge dos dados de exportação de café do Brasil. Segundo o último relatório da Cecafe, as exportações de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4%, para 2,86 milhões de sacos, sendo que o arábica caiu especificamente 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos, e o robusta caiu acentuadamente 61%, para 222.147 sacos.
Esta contração das exportações brasileiras poderia, teoricamente, apoiar os preços do arábica ao reduzir a oferta do maior produtor mundial. No entanto, este benefício parece modesto face à pressão de baixa derivada das previsões de grandes colheitas brasileiras e das explosivas remessas de robusta do Vietname.
Previsões de Produção: Uma História de Dois Cafés
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou, no seu relatório de 18 de dezembro sobre a produção de 2025/26, uma visão de caminhos divergentes para o arábica e o robusta. A produção mundial de café deverá aumentar 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos, mas a composição importa.
A produção de arábica enfrenta obstáculos, com uma queda de 4,7% em relação ao ano anterior, para 95,515 milhões de sacos. A produção de arábica no Brasil deve diminuir 3,1%, para 63 milhões de sacos. Em contrapartida, a produção de robusta deverá subir 10,9% em relação ao anterior, para 83,333 milhões de sacos, com a produção do Vietname a disparar 6,2%, para 30,8 milhões de sacos — um máximo de 4 anos.
Esta divergência estrutural explica as diferentes trajetórias de preços do arábica e do robusta. Enquanto os stocks finais globais de café vão diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões em 2024/25, essa redução encobre uma mudança crítica: a oferta de arábica a encolher-se, enquanto a de robusta expande-se dramaticamente.
Perspetivas Futuras: Arábica e Robusta em Posicionamentos Distintos
A Organização Internacional do Café informou a 7 de novembro que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual caíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sinalizando um mercado global ligeiramente mais apertado. No entanto, esta constrição global oculta dinâmicas muito diferentes para o arábica e o robusta.
O arábica enfrenta um equilíbrio precário: stocks abundantes no Brasil e a recuperação dos inventários do ICE pressionam os preços para baixo, embora a força técnica e possíveis restrições de exportação do Brasil ofereçam suporte ocasional. O robusta, por sua vez, enfrenta uma avalanche de fornecimentos vietnamitas que manterão a pressão de baixa implacável durante toda a temporada. Para os traders, a divisão entre arábica e robusta é a principal conclusão — nem toda a pressão de preços do café é igual.