Preços do açúcar abaixo do nível devido à onda de pressões globais de excedente

Futuros de açúcar entraram numa forte tendência de baixa esta semana, com os contratos de Nova Iorque de março (SBH26) a cair 0,02 pontos, registando perdas, enquanto o açúcar branco de março de Londres ICE (SWH26) caiu significativamente, atingindo uma mínima de cinco anos. O principal fator por trás desta queda é simples: o mercado global de açúcar enfrenta um excesso de oferta sem precedentes que está sistematicamente a pressionar os preços em todos os principais centros de negociação. Várias agências de previsão convergiram numa conclusão sombria para os produtores — os stocks abundantes estão a ser ainda mais pressionados pelo aumento do impulso das exportações.

Principais Produtores de Açúcar Aumentam Produção para Níveis Recorde

O crescimento na produção global de açúcar parece imparável à medida que nos aproximamos da temporada 2025/26. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou, a 16 de dezembro, previsões indicando que a produção global subiria 4,6% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 189,318 milhões de toneladas métricas (MMT), enquanto o consumo global cresceria de forma mais modesta, 1,4%, para 177,921 MMT. Esta crescente disparidade entre oferta e procura é a questão fundamental que está a pressionar os níveis atuais de preços.

O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, lidera o aumento de produção. A agência brasileira de previsão de colheitas, Conab, aumentou a sua estimativa de produção para 2025/26 para 45 MMT no início de novembro. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta uma produção recorde de 44,7 MMT para o Brasil em 2025/26, refletindo um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior. Entretanto, a Unica reportou, a 21 de janeiro, que a região Centro-Sul do Brasil já tinha produzido 40,222 MMT até dezembro, um aumento de 0,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A região também aumentou a proporção de cana dedicada à produção de açúcar para 50,82%, contra 48,16% no ano anterior.

A trajetória de produção da Índia é igualmente dramática. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) reportou que a produção de 1 de outubro a 15 de janeiro atingiu 15,9 MMT, representando um aumento de 22% em relação ao ano anterior. A ISMA já tinha elevado a sua estimativa de produção para o ano completo de 2025/26 para 31 MMT em novembro, um valor que reflete um crescimento esperado de 18,8% em relação à temporada anterior. Este aumento é impulsionado por condições favoráveis de monções e pela expansão da área dedicada ao cultivo de açúcar. O USDA projeta uma produção da Índia de 35,25 MMT para 2025/26, um aumento ainda mais agressivo de 25% em relação ao ano anterior.

A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial, também está a expandir-se. A Thai Sugar Millers Corp previu, em outubro, que a colheita de 2025/26 cresceria 5% em relação ao ano anterior, atingindo 10,5 MMT. O USDA estima um aumento mais conservador de 2%, chegando a 10,25 MMT para o mesmo período.

Inundação de Exportações Agrava o Excesso Global

Os aumentos de produção estão a ser amplificados por decisões políticas e ambições de exportação que pressionam ainda mais os preços. A Índia, o segundo maior produtor mundial de açúcar, está prestes a tornar-se uma força exportadora importante, após o governo sinalizar a disposição de permitir envios adicionais para gerir o excedente interno. Em novembro, o Ministério da Alimentação da Índia aprovou que as usinas exportassem 1,5 MMT de açúcar durante a temporada 2025/26 — um volume significativo, considerando que a Índia implementou quotas de exportação restritivas em 2022/23 para proteger os stocks.

Esta liberalização das exportações representa uma mudança dramática na dinâmica do mercado. Com a Índia a libertar o oferta de exportação nos mercados globais após anos de restrições, aliada ao estatuto da Tailândia como o segundo maior exportador mundial, a confluência de aumentos de stocks de várias regiões está a criar uma pressão descendente sem precedentes nos preços globais.

Agências de Previsão Alertam para Excedentes Massivos

Analistas do setor têm sido notavelmente consistentes na previsão de condições de excesso de oferta, embora os números específicos variem. A Green Pool Commodity Specialists espera um excedente global de 2,74 MMT para 2025/26, com um excedente mais modesto de 156 mil MT previsto para 2026/27. A StoneX estima um excedente um pouco maior de 2,9 MMT para 2025/26. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta um excedente de 1,625 milhões de MT para 2025/26, após um défice de 2,916 milhões de MT no ano anterior — uma mudança substancial impulsionada pelo aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão.

As disparidades nas previsões sugerem uma grande incerteza, mas o consenso na direção é claro: os stocks estão a pressionar significativamente os preços devido à magnitude dos excedentes previstos. A trader de açúcar Czarnikow tem sido uma das mais pessimistas, elevando a sua estimativa de excedente global para 2025/26 para 8,7 MMT, em novembro, apenas 1,2 MMT acima da sua previsão de setembro de 7,5 MMT.

Até mesmo a Covrig Analytics, que aumentou a sua estimativa de excedente para 4,7 MMT em dezembro, vê uma possível alívio apenas em 2026/27, quando projeta que o excedente se contrairá para apenas 1,4 MMT, à medida que os preços fracos desencorajam a produção futura.

Perspetivas de Produção Criam Sinais Mistas para a Recuperação de Preços

Olhando para 2026/27, há alguns fatores moderadores que poderiam apoiar os preços nos anos seguintes. A Safras & Mercado previu, a 23 de dezembro, que a produção de açúcar no Brasil diminuiria 3,91%, para 41,8 MMT em 2026/27, face às 43,5 MMT esperadas em 2025/26. A consultora também prevê que as exportações de açúcar do Brasil cairiam 11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT em 2026/27. Esta redução na produção poderia, eventualmente, aliviar as condições atuais de excesso que estão a pressionar fortemente os valores de mercado.

No entanto, tal alívio ainda parece distante. Por agora, o açúcar permanece preso num ciclo de baixa, onde os abundantes stocks globais — provenientes do recorde de produção brasileira, do aumento das exportações indianas e da forte produção tailandesa — estão a pressionar qualquer potencial de recuperação de preços. As contas são convincentes: com a produção projetada a superar o consumo em mais de 11 MMT em 2025/26, os preços provavelmente permanecerão sob pressão até que surja disciplina na produção ou o consumo acelere inesperadamente.

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