Transformação digital do setor: como o Cybrothel em Berlim está redefinindo o futuro do comércio sexual

O mundo do comércio sexual está a passar por uma mudança revolucionária, cujo epicentro se encontra em Berlim. A introdução de tecnologias avançadas de IA e robótica neste setor já não é ficção científica – é uma realidade que especialistas, empresários e trabalhadores da indústria observam. O prostíbulo em Berlim está a ser transformado num laboratório de experiência sexual digital, o que levanta tanto questões sobre o futuro quanto dilemas éticos sérios.

Modelo de negócio inovador que transforma o tradicional prostíbulo em Berlim

O Cybrothel representa o primeiro exemplo mundial de digitalização completa deste negócio. Nos apartamentos alugados, onde antes funcionavam serviços tradicionais, agora encontram-se tamanhos naturais de bonecas eróticas com nomes provocativos – Bimbo ou Senhora Schmidt. Estes objetos, embora inanimados, estão ligados a um sistema avançado de realidade virtual.

Os clientes têm acesso a quatro opções de experiência:

  • Interação física com bonecas realistas
  • Procedimentos em conjuntos de VR com pornografia 4D
  • Conversas através de um sistema de sexting com IA
  • Combinações das opções acima em apartamentos decorados

O co-proprietário da empresa, Matthias Smetana, vê neste modelo o futuro da indústria. A sua equipa está atualmente a trabalhar na melhoria das bonecas – adicionando capacidades de resposta ao toque e fala real. Smetana vê o prostíbulo em Berlim como um símbolo de evolução, onde a robótica e a inteligência artificial estão a transformar a natureza das experiências sexuais.

Inteligência artificial versus tradição: vozes da indústria

A atração de clientes para o Cybrothel revela-se eficaz tanto para veteranos do comércio sexual à procura de novidades quanto para pessoas sem experiência. Smetana explica: «Aqui, o único juiz és tu mesmo. Pessoas que nunca tiveram contacto com trabalhadores do sexo vêm aqui, querendo experimentar sem pressão nem julgamento. Se tens receio das tuas capacidades, aqui isso não importa – estás a lidar com um brinquedo, não com um humano».

No entanto, a perspetiva da indústria não é unânime. Emma Bennet, gestora do prostíbulo tradicional Onyxx em Townsville, na Austrália, expressa ceticismo em relação a esta conceção. A sua clientela deseja toque autêntico e proximidade humana, não “sexo de ficção científica”. «Querem um humano para um humano – esse é o único tipo de interação sexual verdadeira», afirma Bennet. Na sua opinião, os clientes não pagarão por sexo direto com IA se faltar emoções reais e contacto pele com pele.

Transformações no mercado e previsões para o futuro

Dados mostram que o número de trabalhadores do setor do sexo na Alemanha caiu 30% em comparação com antes da pandemia de COVID-19. Smetana acredita que esta tendência irá acelerar. «Em 10-15 anos, os clientes tradicionais desaparecerão. A indústria tenderá para uma abordagem híbrida – envolvendo simultaneamente o mundo digital e o físico, onde o VR se torna uma extensão natural da experiência», prevê.

No entanto, esta visão é contestada por especialistas em sexualidade. Alice Child, sexóloga de Sydney, considera que os prostíbulos com IA podem oferecer exploração sem julgamento. Contudo, alerta também para o risco de substituição total da intimidade humana por algoritmos.

Ética, intimidade e a realidade do futuro digital

Alice Child destaca um paradoxo fundamental: «Um espaço sem julgamento é paradoxalmente um espaço sem sensibilidade. O sexo, por natureza, é um estado de vulnerabilidade. Se evitas a proximidade através do uso prolongado de IA, podes acabar por impedir-te de experimentar uma verdadeira intimidade humana com outra pessoa».

As suas preocupações indicam uma profunda diferença entre acesso e desenvolvimento – a tecnologia pode democratizar experiências, mas também pode afastar as pessoas de interações reais. O prostíbulo em Berlim, como modelo inovador, levanta questões não só sobre o futuro do negócio, mas sobre a própria natureza do desejo humano, da intimidade e das normas sociais que envolvem a sexualidade.

O futuro do comércio sexual parece caminhar para uma maior digitalização, mas vozes de especialistas e profissionais do setor sugerem que não será uma transformação total – antes, uma coexistência de tradição e tecnologia, onde ambos competirão pela atenção de clientes à procura de autenticidade.

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