Olhe para a situação do Irão recentemente, muitas pessoas não podem deixar de balançar a cabeça em desânimo. Um país que tinha na mão uma “carta de petróleo” extremamente forte, com parceiros de compras estáveis, e que em poucos anos se colocou numa crise total:
economia colapsada, moeda desvalorizada, a vida dos cidadãos a deteriorar-se, protestos a espalhar-se. À primeira vista, pode-se culpar as sanções, mas se olhar com atenção, este é o resultado de uma série de decisões erradas de caráter sistemático.
👉 A seguir, apresenta-se o quadro geral, desvendando as camadas para entender por que o Irão chegou a este ponto.
Ambição Excessiva: Quer “Sair da China” Mas Acaba por Quebrar a Própria Mesa
Durante muitos anos, a China foi o maior cliente de petróleo, quase como uma “ bóia de salvação” do Irão. Cerca de 90% do petróleo exportado pelo Irão era vendido para a China, maioritariamente pago em yuan e euro, ajudando o Irão a evitar o sistema financeiro controlado pelos EUA.
Este deveria ter sido um caminho de sobrevivência estável. Mas o Irão achou que vender para a China “não dava lucro suficiente”, querendo aumentar os preços e reduzir a dependência de um único comprador. A ideia parece razoável, mas na prática, é extremamente ingênua.
A Índia prometeu comprar petróleo, mas foi apenas palavras na mesa de negociações, sem contratos reais. Outros países temem sanções dos EUA, e evitam tocar no petróleo do Irão. Resultado: petróleo estocado no mar, sem poder vender; forte redução na exportação, e uma queda drástica na receita em moeda estrangeira.
A lição aqui é clara: quando estás cercado, ter um grande cliente disposto a comprar já é uma sorte. Querer depender dele para sobreviver, ao mesmo tempo que tenta manipular os preços, só faz com que ambos acabem por virar as costas.
Crise Interna: Moeda em Colapso, Inflação Explodindo, o Povo Sem Nada Para Perder
Se a exportação de petróleo é a principal fonte de receita do governo, então a moeda local é o indicador de confiança do povo. E neste ponto, o Irão falhou gravemente.
O rial perdeu mais de 90% do seu valor em uma década. No mercado negro, 1 USD equivale a centenas de milhares de rials. As poupanças das pessoas evaporaram em poucos anos. Os preços de alimentos, habitação e energia dispararam, muito acima dos rendimentos.
No final do ano, muitos comerciantes em Teerã fecharam suas lojas e saíram às ruas em protesto. O mais assustador para o governo não são os protestos por “o pão de cada dia”, mas quando os slogans mudam de “precisamos sobreviver” para “precisamos de liberdade”.
E a reação do governo? Mudanças na equipe, demissão do governador do banco central, e depois a reintegração de uma figura antiga – que foi destituída por políticas monetárias fracassadas.
Isso não é reforma, é apenas trocar de lugar a mesma mentalidade.
Sanções São a Faísca, Mas as Raízes São Autoaniquilação
Não se pode negar o papel das sanções dos EUA: restringir a exportação de petróleo, excluir o Irão do sistema financeiro internacional. Mas se apenas houver sanções e o interior for saudável, muitos países ainda podem resistir e se adaptar. O Irão não, por questões mais profundas:
Estrutura econômica distorcida: cerca de 80% do orçamento estatal depende do petróleo. Indústria de manufatura e agricultura fracas, incapazes de sustentar a economia quando o petróleo enfrenta problemas. Grupos de interesse e corrupção: a Guarda Revolucionária controla setores lucrativos como petróleo, telecomunicações e construção. Os lucros vão para um pequeno grupo, sem retornar à sociedade. Prioridades erradas: enquanto o povo luta para sobreviver, o governo gasta milhões em jogos de política internacional e forças externas às fronteiras.
Sanções são como uma forte chuva. Quem tem um teto firme fica apenas com os sapatos molhados, mas quem já tem a casa com buracos, acaba por desabar.
A China Ainda Pode Intervir Para Salvar?
No cenário atual, a possibilidade de a China continuar a “apoiar” o Irão é muito limitada.
Alto risco político: o Irão está profundamente dividido, com risco de instabilidade prolongada, tornando qualquer investimento de longo prazo arriscado. Oferta alternativa não falta: a Rússia vende petróleo barato, o Oriente Médio, com Arábia Saudita e Iraque, oferece uma oferta mais estável. Credibilidade na cooperação em declínio: acordos de longo prazo, antes amplamente divulgados, são pouco cumpridos, desgastando a confiança dos parceiros.
A China, na sua estratégia de política externa, sempre prioriza a “estabilidade”. Um parceiro instável, com políticas voláteis, é difícil de apostar a longo prazo.
Conclusão
A crise do Irão não é um desastre que caiu do céu, mas o resultado de ambições além das capacidades, má gestão e visão de curto prazo. Quando a economia está sufocada, a moeda desvaloriza, a confiança do povo se esgota, as sanções tornam-se a gota d’água.
O Irão enfrenta dois caminhos:
Ou uma reforma verdadeira, aceitando “uma dor de uma só vez” para reestruturar a economia e a política. Ou continuar a remendar, culpar o exterior, e esperar por mudanças maiores.
No jogo geopolítico e nos investimentos, um erro pode ser corrigido, mas erros consecutivos custam caro.
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Por que o Irã se coloca numa encruzilhada? Uma jogada de xadrez geopolítica que saiu do controle
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