
O AT Protocol é um protocolo aberto voltado para aplicações sociais, fundamentado em três pilares: “contas e dados portáteis, escolha algorítmica e moderação componível”. Internacionalmente, é conhecido como AT Protocol e constitui a base do aplicativo Bluesky. Diferente das blockchains, o AT Protocol funciona como uma rede federada composta por servidores independentes.
Nesse ambiente, as identidades dos usuários são representadas por DIDs (Identificadores Descentralizados). Imagine o DID como sua “identidade digital autossoberana”, sem vínculo obrigatório com qualquer empresa. Seu conteúdo e rede social ficam hospedados em um servidor de dados pessoal escolhido por você, podendo ser migrados para outros servidores sem perda de posts ou seguidores.
O AT Protocol opera por meio da integração entre “identidade portátil, servidores de dados pessoais e interfaces padronizadas”. Os usuários são identificados por DID, e o conteúdo é armazenado em Personal Data Servers (PDS). Serviços distintos sincronizam e exibem informações via APIs abertas.
Na camada de identidade, os DIDs podem ser associados ao seu domínio para facilitar o reconhecimento do nome de usuário ou utilizar identificadores gerados pelo sistema. O diferencial é que você mantém controle total da sua identidade, sem dependência de uma única plataforma. Na camada de dados, cada conta possui seu próprio repositório — como um HD portátil — com posts, curtidas, seguidores e demais registros.
Na camada de rede, servidores replicam e assinam dados seguindo protocolos definidos, formando uma rede social descentralizada que alia alta performance à facilidade de gestão.
O AT Protocol não é uma blockchain. Blockchains dependem de consenso global e são otimizadas para transferência de valor e registros imutáveis; já o AT Protocol utiliza arquitetura federada, priorizando eficiência, privacidade e flexibilidade. Os dados são hospedados em servidores independentes e sincronizados na rede.
Ambos — blockchains e AT Protocol — empregam assinaturas criptográficas para garantir autenticidade. Contudo, o AT Protocol dispensa mineradores e consenso global, operando de forma semelhante ao e-mail ou ActivityPub: provedores distintos administram seus próprios servidores, e os usuários podem migrar livremente.
Importante: o AT Protocol não possui token oficial, separando experiências sociais de atividades especulativas. Desconfie de promessas de “airdrops ou tokens do AT Protocol” — são, provavelmente, golpes.
O AT Protocol está estruturado em três grandes camadas: identidade, armazenamento e serviços.
Esses elementos viabilizam identidades portáteis, migração de dados e serviços intercambiáveis.
Portabilidade de conta permite trocar de provedor sem perder sua identidade ou rede social. Ao migrar do servidor A para o B, seu DID e seus seguidores acompanham você — seus fãs continuam encontrando seu perfil normalmente.
Esse recurso é valioso caso o provedor enfrente instabilidades, altere políticas ou se suas preferências de privacidade ou moderação mudarem. Por exemplo, se você publica a partir do PDS de um provedor, mas depois busca mais velocidade ou políticas diferentes, pode migrar para outro PDS em minutos, preservando sua conta e lista de seguidores.
O AT Protocol separa a geração de timeline dos aplicativos, delegando essa função a serviços independentes de Feed Generator. Você pode assinar diferentes algoritmos de timeline, sem depender de recomendações fechadas de uma única plataforma.
Por exemplo, é possível escolher um algoritmo que destaque apenas posts longos ou priorize republicações de amigos. Trocar sua timeline é simples: basta alterar a assinatura no app cliente. Desenvolvedores podem publicar novos algoritmos via interfaces abertas, criando um ecossistema de “marketplace de algoritmos”.
Novos usuários seguem geralmente quatro etapas — disponíveis no Bluesky e em outros aplicativos compatíveis:
Desenvolvedores podem interagir com o protocolo de quatro formas principais: clientes, motores de recomendação, ferramentas de moderação e serviços de hospedagem.
Desde o final de 2025, ferramentas e exemplos open source relacionados ao AT Protocol vêm crescendo rapidamente, facilitando a entrada de novos desenvolvedores.
Ao devolver controle a usuários e desenvolvedores, o AT Protocol traz novos desafios:
O AT Protocol evolui para mais abertura e flexibilidade. São esperados avanços em sistemas de identidade descentralizada, amadurecimento das colaborações de moderação e rotulagem orientadas pelo mercado, ecossistemas de algoritmos de recomendação mais sofisticados e testes de interoperabilidade com outros protocolos sociais abertos. Com mais opções de PDS e ferramentas disponíveis, usuários terão liberdade para migrar entre serviços, enquanto desenvolvedores poderão inovar rapidamente em novos aplicativos e algoritmos. O objetivo é encontrar um novo equilíbrio entre eficiência, controle do usuário e abertura nas redes sociais.
Construído sobre o AT Protocol, o Bluesky oferece como principais benefícios a propriedade dos dados pelo usuário e portabilidade de conta. Você pode exportar seus dados ou mudar de provedor a qualquer momento — sem ficar preso a uma plataforma. Além disso, algoritmos de recomendação abertos proporcionam mais opções ao usuário, em vez de feeds opacos definidos por sistemas fechados.
O AT Protocol permite gerenciar múltiplas identidades via DIDs (Identificadores Descentralizados), mas as contas são independentes — não é possível vinculá-las diretamente ao Twitter ou outras plataformas. Você pode incluir links para outros perfis na sua bio, facilitando que seguidores o encontrem em outros ambientes.
O Bluesky exigiu códigos de convite durante a fase inicial de testes, mas atualmente o cadastro está aberto para mais pessoas. Acesse bsky.app para conferir as políticas atuais. Quando o registro estiver liberado, basta um endereço de e-mail para se cadastrar e começar a postar — como nas redes sociais tradicionais.
Não — seus dados de conta ficam armazenados no provedor selecionado ou em seu próprio servidor — nunca em uma plataforma centralizada. A portabilidade garante que, mesmo que o provedor atual encerre, você possa migrar sua conta para outro compatível sem interrupção.
Se você valoriza privacidade dos dados, busca mais controle sobre recomendações de conteúdo ou tem interesse em protocolos abertos, o Bluesky pode ser ideal. Por outro lado, se depende fortemente de recursos comerciais ou redes de influenciadores específicas de outras plataformas, o ecossistema do Bluesky pode ainda não atender a todas as necessidades — considere utilizá-lo como plataforma complementar.


