A Zcash consolidou uma posição única dentro do ecossistema cripto

2026-01-04 07:15:36
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Blockchain
Este artigo examina como as provas de conhecimento zero aplicadas a shielded pools unem a política monetária do Bitcoin à privacidade típica do dinheiro físico. Essa estratégia reduz os riscos associados ao uso político das CBDCs e à exposição dos 24% do suprimento centralizado do Bitcoin à apreensão. Adicionalmente, soluciona desafios antigos por meio de atualizações como Sapling, Halo 2, Zashi e NEAR.

Entre todos os criptoativos além de Bitcoin e Ethereum, o ZEC (Zcash) foi o que mais se destacou em 2025 ao transformar a percepção do mercado sobre ativos monetários digitais. Tradicionalmente visto como uma moeda de privacidade de nicho, o ZEC não era considerado um ativo financeiro mainstream. Contudo, com o aumento da vigilância sobre o Bitcoin e a intensificação da adoção institucional, a privacidade voltou a ser um atributo monetário essencial — deixando de ser apenas uma escolha de poucos para se tornar uma demanda central.

O Bitcoin demonstrou que moedas digitais não soberanas podem operar globalmente, mas não oferece o nível de privacidade que os usuários esperam do dinheiro em espécie. Todas as transações são registradas em um livro-razão público e transparente, acessível a qualquer pessoa por meio de block explorers. Paradoxalmente, essa ferramenta — criada para desafiar o sistema financeiro tradicional — acabou gerando um verdadeiro panóptico financeiro.

O Zcash utiliza criptografia de prova de conhecimento zero para unir a política monetária do Bitcoin à privacidade do dinheiro físico. Atualmente, nenhum outro ativo digital oferece garantias de privacidade tão comprovadas e determinísticas quanto o último shielded pool do Zcash. Isso torna o Zcash uma forma singular e valiosa de dinheiro privado. A revalorização do ZEC frente ao BTC reflete seu status como a principal criptomoeda privada, posicionando-o como hedge tanto contra o avanço dos estados de vigilância quanto contra a institucionalização do Bitcoin.

Desde o início do ano, o ZEC já valorizou 666% em relação ao Bitcoin, atingindo um valor de mercado de US$7 bilhões e superando temporariamente o Monero (XMR) como maior moeda de privacidade. Esse desempenho mostra que o mercado passou a enxergar o ZEC, junto com o XMR, como uma alternativa viável de criptomoeda privada.

O Dilema da Privacidade do Bitcoin

É altamente improvável que o Bitcoin adote uma arquitetura de shielded pool, tornando insustentável a hipótese de que absorverá o valor do Zcash. A cultura conservadora do Bitcoin prioriza a ossificação do protocolo para minimizar riscos e proteger a integridade monetária. Adicionar privacidade no protocolo exigiria mudanças estruturais profundas, podendo criar vulnerabilidades inflacionárias e prejudicar a credibilidade do Bitcoin. O Zcash, por sua vez, assume esse risco porque a privacidade é sua proposta central de valor.

A implementação de provas de conhecimento zero na camada base impacta também a escalabilidade da blockchain. Isso exige o uso de nullifiers e hash memos para evitar gastos duplos, o que pode causar o chamado “state bloat” ao longo do tempo. Nullifiers se acumulam em listas crescentes, tornando cada vez mais custoso rodar um full node. Obrigar os nodes a armazenar esse volume crescente de dados eleva a barreira para operação de nodes, enfraquecendo a descentralização do Bitcoin.

Além disso, sem um soft fork que permita verificação de conhecimento zero (como OP_CAT), nenhuma solução de Layer 2 pode garantir privacidade no nível do Zcash sem comprometer a segurança do Bitcoin. As alternativas atuais ou dependem de intermediários confiáveis (modelos federados), aceitam retiradas longas e interativas (BitVM), ou transferem execução e segurança para sistemas paralelos (sovereign rollups). Enquanto isso persistir, não existe caminho para privacidade no padrão Zcash sem sacrificar a segurança do Bitcoin — reforçando o valor singular do ZEC como ativo privado.

Proteção Contra Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs)

A introdução das moedas digitais de bancos centrais elevou a demanda por moedas de privacidade. Metade dos países do mundo está estudando ou já lançou CBDCs. Essas moedas são programáveis, permitindo rastreamento de todas as transações e controle sobre como, quando e onde os fundos podem ser usados. O uso pode ser limitado a estabelecimentos ou regiões específicas.

Esse cenário pode soar distópico, mas a instrumentalização da infraestrutura financeira já é realidade:

  • Nigéria (2020): Durante os protestos EndSARS contra a violência policial, o Banco Central da Nigéria bloqueou contas de organizadores e grupos feministas, levando o movimento a adotar criptomoedas.
  • Estados Unidos (2020–2025): Reguladores e grandes bancos, alegando “risco reputacional” e motivos ideológicos, negaram serviços bancários a setores legais mas politicamente desfavorecidos — como petróleo e gás, armas, conteúdo adulto e cripto. O problema se agravou tanto que a Casa Branca exigiu revisão, e o relatório do OCC de 2025 documentou restrições sistemáticas a setores legais.
  • Canadá (2022): Durante os protestos do “Freedom Convoy”, o governo acionou a Lei de Emergências para congelar contas bancárias e cripto de manifestantes e doadores sem ordem judicial. A RCMP ainda incluiu 34 endereços de carteiras autogeridas em lista negra, obrigando exchanges reguladas a bloquear transações com esses endereços. Isso mostra que até democracias ocidentais podem usar sistemas financeiros para reprimir dissidentes.

Em um mundo onde o dinheiro pode ser programado para controlar pessoas, o Zcash representa uma saída real. Mas o Zcash não serve apenas para contornar CBDCs — tornou-se essencial também para proteger o próprio Bitcoin.

Proteção Contra o Risco de “Captura” do Bitcoin

Como argumentam Naval Ravikant e Balaji Srinivasan, o Zcash funciona como uma “apólice de seguro” para a visão de liberdade financeira do Bitcoin.

O Bitcoin está cada vez mais concentrado em mãos centralizadas. Exchanges centralizadas (cerca de 3 milhões de BTC), ETFs (aproximadamente 1,3 milhão de BTC) e empresas públicas (cerca de 829.000 BTC) detêm juntos cerca de 5,1 milhões de BTC — 24% de toda a oferta.

Essa centralização significa que quase um quarto do suprimento de Bitcoin está vulnerável a confisco regulatório, lembrando o que ocorreu na apreensão de ouro pelo governo dos EUA em 1933. Na época, uma ordem executiva obrigou americanos a entregar reservas de ouro acima de US$100 ao Federal Reserve, convertendo-as em papel-moeda por US$20,67 a onça — tudo imposto via sistema bancário, não pela força.

Com o Bitcoin, o mecanismo seria semelhante. Reguladores não precisam das suas chaves privadas — basta jurisdição sobre os custodians para apreender esses 24%. Governos poderiam simplesmente ordenar que instituições como BlackRock ou Coinbase congelem e transfiram os Bitcoins sob custódia. Quase um quarto da oferta poderia ser nacionalizado em questão de horas, sem quebrar a criptografia. Embora extremo, esse risco não pode ser ignorado.

Com a transparência da blockchain, a autocustódia já não é proteção perfeita. Qualquer Bitcoin retirado de plataformas com KYC pode ser rastreado e apreendido, pois o caminho do dinheiro leva inevitavelmente ao destino final dos tokens.

Detentores de Bitcoin podem converter ativos em Zcash, rompendo a cadeia de custódia e isolando patrimônio da vigilância. Ao ingressar no shielded pool do Zcash, o endereço de destino se torna um “buraco negro” criptográfico para terceiros. Reguladores podem rastrear fundos saindo da rede Bitcoin, mas não identificar o destino, tornando os ativos invisíveis ao Estado. Embora a conversão para fiat e o depósito em bancos ainda sejam gargalos, os ativos tornam-se resistentes à censura e de difícil rastreamento. Claro, a força desse anonimato depende inteiramente da segurança operacional do usuário — reutilizar endereços antes de blindar ou transferir fundos de exchanges KYC cria ligações rastreáveis permanentes.

Rumo à Adoção Mainstream

A demanda por dinheiro privado sempre existiu, mas o Zcash permanecia inacessível para a maioria dos usuários. Por anos, o protocolo esbarrou em altos requisitos de memória, tempos de prova longos e configurações complexas em desktop, tornando transações blindadas lentas e pouco práticas. Avanços recentes de infraestrutura vêm removendo essas barreiras e abrindo caminho para adoção em larga escala.

  • Upgrade Sapling: Reduziu os requisitos de memória em 97% (para cerca de 40MB) e o tempo de prova em 81% (para cerca de 7 segundos), tornando possível transações blindadas em dispositivos móveis.
  • Upgrade Orchard & Halo 2: Após resolver questões de velocidade, a trusted setup ainda era preocupação. Com o upgrade Orchard e a adoção do Halo 2, o Zcash eliminou a necessidade de trusted setup, alcançando verdadeira trustlessness. O novo sistema de “endereço unificado” integra endereços transparentes e blindados, dispensando escolha manual pelo usuário.
  • Zashi Wallet: Em março de 2024, a Electric Coin Company lançou a carteira Zashi para dispositivos móveis. Ao simplificar o uso de endereços unificados, ela torna transações blindadas questão de poucos toques, estabelecendo a privacidade como padrão.
  • Integração NEAR Intents: Resolveu o último gargalo de distribuição. Agora, usuários podem trocar ativos suportados (como BTC e ETH) por ZEC blindado direto na Zashi, sem exchanges centralizadas. O NEAR Intents também permite pagamentos com qualquer ativo suportado para qualquer endereço em mais de 20 blockchains, usando ZEC blindado como fonte de liquidez.

Esses avanços permitiram ao Zcash superar barreiras históricas, acessar liquidez global e atender com precisão às demandas do mercado.

Perspectivas Futuras

Desde 2019, a correlação móvel do ZEC com o BTC caiu de 0,90 para 0,24. Ao mesmo tempo, o beta móvel do ZEC em relação ao BTC atingiu máximas históricas. Ou seja, mesmo com movimentos de preço menos correlacionados, a volatilidade do ZEC é cada vez mais amplificada pelas oscilações do BTC. Essa divergência indica que o mercado atribui ao Zcash um “prêmio de privacidade” único.

Para o futuro, esperamos que o desempenho do ZEC seja impulsionado por esse prêmio de privacidade — à medida que o anonimato financeiro se valoriza em um cenário de vigilância crescente e finanças instrumentalizadas.

É improvável que o ZEC ultrapasse o BTC. O suprimento transparente e a auditabilidade incontestável do Bitcoin o consolidam como a forma mais sólida de criptomoeda. Já o Zcash enfrenta os trade-offs inerentes às moedas de privacidade: proteger a privacidade via ledger criptografado sacrifica a auditabilidade e pode introduzir riscos teóricos de inflação não detectada no shielded pool — riscos inexistentes no ledger transparente do Bitcoin.

Mesmo assim, o Zcash pode consolidar seu nicho sem substituir o BTC. Os ativos não competem diretamente, mas atendem a propósitos distintos no universo cripto. O BTC é dinheiro sólido, voltado para transparência e segurança. O ZEC é dinheiro privado, focado em confidencialidade e privacidade financeira. O sucesso do ZEC, portanto, está em complementar o BTC ao oferecer recursos que o Bitcoin propositalmente não contempla.

Declaração:

  1. Este artigo foi republicado de [Foresight News]. O copyright pertence ao autor original [@ 0xYoussef_]. Caso tenha dúvidas sobre esta republicação, entre em contato com a equipe Gate Learn, que irá tratá-las conforme os procedimentos estabelecidos.
  2. Aviso legal: As opiniões expressas neste artigo são do autor e não configuram recomendação de investimento.
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Fim da Migração dos Tokens OM
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