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Olá
É interessante notar como um tweet no X movimenta o mercado, levando pessoas a apostarem em cripto. Já fui um deles. Lembro de ter investido boa parte das minhas economias de um mês, há cerca de cinco anos, em Dogecoin porque, afinal, Elon Musk tuitou sobre isso. Na época, eu nem sabia direito o que era cripto.
Mas existe um tipo de capital que não entra em cripto por causa de um tweet, podcast ou palestra. Ele exige mais do que isso. Às vezes, é preciso um memorando de um órgão regulador federal, uma aprovação de risco e um ambiente de confiança.
A declaração mais recente da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), permitindo a negociação de produtos spot de cripto em bolsas registradas na CFTC, atende exatamente a essa demanda.
O aval da CFTC pode incentivar o mercado de derivativos mais institucionalizado dos EUA, a Chicago Mercantile Exchange (CME), a listar criptomoedas. Caso isso aconteça, o mercado pode se abrir para a entrada de grandes volumes de capital tradicional em cripto.
No artigo de hoje, explico como esse movimento pode permitir que o universo cripto chegue ao mesmo espaço onde os EUA mantêm seus ativos mais seguros — e por que isso é tão relevante.
Vamos à análise,

Muito antes dos mercados financeiros integrados de hoje, as pessoas não tinham interesse em negociar produtos financeiros. Não faltavam compradores ou vendedores; o problema era a confiança, já que todos temiam: “E se o outro lado não pagar?”
Hoje, esse receio não existe mais. Isso se deve à criação — muitas vezes subestimada — da bolsa de valores moderna, que estabelece confiança ao padronizar contratos, exigir transparência e fiscalizar condutas. Mercados sofisticados envolvem tudo isso em sistemas de clearing e margem, evitando que o risco de liquidação desestimule os traders.
Apesar do discurso sobre sistemas “trustless”, conquistar confiança nos mercados cripto ainda é difícil. O comunicado mais recente da CFTC pode preencher essa lacuna.
A presidente interina da CFTC, Caroline Pham, afirmou: “…produtos spot de criptomoedas listados começarão a ser negociados pela primeira vez em mercados federais regulados dos EUA em bolsas de futuros registradas na CFTC.” Para Pham, a medida dará aos americanos “mais opções e acesso a mercados seguros e regulados nos EUA.”
Essa atualização reposiciona o centro de gravidade do mercado cripto, à medida que o regulador busca integrar ativos digitais aos mercados tradicionais da maior economia do mundo.
Os números da CME mostram o potencial desse mercado spot para cripto.
Em 21 de novembro, os futuros e opções de cripto da CME atingiram o recorde histórico de 794.903 contratos negociados em um só dia, superando o recorde anterior de 728.475 contratos em 22 de agosto deste ano.
Os dados também mostram o quanto da atividade já migrou para o ambiente regulado da CME ao longo do ano. O volume médio diário no acumulado do ano (YTD) foi de 270.900 contratos, com valor nocional aproximado de US$12 bilhões, um crescimento de 132% em relação ao ano anterior (YoY). O open interest médio YTD ficou em 299.700 contratos, com volume nocional de US$26,6 bilhões, alta de 82% YoY.
Mesmo em um cenário hipotético, se a CME capturasse apenas 5% desse volume nocional em operações spot, seriam US$600 milhões por dia. Com 15%, esse número se aproximaria de US$2 bilhões/dia.
Mas qual é o diferencial de reunir spot e derivativos de cripto sob o mesmo teto na CME?
Primeiro, reduz a distância entre a posição do trader e sua estratégia de hedge. Hoje, muitos mantêm exposição em cripto em uma instituição e suas proteções em outra. Podem negociar futuros de cripto na CME por ser um ambiente regulado e com clearing, mas buscam exposição spot via ETFs, prime brokers ou exchanges. Cada transição entre plataformas pode não aumentar custos financeiros, mas traz atritos operacionais: mais contrapartes, mais burocracia, mais pontos de falha.
Quando um mercado regulado oferece spot e derivativos, a proteção fica mais eficiente, e o giro de posições é otimizado. Ambas as pontas da operação passam a existir sob o mesmo ambiente de compliance, onde margem, reporte e supervisão já são padrão.
Plataformas cripto que oferecem spot e derivativos — como Coinbase (com Deribit), Kraken e Robinhood — já colhem os benefícios de centralizar tudo para seus usuários.
A segunda vantagem é redefinir o conceito de “spot” para grandes investidores institucionais.
Enquanto o investidor de varejo compra spot em uma exchange pensando no preço, um fundo considera custódia, liquidação, reporte e a resiliência do mercado em momentos de estresse.
Uma bolsa de derivativos como a CME já oferece um sistema que transmite confiança. A clearing house, o sistema de margem e a supervisão proporcionam um ambiente seguro e regulado para grandes fundos movimentarem capital, mesmo em meio à volatilidade do mercado cripto.
Dezenas de bilhões de dólares podem ingressar por meio dos principais fundos. Só os emissores de ETFs de Bitcoin spot nos EUA já detêm mais de US$112 bilhões em ativos. Desde o lançamento, em janeiro de 2024, esses emissores receberam mais de US$57 bilhões em entradas acumuladas.
Um ecossistema integrado de spot e derivativos pode transferir parte da participação do modelo “posse via fundo” para “negociação direta no mercado”. Para os fundos, isso representa redução de custos e maior controle.
ETFs cobram taxas e são projetados para custodiar o ativo. Apesar de negociarem como ações, ainda dependem da infraestrutura do mercado acionário durante o pregão. Fundos que precisam gerenciar riscos e explorar ineficiências preferem operar em ambientes que permitam hedge 24 horas, execução precisa, rebalanceamentos frequentes ou market making.
A terceira vantagem é operacional.
A CFTC justificou sua decisão como resposta a “eventos recentes em bolsas offshore” e argumentou que os americanos merecem acesso a mercados com proteção ao cliente e integridade. O detalhe central é a alavancagem. Pham ressaltou as reformas pós-crise financeira e afirmou que o Congresso pretendia que negociações alavancadas de commodities para o varejo acontecessem em bolsas de futuros, mas faltava clareza regulatória há anos.
A alavancagem é onde ocorrem os maiores riscos do universo cripto. Não é preciso ir longe: em 10 de outubro, vimos US$19 bilhões serem liquidados no maior evento do tipo no setor. Se a alavancagem migrar para plataformas com supervisão, disciplina de margem e clearing, ao menos haverá mais transparência. Em vez de liquidações em cascata em bolsas offshore sem transparência, temos margens visíveis, contrapartes conhecidas e regras claras.
A atualização já levou plataformas cripto a se comprometerem com tratamento justo tanto para o varejo quanto para institucionais.
Logo após o comunicado da CFTC, a bolsa de derivativos Bitnomial, regulada nos EUA, anunciou oferecer “tratamento igualitário e justo” para ordens de varejo e institucionais, sem roteamento preferencial.
Considerando todos esses fatores, a iniciativa da CFTC é promissora, pois pode tornar o trading spot de cripto simples e confiável — algo que só estava disponível para grandes volumes de capital até então.
A decisão da CFTC não transforma a CME, de imediato, em uma bolsa spot de cripto completa. Mesmo que avance, a primeira versão tende a ser conservadora, com menos ativos, termos de alavancagem restritos e acesso via intermediários já presentes no ecossistema CME.
Afinal, confiança sempre foi construída de forma gradual. Historicamente, ela só veio com a implementação de proteções, nunca por um tweet aleatório no X.
Esse foi o destaque da semana. Até o próximo.
Até lá, mantenha-se atento,





