Guiné-Bissau encerrou um controverso ensaio de vacina contra a hepatite B financiado pela administração Trump, após uma forte repreensão ética da Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertou que o estudo poderia causar danos irreversíveis aos recém-nascidos.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, João Bernardo Vieira, confirmou a decisão do país na terça-feira, anunciando que o governo encerrou o ensaio em resposta às objeções do organismo internacional de saúde.
“Não vai acontecer, ponto final”, afirmou, segundo a mídia.
O ensaio, financiado por uma subvenção de 1,6 milhões de dólares dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), tinha como objetivo inscrever aproximadamente 14.000 recém-nascidos em Guiné-Bissau — um país onde as taxas de infecção por hepatite B estão entre as mais altas do mundo. Segundo o seu plano, os bebés seriam aleatoriamente designados a receber a vacina ao nascer ou aos seis semanas de idade. Críticos imediatamente apontaram que o desenho do estudo era profundamente problemático, argumentando que efetivamente negaria a metade dos bebés inscritos a dose de nascimento.
Em uma declaração emitida na sexta-feira passada, a OMS condenou o estudo proposto como “não ético”, alertando que atrasar a vacinação poderia causar “danos irreversíveis” às crianças participantes. A agência descreveu a vacina de dose de nascimento como “uma intervenção de saúde pública eficaz e essencial, com um histórico comprovado”, observando que ela preveniu entre 70 e 95 por cento das transmissões de hepatite B de mãe para filho ao longo de mais de três décadas.
A oposição ao ensaio vinha crescendo há semanas. A ex-ministra da Saúde de Guiné-Bissau, Magda Robalo, destacou-se como uma de suas críticas mais proeminentes, dizendo à revista científica Nature no mês passado que o ensaio é “inaceitável e não deve continuar”.
Pesquisadores do Projeto de Saúde Bandim — um instituto baseado em Guiné-Bissau operado pela Universidade do Sul da Dinamarca — reagiram às críticas crescentes. O investigador principal, Frederik Schaltz-Buchholzer, argumentou que a controvérsia tinha se desviado do mérito científico, dizendo que o debate tinha mudado para a política em vez de discussão científica.
O ensaio já havia sido suspenso em janeiro, aguardando uma avaliação ética formal, após o comitê nacional responsável por avaliar esse tipo de pesquisa não ter realizado uma análise completa do protocolo do estudo, segundo autoridades de saúde.
O Diretor-Geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, Jean Kaseya, usou o episódio para emitir um aviso mais amplo, afirmando que as autoridades de saúde africanas devem manter o controle sobre as pesquisas realizadas no continente.
Guiné-Bissau, uma das nações mais vulneráveis economicamente na África Ocidental, estava no caminho de incorporar uma vacina contra a hepatite B de dose de nascimento em seu calendário nacional de imunizações até 2028. Se o colapso do ensaio atrasará esse cronograma, ainda não se sabe.
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Guiné-Bissau interrompe estudo da vacina contra a hepatite B apoiado por Trump
Guiné-Bissau encerrou um controverso ensaio de vacina contra a hepatite B financiado pela administração Trump, após uma forte repreensão ética da Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertou que o estudo poderia causar danos irreversíveis aos recém-nascidos.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, João Bernardo Vieira, confirmou a decisão do país na terça-feira, anunciando que o governo encerrou o ensaio em resposta às objeções do organismo internacional de saúde.
“Não vai acontecer, ponto final”, afirmou, segundo a mídia.
O ensaio, financiado por uma subvenção de 1,6 milhões de dólares dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), tinha como objetivo inscrever aproximadamente 14.000 recém-nascidos em Guiné-Bissau — um país onde as taxas de infecção por hepatite B estão entre as mais altas do mundo. Segundo o seu plano, os bebés seriam aleatoriamente designados a receber a vacina ao nascer ou aos seis semanas de idade. Críticos imediatamente apontaram que o desenho do estudo era profundamente problemático, argumentando que efetivamente negaria a metade dos bebés inscritos a dose de nascimento.
Em uma declaração emitida na sexta-feira passada, a OMS condenou o estudo proposto como “não ético”, alertando que atrasar a vacinação poderia causar “danos irreversíveis” às crianças participantes. A agência descreveu a vacina de dose de nascimento como “uma intervenção de saúde pública eficaz e essencial, com um histórico comprovado”, observando que ela preveniu entre 70 e 95 por cento das transmissões de hepatite B de mãe para filho ao longo de mais de três décadas.
A oposição ao ensaio vinha crescendo há semanas. A ex-ministra da Saúde de Guiné-Bissau, Magda Robalo, destacou-se como uma de suas críticas mais proeminentes, dizendo à revista científica Nature no mês passado que o ensaio é “inaceitável e não deve continuar”.
Pesquisadores do Projeto de Saúde Bandim — um instituto baseado em Guiné-Bissau operado pela Universidade do Sul da Dinamarca — reagiram às críticas crescentes. O investigador principal, Frederik Schaltz-Buchholzer, argumentou que a controvérsia tinha se desviado do mérito científico, dizendo que o debate tinha mudado para a política em vez de discussão científica.
O ensaio já havia sido suspenso em janeiro, aguardando uma avaliação ética formal, após o comitê nacional responsável por avaliar esse tipo de pesquisa não ter realizado uma análise completa do protocolo do estudo, segundo autoridades de saúde.
O Diretor-Geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, Jean Kaseya, usou o episódio para emitir um aviso mais amplo, afirmando que as autoridades de saúde africanas devem manter o controle sobre as pesquisas realizadas no continente.
Guiné-Bissau, uma das nações mais vulneráveis economicamente na África Ocidental, estava no caminho de incorporar uma vacina contra a hepatite B de dose de nascimento em seu calendário nacional de imunizações até 2028. Se o colapso do ensaio atrasará esse cronograma, ainda não se sabe.