Relatório de Empregos de Fevereiro Mostra Desaceleração na Contratação Apesar do Aumento de Vagas em Setores-Chave

O mercado de trabalho está a enviar sinais mistos. Enquanto o mercado bolsista digeria os resultados trimestrais e dados de emprego mais recentes na quarta-feira, 4 de fevereiro, surgiu uma desconexão curiosa: as ofertas de emprego corporativas permanecem elevadas em certos setores, mesmo com a contratação efetiva a fraquejar. O relatório da ADP revelou que as folhas de pagamento do setor privado expandiram-se apenas em 22.000 em janeiro — menos da metade do que os economistas antecipavam. No entanto, esta fotografia das dificuldades de emprego contrasta fortemente com as ofertas de trabalho persistentes, particularmente nos setores da saúde, serviços financeiros e construção, pintando um quadro de um mercado onde há vagas disponíveis, mas com um ritmo de contratação mais fraco.

A reação imediata do mercado refletiu esta complexidade. As negociações pré-mercado mostraram o Russell 2000 a ganhar 12 pontos, enquanto o Nasdaq, com forte componente tecnológico, recuou 66 pontos, o Dow avançou 142 pontos e o S&P 500 subiu 10 pontos — uma divergência reveladora que sublinha a incerteza dos investidores sobre onde o crescimento realmente se materializará.

Crescimento das Folhas de Pagamento Privadas fica aquém; setor de Serviços impulsiona ganhos modestos

O relatório mensal de emprego da Automated Data Processing trouxe notícias decepcionantes para os otimistas do mercado laboral. As adições de janeiro foram de apenas 22.000 novas posições — uma forte queda face às 37.000 revistas em baixa em dezembro. Este é o primeiro mês consecutivo de crescimento de emprego no setor privado desde a primavera de 2025, mas a magnitude sugere que o momentum é frágil.

A composição das contratações conta uma história importante. O setor de serviços representou quase todas as melhorias, com 21.000 novas posições, enquanto as indústrias de bens produziram apenas 1.000 empregos. Dentro dos serviços, a saúde liderou com 74.000 novas posições, seguida por 14.000 em serviços financeiros e 9.000 na construção. Estas vagas em saúde refletem a procura contínua devido ao envelhecimento da população e à expansão dos serviços médicos.

No entanto, surgiram sinais preocupantes noutros setores. Os Serviços Profissionais e Empresariais cortaram 57.000 empregos — uma retracção significativa — enquanto a manufatura não registou meses de crescimento positivo nas folhas de pagamento ADP desde início de 2024. Esta divergência entre oportunidades crescentes em alguns setores e o encolhimento do emprego noutros explica porque há vagas disponíveis coexistindo com uma contratação mais fraca.

Nela Richardson, Economista Chefe da ADP, ofereceu uma avaliação franca durante uma aparição na imprensa matinal: “A contratação tem seguido o consumidor, não a tecnologia.” Esta observação revela uma desconexão mais ampla. Apesar do boom de investimentos em IA que tem energizado os mercados bolsistas nos últimos anos, o mercado de trabalho do setor privado não tem criado empregos na mesma proporção. A construção de centros de dados poderá eventualmente impulsionar ganhos de emprego, mas as evidências continuam escassas. O cenário preocupante a longo prazo — de que a inteligência artificial irá substituir trabalhadores em vários setores — permanece especulativo.

Para agravar as preocupações sobre a qualidade do emprego, a ADP lançou uma importante ajustamento de “correção” na sua metodologia. Os números revistos mostram que ocorreram 212.000 contratações privadas a menos ao longo de 2025 do que anteriormente reportado. Esta recalibração significa que o ano totalizou apenas 398.000 novas posições no setor privado, uma redução acentuada face às 771.000 de 2024. Para os investidores que monitorizam a saúde do mercado de trabalho, esta revisão para baixo é um dado crítico — mesmo que seja uma má notícia.

O encerramento parcial do governo está agora a atrasar o relatório de emprego não agrícola de sexta-feira do U.S. Bureau of Labor Statistics. Os mercados esperavam cerca de 60.000 novos empregos nesse relatório, com a taxa de desemprego a manter-se nos 4,4%.

Ações de Farmacêuticas e Energia sobem com resultados trimestrais fortes

Os resultados do quarto trimestre trouxeram algum otimismo compensatório. Várias grandes empresas farmacêuticas apresentaram resultados superiores às expectativas, começando pela Eli Lilly & Co., que registou lucros de 7,54 dólares por ação — uma superação de 7,9% face às estimativas — com receitas de 19,29 mil milhões de dólares, também acima das projeções em 7,9%. A força da empresa nos medicamentos para diabetes e perda de peso (Zepbound e Mounjaro) indicou um impulso robusto em áreas terapêuticas de alto crescimento.

A AbbVie reportou lucros de 2,71 dólares por ação, face aos 2,66 dólares previstos, uma ligeira superação que não impressionou os investidores; as ações caíram 3% apesar da surpresa positiva. A Novartis apresentou 2,03 dólares por ação, superando as expectativas em quatro cêntimos, com as ações a responderem positivamente, subindo 1,6%. Ambas as empresas receberam uma classificação Zacks Rank 3 (Manter), refletindo uma postura cautelosa por parte dos analistas.

Continuando o seu forte desempenho, a Phillips 66 superou as expectativas de lucros esta manhã, com 2,47 dólares por ação, face aos 2,11 dólares previstos — uma reversão impressionante de uma perda de 0,15 dólares por ação no trimestre do ano anterior. As ações da refinadora de energia subiram 1,3% com estes resultados encorajadores.

Implicação mais ampla: lacunas de emprego e direção do mercado

A divergência entre a força dos lucros corporativos no quarto trimestre e a fraqueza na contratação do setor privado levanta uma questão fundamental: as empresas estão a priorizar a rentabilidade e a automação em detrimento do crescimento do emprego? Enquanto as vagas disponíveis permanecem elevadas em saúde, construção e serviços financeiros, o mercado de trabalho global continua limitado. Esta lacuna de oportunidades de emprego sugere que ganhos rápidos de produtividade — possivelmente impulsionados pela tecnologia — estão a permitir às empresas expandir lucros sem um aumento proporcional da força de trabalho.

Para os investidores, os dados de hoje reforçam uma realidade complexa: o mercado bolsista pode prosperar com a rentabilidade corporativa, mesmo quando o mercado de trabalho enfrenta dificuldades, e as ofertas de emprego podem permanecer elevadas mesmo com uma contratação geral mais lenta. Navegar neste ambiente exige distinguir entre setores onde as vagas disponíveis refletem crescimento genuíno (saúde, construção) e aqueles onde as posições permanecem por preencher devido a desajustes de competências ou disciplina na contratação.

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