No mercado acionário brasileiro, investidores frequentemente se deparam com uma escolha: comprar ações ordinárias (ON), ações preferenciais (PN) ou optar pelas Units que combinam ambas? Cada uma oferece um pacote diferente de direitos e benefícios, e entender essas diferenças é essencial para montar uma estratégia de investimento alinhada aos seus objetivos.
Quando você compra uma ação, está adquirindo uma fatia real de uma empresa – virando acionista e tendo direito a participar dos lucros e do crescimento corporativo. Mas nem todas as ações funcionam do mesmo jeito. Alguns tipos priorizam influência nas decisões da empresa, outros focam em receber mais dividendos, e ainda há quem queira o melhor dos dois mundos. Vamos desvendar essa trama.
Units: a porta de entrada prática
Comecemos pelas Units, porque elas são mais simples do que parecem. Imagine uma Unit como um “kit combo” da bolsa de valores: em uma única compra, você adquire um pacote pré-montado contendo ações ordinárias e preferenciais da mesma empresa, sem precisar negociar cada uma separadamente.
Por que isso importa? Porque você consegue diversificação em uma transação só. Exemplo real: ao comprar uma Unit do Santander (SANB11), você está levando 1 ação ordinária + 4 ações preferenciais de uma vez. Klabin (KLBN11) e Sanepar (SAPR11) funcionam da mesma forma.
Os benefícios práticos são:
Simplicidade operacional: sem necessidade de múltiplas operações na corretora.
Maior liquidez em muitos casos: especialmente quando as ações ON e PN individuais têm pouca negociação no mercado.
Exposição equilibrada: você pega direitos de voto (via ON) e preferência em dividendos (via PN) de uma porrada.
A desvantagem? A proporção entre ON e PN é decidida pela empresa, não por você. Se preferisse 70% PN e 30% ON, não conseguiria essa customização em uma Unit.
Ações Ordinárias (ON): poder de voto, mas sem prioridade
As ações ordinárias e preferenciais diferem basicamente em dois pontos: direito de voto e prioridade de dividendos. Comecemos pelas ordinárias.
Na bolsa brasileira, identificam-se pelo algarismo “3” no final do ticker (PETR3, VALE3, ITUB3). O diferencial principal? Direito de voto em assembleias gerais. Quanto mais ações ON você possui, mais poder tem para influenciar decisões estratégicas da empresa.
Isso é particularmente relevante em empresas onde decisões críticas estão acontecendo: fusões, mudanças de gestão, aprovação de grandes investimentos. Se você é um investidor de longo prazo com participação significativa, ter voz ativa na mesa de negociações pode fazer diferença real nos resultados.
Além do voto, quem possui ações ordinárias recebe:
Dividendos: parcela dos lucros distribuídos pela empresa
Direito de subscrição: preferência em comprar novas ações caso a empresa lance novos papéis
Bonificações: distribuição de novas ações proporcionais ao que você já tem
Os riscos? Ações ON sofrem volatilidade de mercado igual a qualquer outro papel. E aqui está o “mas”: diferentemente das preferenciais, você não tem prioridade se a empresa decidir distribuir dividendos limitados. Em épocas de crise, quem recebe primeiro são os acionistas preferenciais.
Exemplos de ON negociadas: Petrobras (PETR3), Vale (VALE3), Itaú Unibanco (ITUB3).
Ações Preferenciais (PN): receba dividendos em primeiro lugar
Identificadas pelo “4” ou “5” no ticker (PETR4, BBDC4, GGBR4), as ações preferenciais e ordinárias divergem principalmente no ponto de distribuição de lucros.
As PN não te dão direito de voto, mas oferecem prioridade garantida no recebimento de dividendos. Em muitos casos, o estatuto da empresa define um percentual mínimo fixo que acionistas preferenciais recebem antes de qualquer distribuição aos ordinários.
Caso prático: Banco Santander sempre distribui 10% a mais de dividendos para PN (SANB4) comparado com ON (SANB3). Se o banco divide R$ 100 de lucro, acionistas PN pegam sua fatia primeiro e geralmente maior.
Isso é especialmente protetor em cenários de crise ou menor lucratividade. Enquanto a empresa divide um bolo pequeno, quem tem PN está na fila prioritária.
Outras vantagens das ações preferenciais:
Maior liquidez: em muitos casos são mais negociadas que ON, facilitando compra e venda
Preferência em reembolso: se a empresa for liquidada, PN recebe seu dinheiro antes
Mesmos direitos de subscrição e bonificação: igual às ON
A desvantagem? Sem direito de voto, você não pode influenciar decisões corporativas. Raramente isso é um problema para investidor minoritário, mas em situações onde a gestão faz escolhas questionáveis, acionistas PN ficam desamparados.
Exemplos do mercado: Petrobras (PETR4), Bradesco (BBDC4), Gerdau (GGBR4).
A proteção que você não pode ignorar: Tag Along
Independentemente de escolher ON, PN ou Units, existe um mecanismo de proteção que você precisa conhecer: o Tag Along.
Imagine que um fundo de investimento compre o controle total da empresa em que você tem ações. Sem proteção, você poderia ficar com papéis de uma companhia sob nova gestão, sem poder fazer nada. O Tag Along muda isso.
Esse direito permite que acionistas minoritários vendam suas ações pelo mesmo preço oferecido aos controladores, evitando perdas injustas quando há mudança de controle. É basicamente um “pule fora aqui pelo mesmo valor” oferecido aos pequenos acionistas.
Mas cuidado: nem toda ação oferece 100% de Tag Along. A Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (TRPL3), por exemplo, oferece apenas 80% de Tag Along para ON e 0% para PN. Isso significa que acionistas PN estão completamente desprotegidos em caso de venda.
Esse é um detalhe que muitos investidores ignoram, mas que pode custar caro.
Como montar sua estratégia: ON, PN ou Units?
A resposta não é igual para todo mundo. Depende do que você busca:
Escolha Units se: quer simplicidade, diversificação em uma operação e não se importa em perder flexibilidade na proporção ON/PN.
Escolha ON se: você tem uma participação considerável na empresa e quer influenciar decisões, ou acredita que haverá disputas de controle importantes em breve.
Escolha PN se: seu foco é receber dividendos consistentes, prefere empresas mais estáveis e quer maior prioridade na distribuição de lucros.
Na prática, muitos investidores usam uma combinação: Units para diversificação fácil + compra individual de PN em empresas onde querem renda focada + ações ON em empresas onde têm tese de longo prazo e significativa.
O papel das ações preferenciais e ordinárias no seu portfólio
As ações preferenciais e ordinárias representam diferentes filosofias de investimento. ON é para quem quer voz ativa e acredita que pode influenciar resultados. PN é para quem quer receber fluxo de caixa com proteção prioritária.
Units funcionam como uma ponte entre os dois mundos, oferecendo flexibilidade com custo de rigidez na customização.
Checklist final
Antes de comprar qualquer papel, pergunte-se:
Preciso de direito de voto nessa empresa? (Se sim, ON é melhor)
Qual é meu horizonte de investimento? (Curto prazo pode pedir mais liquidez)
Essa empresa tem histórico de dividendos consistentes? (Se sim, PN faz sentido)
Qual é o percentual de Tag Along oferecido? (Sempre confira)
Estou comprando porque entendo o negócio, ou só porque “todo mundo está comprando”?
As ações ordinárias, preferenciais e Units são ferramentas poderosas quando usadas com intenção. O investidor educado não escolhe apenas pelo nome da ação, mas pela compreensão real de como cada uma funciona e o que ela oferece em termos de direitos, riscos e retornos.
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ON vs PN vs Units: qual delas faz sentido para sua carteira?
No mercado acionário brasileiro, investidores frequentemente se deparam com uma escolha: comprar ações ordinárias (ON), ações preferenciais (PN) ou optar pelas Units que combinam ambas? Cada uma oferece um pacote diferente de direitos e benefícios, e entender essas diferenças é essencial para montar uma estratégia de investimento alinhada aos seus objetivos.
Quando você compra uma ação, está adquirindo uma fatia real de uma empresa – virando acionista e tendo direito a participar dos lucros e do crescimento corporativo. Mas nem todas as ações funcionam do mesmo jeito. Alguns tipos priorizam influência nas decisões da empresa, outros focam em receber mais dividendos, e ainda há quem queira o melhor dos dois mundos. Vamos desvendar essa trama.
Units: a porta de entrada prática
Comecemos pelas Units, porque elas são mais simples do que parecem. Imagine uma Unit como um “kit combo” da bolsa de valores: em uma única compra, você adquire um pacote pré-montado contendo ações ordinárias e preferenciais da mesma empresa, sem precisar negociar cada uma separadamente.
Por que isso importa? Porque você consegue diversificação em uma transação só. Exemplo real: ao comprar uma Unit do Santander (SANB11), você está levando 1 ação ordinária + 4 ações preferenciais de uma vez. Klabin (KLBN11) e Sanepar (SAPR11) funcionam da mesma forma.
Os benefícios práticos são:
Simplicidade operacional: sem necessidade de múltiplas operações na corretora.
Maior liquidez em muitos casos: especialmente quando as ações ON e PN individuais têm pouca negociação no mercado.
Exposição equilibrada: você pega direitos de voto (via ON) e preferência em dividendos (via PN) de uma porrada.
A desvantagem? A proporção entre ON e PN é decidida pela empresa, não por você. Se preferisse 70% PN e 30% ON, não conseguiria essa customização em uma Unit.
Ações Ordinárias (ON): poder de voto, mas sem prioridade
As ações ordinárias e preferenciais diferem basicamente em dois pontos: direito de voto e prioridade de dividendos. Comecemos pelas ordinárias.
Na bolsa brasileira, identificam-se pelo algarismo “3” no final do ticker (PETR3, VALE3, ITUB3). O diferencial principal? Direito de voto em assembleias gerais. Quanto mais ações ON você possui, mais poder tem para influenciar decisões estratégicas da empresa.
Isso é particularmente relevante em empresas onde decisões críticas estão acontecendo: fusões, mudanças de gestão, aprovação de grandes investimentos. Se você é um investidor de longo prazo com participação significativa, ter voz ativa na mesa de negociações pode fazer diferença real nos resultados.
Além do voto, quem possui ações ordinárias recebe:
Os riscos? Ações ON sofrem volatilidade de mercado igual a qualquer outro papel. E aqui está o “mas”: diferentemente das preferenciais, você não tem prioridade se a empresa decidir distribuir dividendos limitados. Em épocas de crise, quem recebe primeiro são os acionistas preferenciais.
Exemplos de ON negociadas: Petrobras (PETR3), Vale (VALE3), Itaú Unibanco (ITUB3).
Ações Preferenciais (PN): receba dividendos em primeiro lugar
Identificadas pelo “4” ou “5” no ticker (PETR4, BBDC4, GGBR4), as ações preferenciais e ordinárias divergem principalmente no ponto de distribuição de lucros.
As PN não te dão direito de voto, mas oferecem prioridade garantida no recebimento de dividendos. Em muitos casos, o estatuto da empresa define um percentual mínimo fixo que acionistas preferenciais recebem antes de qualquer distribuição aos ordinários.
Caso prático: Banco Santander sempre distribui 10% a mais de dividendos para PN (SANB4) comparado com ON (SANB3). Se o banco divide R$ 100 de lucro, acionistas PN pegam sua fatia primeiro e geralmente maior.
Isso é especialmente protetor em cenários de crise ou menor lucratividade. Enquanto a empresa divide um bolo pequeno, quem tem PN está na fila prioritária.
Outras vantagens das ações preferenciais:
A desvantagem? Sem direito de voto, você não pode influenciar decisões corporativas. Raramente isso é um problema para investidor minoritário, mas em situações onde a gestão faz escolhas questionáveis, acionistas PN ficam desamparados.
Exemplos do mercado: Petrobras (PETR4), Bradesco (BBDC4), Gerdau (GGBR4).
A proteção que você não pode ignorar: Tag Along
Independentemente de escolher ON, PN ou Units, existe um mecanismo de proteção que você precisa conhecer: o Tag Along.
Imagine que um fundo de investimento compre o controle total da empresa em que você tem ações. Sem proteção, você poderia ficar com papéis de uma companhia sob nova gestão, sem poder fazer nada. O Tag Along muda isso.
Esse direito permite que acionistas minoritários vendam suas ações pelo mesmo preço oferecido aos controladores, evitando perdas injustas quando há mudança de controle. É basicamente um “pule fora aqui pelo mesmo valor” oferecido aos pequenos acionistas.
Mas cuidado: nem toda ação oferece 100% de Tag Along. A Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (TRPL3), por exemplo, oferece apenas 80% de Tag Along para ON e 0% para PN. Isso significa que acionistas PN estão completamente desprotegidos em caso de venda.
Esse é um detalhe que muitos investidores ignoram, mas que pode custar caro.
Como montar sua estratégia: ON, PN ou Units?
A resposta não é igual para todo mundo. Depende do que você busca:
Escolha Units se: quer simplicidade, diversificação em uma operação e não se importa em perder flexibilidade na proporção ON/PN.
Escolha ON se: você tem uma participação considerável na empresa e quer influenciar decisões, ou acredita que haverá disputas de controle importantes em breve.
Escolha PN se: seu foco é receber dividendos consistentes, prefere empresas mais estáveis e quer maior prioridade na distribuição de lucros.
Na prática, muitos investidores usam uma combinação: Units para diversificação fácil + compra individual de PN em empresas onde querem renda focada + ações ON em empresas onde têm tese de longo prazo e significativa.
O papel das ações preferenciais e ordinárias no seu portfólio
As ações preferenciais e ordinárias representam diferentes filosofias de investimento. ON é para quem quer voz ativa e acredita que pode influenciar resultados. PN é para quem quer receber fluxo de caixa com proteção prioritária.
Units funcionam como uma ponte entre os dois mundos, oferecendo flexibilidade com custo de rigidez na customização.
Checklist final
Antes de comprar qualquer papel, pergunte-se:
As ações ordinárias, preferenciais e Units são ferramentas poderosas quando usadas com intenção. O investidor educado não escolhe apenas pelo nome da ação, mas pela compreensão real de como cada uma funciona e o que ela oferece em termos de direitos, riscos e retornos.