O Bitcoin é realmente um investimento ou uma armadilha? Análise da controvérsia das criptomoedas a partir da definição de esquema Ponzi

Acadêmico provoca nova onda de discussão

Recentemente, um professor do Departamento de Finanças da NTU publicou uma mensagem nas redes sociais, apontando que investir em Bitcoin pode se tornar um cúmplice de fraudes, equiparando-o a um esquema Ponzi. Ao mesmo tempo, um trader conhecido também apresentou a opinião de que a grande queda do Bitcoin em outubro pode estar relacionada ao caso do Grupo Prince. Essas declarações despertaram ampla atenção no mercado e nos levam a uma compreensão mais profunda: afinal, o que é um esquema Ponzi verdadeiro? O Bitcoin atende à sua definição?

Qual é a definição oficial de esquema Ponzi

De acordo com a definição clara da (SEC) dos Estados Unidos, um esquema Ponzi é, essencialmente, uma fraude de investimento. Sua lógica operacional é: usar os fundos de investidores posteriores para pagar os investidores iniciais, criando uma aparência falsa de lucro.

As características típicas de um esquema Ponzi incluem:

Promessa de altos retornos com risco extremamente baixo — os fraudadores afirmam que podem oferecer retornos estáveis e elevados, com risco quase zero

Retornos excessivamente consistentes — independentemente das oscilações do mercado, o ativo de investimento sempre mantém um retorno positivo estável, o que já é um sinal de alerta

Falta de transparência na operação — uso de estratégias confidenciais ou complexas, dificultando que os investidores entendam claramente o fluxo de fundos

Falta de regulamentação — produtos de investimento não registrados, vendedores sem licença

Dificuldade de saque — quando os investidores tentam retirar fundos, frequentemente enfrentam problemas no mecanismo

Problemas com documentação — extratos de contas frequentemente apresentam erros, sugerindo que os fundos não estão sendo investidos conforme prometido

A razão pela qual esquemas Ponzi inevitavelmente colapsam é que eles dependem de um fluxo contínuo de novos fundos. Quando é difícil recrutar novos investidores ou quando muitos investidores existentes tentam sacar simultaneamente, o sistema desmorona instantaneamente.

Bitcoin é um esquema Ponzi? Quatro diferenças principais

Diferença fundamental entre promessa e realidade

Satoshi Nakamoto nunca prometeu qualquer retorno de investimento ao criar o Bitcoin. Na verdade, o white paper do Bitcoin discute a arquitetura técnica, liberdade, política monetária e outros temas acadêmicos, não promessas de retorno. Nos estágios iniciais, o Bitcoin era conhecido por sua extrema volatilidade; qualquer afirmação de “retorno estável e alto” vem de analistas de mercado ou traders, e não do próprio Bitcoin.

Você não acha que alguém prever que as ações da Apple subirão para 500 yuan no final do ano significa que Steve Jobs estaria envolvido em um esquema Ponzi, certo? O mesmo raciocínio se aplica ao Bitcoin.

Revolução na transparência e código aberto

A característica mais central do Bitcoin é seu código totalmente open source. Todo o código está disponível na internet para revisão pública, e qualquer pessoa pode rodar um nó completo para verificar a integridade da blockchain e o registro de transações. Nenhuma autoridade centralizada com caixa-preta pode alterar o código ou falsificar dados secretamente.

Isso é completamente oposto às características de segredo típicas de esquemas Ponzi. A transparência do Bitcoin significa que:

  • Qualquer pessoa pode verificar livremente o limite de oferta total (21 milhões de moedas)
  • Os registros de transações são imutáveis, e todos os fluxos de fundos podem ser rastreados na cadeia
  • Ninguém pode desviar fundos ou criar relatórios falsos clandestinamente

Em comparação, há riscos no ecossistema de criptomoedas, mas esses riscos vêm de má gestão por parte dos usuários, invasões a exchanges ou engano na entrega de chaves privadas. Esses são problemas humanos relacionados ao Bitcoin, não uma falha inerente à sua tecnologia.

Mecanismo de distribuição justo

Após a publicação do software, Satoshi Nakamoto minerou junto com outros, sem reservar vantagens especiais para si. Em contraste, muitos projetos de criptomoedas posteriores adotaram mecanismos de “pré-mineração”, reservando uma grande quantidade de tokens para a equipe e investidores iniciais. Por exemplo, o Ethereum reservou 72 milhões de moedas antes do lançamento da rede principal para a equipe de desenvolvimento e investidores iniciais.

O Bitcoin segue um modelo verdadeiramente descentralizado: após sua criação, Satoshi Nakamoto operou por apenas dois anos e depois saiu de cena, sendo substituído pela comunidade de código aberto. Ninguém possui controle absoluto sobre seu desenvolvimento. Essa característica faz do Bitcoin um dos poucos ativos digitais que continuam a prosperar sem liderança centralizada.

Mudança regulatória reconhecida

No início, o Bitcoin enfrentou muitas incertezas: não era oficialmente registrado, apresentava riscos elevados e exigia conhecimentos técnicos e econômicos consideráveis para compreensão. Mas essas características por si só não configuram um esquema Ponzi.

Hoje, a situação mudou drasticamente. Os EUA aprovaram vários ETFs de Bitcoin, instituições financeiras como Fidelity e JPMorgan estão explorando ativamente aplicações tecnológicas do Bitcoin. O governo dos EUA até criou uma “Reserva Estratégica de Bitcoin” e abriu canais de compra através de exchanges regulamentadas como Coinbase.

Esses avanços mostram que o Bitcoin passou de um ativo marginal para uma ferramenta de investimento mainstream, recebendo reconhecimento formal de grandes instituições financeiras e do governo.

Bitcoin e ouro: aplicação da mesma lógica

Alguns tentam usar o conceito de “esquema Ponzi amplo” para atacar o Bitcoin, alegando que ele depende do crescimento contínuo de investidores para sustentar o preço. Mas, usando a mesma lógica, o ouro, um produto com uma história de cinco mil anos, também poderia ser considerado um esquema Ponzi.

O ouro não gera fluxo de caixa ou dividendos; seu valor depende inteiramente do quanto as pessoas estão dispostas a pagar por ele. Sua reputação como reserva de valor vem do consenso social e do efeito de rede. A oferta de ouro cresce cerca de 1,5% ao ano, e sua escassez mantém seu valor a longo prazo.

O Bitcoin é altamente semelhante ao ouro nesse aspecto:

  • Oferta total fixa (limite de 21 milhões de moedas, com mais de 18,5 milhões já mineradas)
  • Mecanismo de halving a cada quatro anos para garantir previsibilidade na oferta
  • Possui escassez, divisibilidade e substituibilidade
  • Seu valor é baseado unicamente no consenso de mercado, não em fluxo de caixa interno

Se o ouro não é um esquema Ponzi, o Bitcoin também não é. Ambos são commodities monetárias, cuja utilidade está na armazenagem e transmissão de valor.

O verdadeiro esquema Ponzi: o sistema bancário?

Sob a definição mais ampla de esquema Ponzi, o sistema bancário global na verdade apresenta algumas características similares.

Os bancos adotam o sistema de reservas fracionárias: eles coletam depósitos e usam a maior parte desses fundos para empréstimos ou compra de títulos, mantendo apenas uma pequena parte como reserva. Nos EUA, por exemplo, a reserva de caixa total dos bancos é cerca de 20% do total de depósitos. Isso significa que, se 20% dos depositantes sacarem ao mesmo tempo, o sistema bancário entrará em colapso.

No início de 2020, durante a pandemia, houve casos em que bancos não conseguiram atender às demandas de saque. Isso é um sinal de alerta para a SEC, que considera dificuldades de saque uma característica de esquema Ponzi.

O funcionamento do sistema bancário é como um jogo de cadeiras: o número de credores é muito maior do que o número de cadeiras disponíveis (dinheiro em caixa). Quando o jogo para, o sistema entra em crise, e alguns não conseguem sentar-se ou sacar seus fundos.

A razão de ainda não ter ocorrido um colapso em larga escala é o apoio do governo e do banco central. Quando há crise, o banco central imprime dinheiro para comprar ativos e restaurar a liquidez, mas isso apenas adia o problema, levando à contínua perda de valor da moeda fiduciária.

Em contraste, o design do Bitcoin é completamente oposto: nenhuma entidade central pode “salvar” ou manipular sua oferta, pois todas as regras estão codificadas e imutáveis.

A verdade sobre lavagem de dinheiro: o dinheiro em espécie é protagonista

Algumas pessoas afirmam que grupos de fraude usam principalmente Bitcoin para lavar dinheiro. Mas um relatório do SWIFT refuta essa ideia: a maior parte das operações de lavagem ainda é feita com dinheiro em espécie, e o uso de criptomoedas é mínimo.

A ferramenta em si é neutra. Um médico usa uma faca para salvar vidas, um criminoso pode usar a mesma faca para ferir alguém, mas isso não torna a faca inerentemente má. Embora o Bitcoin ofereça certo grau de anonimato, todas as transações são permanentemente registradas na cadeia e podem ser rastreadas por autoridades judiciais. Por outro lado, o dinheiro em espécie, a forma mais antiga de pagamento, ainda é a preferência número um para lavagem de dinheiro.

Caso do Grupo Prince: pânico no mercado ou falha técnica?

Sobre a forte queda do Bitcoin em outubro, relacionada ao caso do Grupo Prince, essa conclusão requer uma análise mais cuidadosa.

O governo dos EUA confiscou 127 mil Bitcoins do Grupo Prince, cujo valor na época era cerca de @E5@340 bilhões de TWD. Mas o fato crucial é que essa transferência ocorreu em 2020, e só em outubro o Departamento de Justiça dos EUA anunciou oficialmente o confisco, ligando os eventos na mídia.

Mais importante, a razão fundamental do roubo desses Bitcoins não foi uma falha de segurança do Bitcoin, mas o uso de um gerador de números pseudoaleatórios com vulnerabilidades ((PRNG)), que resultou na geração de chaves privadas não verdadeiramente aleatórias. Essas carteiras tinham chaves que podiam ser derivadas matematicamente. As autoridades americanas identificaram esses endereços vulneráveis e conseguiram desbloqueá-los.

A raiz do problema está na má prática de segurança dos pools de mineração, não em uma falha do design do Bitcoin.

Além disso, o confisco de Bitcoins pelo governo não é uma má notícia para o preço? Na verdade, os EUA criaram uma “Reserva Estratégica de Bitcoin” por meio de ordens administrativas, e os Bitcoins confiscados serão gerenciados como ativos nacionais. De certa forma, a ação do governo “trava” esses Bitcoins, reduzindo sua circulação no mercado.

Conclusão

Classificar o Bitcoin simplesmente como um esquema Ponzi ignora suas diferenças fundamentais em tecnologia, transparência, distribuição justa e reconhecimento regulatório. Essa visão não só é logicamente insustentável, como também subestima o potencial inovador do Bitcoin como uma moeda descentralizada.

O verdadeiro risco de investimento não está no próprio Bitcoin, mas na má gestão por parte dos usuários, nas fraudes no ecossistema ou na falta de compreensão da volatilidade do mercado. O futuro do investimento em Bitcoin depende de entender sua essência tecnológica, reconhecer os riscos de mercado e não se deixar enganar por acusações simplificadas.

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