Bitcoin "sujinho" de Qian Zhimin: Uma longa jornada de recuperação de ativos transnacionais

O caso de fraude Lantian Gerui entrou numa fase decisiva — não é uma sentença criminal de (11 anos e 8 meses), mas uma batalha jurídica para recuperar os 61.000 bitcoin que estão bloqueados no Reino Unido. Com mais de 400 vítimas chinesas que perderam bilhões de yuan, a questão deixou de ser “quem deve ser responsabilizado” para “quem pode recuperar o dinheiro”.

O que é considerado “dinheiro sujo” que precisa ser recuperado?

Em 11 de novembro de 2025, a juíza Sally-Anne Hales, do Supremo Tribunal do Reino Unido, não apenas condenou Qian Zhimin, mas também destacou um ponto importante: as vítimas não perderam apenas dinheiro, perderam também o esperança no futuro. “Há quem tenha perdido a casa, a saúde foi afetada, o casamento desfeito”, reconheceu o tribunal.

Para o professor Zheng Zhengge, “perda total, família destruída” não é apenas uma expressão. Em 2016, seduzido pela promessa de “colaboração com o governo” no projeto Lantian Gerui, ele tomou empréstimos, usou seu salário para investir mais de 1 milhão de yuan. Quase oito anos depois, ainda deve 100.000 yuan, seu cartão de salário está congelado, enquanto seus filhos aguardam dinheiro para a faculdade.

Desde junho de 2014, Qian Zhimin coordenou os “titulares de contas” para abrir contas em plataformas de troca de criptomoedas e sistematizou a conversão de fundos dos investidores em ativos digitais. A sentença do Reino Unido revela: ao chegar ao Reino Unido em setembro de 2017, Qian Zhimin possuía cerca de 70.000 bitcoin. A polícia de Londres posteriormente bloqueou 61.000 bitcoin — mas essa é apenas a parte visível.

De acordo com documentos judiciais, Qian Zhimin comprou um total de 194.951 bitcoin, três vezes mais do que o valor bloqueado. E os outros mais de 120.000 bitcoin? Qian Zhimin afirmou que “perdeu a senha” da carteira que continha 20.000 bitcoin — só essa parte “perdida” vale atualmente cerca de 12,5 bilhões de yuan.

A batalha jurídica “um país, dois regimes”

Embora não haja extradição, a polícia do Reino Unido reconheceu os fatos criminosos fornecidos pela China — um avanço importante na cooperação jurídica. Mas o próximo passo é real: quem vai ficar com o dinheiro recuperado?

Segundo a lei do Reino Unido (POCA - Lei de Recuperação de Lucros Ilícitos de 2002), quando os bens são apreendidos, o governo britânico compartilha com o país requerente, geralmente na proporção de 50%. Mas, em casos de fraudes econômicas como o Lantian Gerui, não há uma proporção fixa — tudo depende do procedimento judicial, das provas e das negociações diplomáticas.

“O ponto mais difícil é que o Reino Unido primeiro determinará a propriedade dos bens, antes de considerar a devolução à China.” Isso significa: se o Reino Unido disser “parte desses bens é nossa”, a China não terá chance de recuperá-los. A polícia de Londres até expressou esperança de que uma parte dos bens “vá para Londres e para os londrinos” — pois eles dedicaram sete anos à investigação.

O mecanismo de incentivo à recuperação de bens (ARIS) do Reino Unido regula a divisão 50:50 entre o governo central e as agências de aplicação da lei, para estimular a recuperação de criminosos. “Diante de lucros tão altos, qualquer organização pode ser considerada ‘uma mente econômica racional’”, comentou o especialista Yan Lixin, da Universidade Fudan.

Pode uma vítima reivindicar indenização pelo aumento de valor?

Hoje, mais de 1.000 investidores chineses tentam obter direitos por via civil. Muitos defendem uma postura firme: não apenas recuperar o capital investido, mas também os lucros do aumento do valor do bitcoin ao longo de sete anos.

Na época do bloqueio, esses 61.000 bitcoin valiam cerca de 305 milhões de libras esterlinas. Hoje, ultrapassam 5 bilhões de libras — um retorno de quase 1.600%. As vítimas podem reivindicar esse “lucro”?

Segundo o princípio de “rastreabilidade” no combate à lavagem de dinheiro: se o dinheiro fraudulento foi usado para comprar bilhetes de loteria premiados, a vítima tem direito a reivindicar o prêmio completo. De forma semelhante, se o dinheiro roubado foi convertido em bitcoin, a vítima pode reivindicar pelo valor atual.

Por outro lado, há quem argumente que o aumento de valor é uma consequência da valorização do mercado, e não um lucro legítimo de investimento. Permitir que as vítimas reivindiquem pelo valor atual poderia levar à ideia de que “sucesso é lucro alto, fracasso é vítima” — uma visão ética equivocada.

No caso PlusToken na China, todo o valor dos ativos criptográficos, incluindo a valorização, é considerado benefício ilícito. Alguns especialistas defendem que a valorização que excede o capital investido deve ser considerada “valor residual público”, e a China deveria reivindicar essa enorme diferença para o orçamento nacional.

O desafio técnico: rastrear fluxos de dinheiro através do sistema

Porém, o maior desafio técnico é rastrear com precisão o fluxo de dinheiro. Para provar que os bitcoin bloqueados vêm do dinheiro roubado na fraude Lantian Gerui, os investidores precisam seguir exatamente o caminho do dinheiro desde o yuan original até os 61.000 bitcoin atuais.

Isso é uma tarefa “quase impossível”. Por quê? Porque o fluxo de dinheiro passa por três sistemas distintos:

Primeiro: Sistema bancário e troca de dinheiro em yuan.

Segundo: Mercado OTC (fora da plataforma), baseado em redes de relacionamento e grupos WeChat — sem registros claros.

Terceiro: O fluxo na cadeia é embaralhado por carteiras frias, múltiplas camadas de transferência e mixers de criptomoedas.

De 2014 a 2017, foi o período de “condições perfeitas” para lavagem de dinheiro: troca de moedas fora de plataformas, compras concentradas, alta mistura de fundos, uso de mixers. Quando o dinheiro entra no “tanque grande”, perde-se a identificação individual. Análises na cadeia só podem determinar que a “água do tanque está suja”, mas não de quem é cada gota.

“Quando o dinheiro chega às mãos de funcionários de desenvolvimento de mercado ou entra no tanque, ele já está em uma caixa-preta gigante, e do ponto de vista individual, não é possível saber de quem veio cada moeda,” explica um especialista.

Mais complicado ainda, no caso Lantian Gerui, muitas vítimas participam de rodízios de reinvestimento: capital original, lucros e reinvestimentos misturados, alguns devolvem dinheiro em espécie, outros recebem “moedas promocionais” ou bens. Os registros e perdas reais não coincidem.

“Atualmente, tanto na China quanto no Reino Unido, falta uma força especializada capaz de reconstruir todo o fluxo de dinheiro de forma completa e confiável,” comentou um advogado que estuda profundamente o caso.

Exemplos internacionais que trazem esperança

Felizmente, há precedentes. Em 2015, o ex-diretor de construção econômica do distrito de Poyang, Jiangxi, Li Huabo, mostrou um caminho. Apesar de China e Singapura ainda não terem assinado um tratado de cooperação jurídica bilateral, as duas partes colaboraram: o Supremo Tribunal de Singapura executou a decisão de apreensão do tribunal chinês e devolveu integralmente 20,44 milhões de yuan à China.

Foi a primeira vez que a China utilizou procedimento de apreensão de bens ilícitos para recuperar ativos de corrupção de criminosos que fugiram ao exterior — um modelo de devolução total que pode ser aplicado.

O caminho à frente

Especialistas reforçam que a China deve enfatizar o princípio de “prioridade às vítimas” nas negociações: só após pagar integralmente as vítimas, o restante será dividido entre China e Reino Unido. O governo chinês pode aceitar que o Reino Unido deduza “custos de execução razoáveis”, mas deve evitar assumir uma proporção fixa de 50% ou menos.

Alguns advogados sugerem que o governo chinês ou uma entidade de gestão de ativos designada deve representar todas as vítimas, ingressando com ação civil na justiça britânica. “Não é apenas uma questão técnica jurídica, mas também de governança social. A presença do governo trará maior tranquilidade às vítimas no país e demonstrará a vontade nacional perante tribunais internacionais.”

Este caso não é apenas uma recuperação de bens, mas uma oportunidade. Pode impulsionar a China a passar de “focar apenas nos riscos e proibir criptomoedas” para “gerenciar riscos, estabelecer regras e integrar-se internacionalmente”. Só assim a China terá voz ativa nas futuras negociações de recuperação de ativos transnacionais.

(O nome Zheng Zhengge, Ge Qiu no artigo é pseudônimo)

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