A pesquisa da Fu Jen University revelou que o desempenho dos deputados que possuem ações não é consistentemente superior ao do mercado. Deputadas femininas apresentam melhores retornos, e a influência de ligações políticas e atenção mediática nos preços das ações é significativa.
Será que os deputados taiwaneses realmente têm um olhar de investimento melhor do que investidores comuns? Um estudo realizado pelo Departamento de Finanças e Empresas Internacionais da Fu Jen University analisou os dados de declaração de bens públicos dos deputados, criou uma “carteira de ações dos deputados” e comparou com uma carteira de mercado geral. Constatou-se que, em certas condições, as ações detidas por políticos exibem características de investimento distintas, mas o desempenho geral não é consistentemente superior ao do mercado.
A pesquisa acompanhou o período de 2021 a 2023 e analisou a relação entre as ações dos deputados, atenção da mídia, comportamento de investidores institucionais e exposição na mídia, tentando responder a uma questão de longo prazo: políticos têm vantagem de informação que lhes proporciona melhor desempenho de investimento?
Os resultados mostram que o desempenho das ações dos deputados não é significativamente melhor do que o de não deputados, embora os 30% com maior número de reeleições tenham retornos mais elevados.
A pesquisa utilizou como amostra os deputados da 10ª legislatura, dos quais 113, 61 possuíam ações de empresas listadas, representando cerca de 53,98%.
Por partido:
E 52 deputados não possuíam ações.
Por região, a proporção de deputados com ações é mais alta em cidades como Taipei, New Taipei, Taoyuan, Taichung, Tainan e Kaohsiung. A hipótese é que isso se deve à maior concentração de empresas urbanas e às oportunidades de contato com a indústria por parte de políticos dessas áreas.
Fonte: Tz-Lin News, tabela de distribuição setorial das ações dos deputados, origem: Plano de desempenho de carteiras de ações dos deputados
A análise das 191 empresas listadas detidas pelos deputados revelou uma preferência clara na composição de suas carteiras:
Focando principalmente em:
Por exemplo, no setor financeiro e de seguros, a proporção de ações detidas pelos deputados chega a 61,76%, enquanto nos setores de plástico e papel essa proporção ultrapassa 66%. A pesquisa sugere que políticos preferem investir em setores tradicionais, com menor volatilidade e dividendos estáveis, ao invés de ações de alto risco e crescimento.
A pesquisa construiu dois modelos de carteira de investimento:
Os resultados indicam que, em 2021, a carteira dos deputados teve desempenho superior ao do mercado geral, com retorno anual de 35,7%, contra 28,7% dos não deputados. Em 2022, ambos tiveram perdas, mas em 2023, a carteira de mercado geral apresentou melhor desempenho. No geral, as ações dos deputados não demonstraram desempenho consistentemente superior ao mercado.
Quando usando ponderação pelo valor de mercado, os retornos dos deputados foram significativamente inferiores aos do mercado.
Diversos estudos indicam que a ligação entre empresas e forças políticas pode afetar o preço das ações e o desempenho financeiro de longo prazo. A academia geralmente acredita que empresas que fazem doações políticas ou têm diretores com background político podem obter vantagens em políticas, recursos ou financiamento. Lin Yihong (2021) descobriu que quanto maior o valor das doações políticas feitas às campanhas vencedoras, maior o retorno anormal acumulado das ações dessas empresas, sugerindo que doações podem influenciar o preço das ações.
Além disso, Nianhang Xu, Xinzhong Xu e Qingbo Yuan (2013) estudaram empresas familiares na China, constatando que aquelas com vínculos governamentais dependem menos de fluxo de caixa interno, indicando que relações políticas ajudam a obter financiamento externo. Wu, W., Wu, C., & Rui, O. M. (2012) também encontraram que o impacto das relações políticas varia: para empresas estatais locais, pode reduzir o valor da firma e o desempenho, enquanto para empresas privadas, relações políticas podem aumentar o valor e a performance.
Além das doações, a posição política dos diretores também pode afetar a avaliação do mercado. Zhang Kaiwen (2010) mostrou que, após a vitória do KMT na eleição presidencial de 2008, empresas com diretores de fundo pan-azul tiveram retornos anormais positivos, enquanto as de fundo pan-verde tiveram retornos negativos.
Chen Liangyu (2014) descobriu que quando deputados ou funcionários do governo possuem ações, isso afeta o valor da empresa independentemente do partido. Em 2012, após a vitória do KMT, ações de políticos do espectro azul tiveram retornos anormais mais altos do que as de políticos verdes, indicando que mudanças políticas podem gerar “tendências de vitória” no mercado.
A pesquisa também observou um fenômeno interessante: as deputadas femininas têm desempenho médio de carteira superior ao dos deputados masculinos. Por exemplo, em 2021, a taxa de retorno das deputadas foi 4,72% maior que a dos deputados homens. Em 2023, essa diferença foi de 6,73%. Acredita-se que isso possa estar relacionado a uma abordagem de investimento mais conservadora e melhor gestão de riscos por parte das mulheres.
Nos EUA, a obrigatoriedade de divulgar participações acionárias por políticos gerou discussões, como a de Pelosi, conhecida como “Rainha das Ações”. Um estudo testou uma hipótese comum: se uma ação é detida por vários deputados, ela é um melhor investimento?
Os resultados indicaram que empresas com múltiplos deputados detentores de ações geralmente são grandes corporações, mas seu retorno de curto prazo não é necessariamente maior. Essas empresas têm, em média, cerca de quatro vezes o tamanho das empresas detidas por um único deputado.
A hipótese é que deputados preferem investir em empresas grandes, estáveis e com altos dividendos. Seguir investidores institucionais também melhora os retornos. A análise da sobreposição entre ações dos deputados e os “três grandes investidores institucionais” (investidores estrangeiros, fundos de investimento e corretoras) mostrou que ações com maior participação de corretoras apresentam melhor desempenho, seguidas por estrangeiros e fundos.
O estudo utilizou o volume de buscas no Google Trends como indicador de “atenção da mídia”. Os resultados mostraram que as 30% ações mais buscadas tiveram retornos muito superiores às demais. Por exemplo, em 2021, ações altamente buscadas tiveram retorno de 49,26%, enquanto as menos buscadas tiveram 27,92%. Acredita-se que maior atenção atrai mais investidores, elevando os preços das ações.