Devido à forte dependência da Ásia em relação à energia do Médio Oriente, a subida dos preços do petróleo ameaça as perspetivas de inflação, levando a uma reversão na estratégia de “Vender EUA, Comprar Ásia”. O índice MSCI Ásia-Pacífico registou a maior queda semanal em seis anos, enquanto os fundos globais estão a retirar-se da Ásia a uma velocidade quase de quatro anos.
Este artigo é uma compilação, tradução e redação do artigo publicado pelo Wall Street Journal, organizado pelo Foresight News.
(Resumido: Queda de 20% nas ações sul-coreanas em dois dias, a pior na Ásia, porquê?)
(Complemento: As sanções de Trump por tarifas ilegais foram anuladas! Tribunal dos EUA ordena “proibição de implementação” e a Casa Branca recorre rapidamente, levando a uma celebração nas bolsas asiáticas)
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Os fundos globais estão a retirar-se da Ásia em ritmo quase de quatro anos, com uma forte saída de ações de mercados emergentes. O Wall Street Journal publicou anteriormente que mercados asiáticos como o Japão e a Coreia dependem fortemente das importações de petróleo do Médio Oriente. O aumento de conflitos no Irão elevou o sentimento de proteção, levando os investidores a reavaliar riscos, que se propagaram rapidamente para os mercados de ações e câmbios.
Segundo dados compilados pela Bloomberg, os fundos globais venderam na semana cerca de 11 mil milhões de dólares em ações de mercados emergentes, excluindo a China, o que deve representar a maior saída semanal desde março de 2022. Destes, cerca de 1,6 mil milhões de dólares na Coreia e 1,3 mil milhões na Índia.
A saída de capitais, aliada à queda do apetite ao risco, provocou uma forte queda nos mercados regionais. O índice MSCI Ásia-Pacífico caiu mais de 6% nesta semana, registando a maior perda semanal em quase seis anos, e a maior desvantagem relativamente ao S&P 500 desde abril. O índice Kospi da Coreia registou uma queda recorde num único dia, com várias paragens de negociação em alguns mercados.
Os estrategas do Morgan Stanley, devido aos riscos relacionados com a guerra no Irão, adotaram uma postura mais cautelosa em relação às ações de mercados asiáticos e emergentes, reduzindo de overweight para neutral a posição na Índia e nos Emirados Árabes Unidos, afirmando que a Ásia “depende fortemente do petróleo, produtos derivados e LNG do Médio Oriente”, e que o mercado subestimou os riscos na cadeia de abastecimento.
Este fluxo de saída marca a inversão de uma estratégia de alto rendimento recente, a de “Vender EUA, Comprar Ásia”. Essa estratégia apostava na fraqueza do dólar, numa inflação moderada e na procura impulsionada pela inteligência artificial, que favoreceria ações de chips na região, movendo fundos de ações americanas com avaliações elevadas para ações asiáticas.
No entanto, a situação no Irão abalou esses pressupostos. Gary Tan, gestor do fundo da Allspring Global Investments, afirmou que os investidores compraram ações asiáticas com base na expectativa de um dólar fraco e inflação controlada, mas a crise no Irão desafia essas hipóteses. O mercado está a reavaliar se o dólar permanecerá forte por longos períodos e se os preços elevados do petróleo irão reacender a pressão inflacionária.
Um motivo adicional para a retirada mais profunda dos ativos asiáticos é a elevada dependência do petróleo do Médio Oriente. Grande parte do combustível importado passa pelo estreito de Hormuz, cuja instabilidade aumenta o risco na cadeia de abastecimento. A subida do petróleo aumenta as preocupações com a inflação, especialmente num momento em que vários bancos centrais estão a começar a ganhar confiança na sua capacidade de controlar a inflação.
Economias como Japão, Coreia, Índia e Indonésia estão entre os maiores importadores mundiais de petróleo, enquanto os EUA já são um exportador líquido. Esta diferença reforça a perceção de que a Ásia, como região importadora líquida, será mais vulnerável a choques nos preços do petróleo, com potenciais efeitos inflacionários e de política.
Impulsionados por estratégias de proteção, o dólar fortaleceu-se, pressionando as moedas de países importadores de petróleo e elevando as preocupações com a inflação doméstica. A moeda sul-coreana, o won, registou na terça-feira a maior queda diária desde 2009, com investidores a temerem riscos de alavancagem passiva e de liquidação forçada.
Ao mesmo tempo, a volatilidade aumentou. O índice de volatilidade cambial de mercados emergentes da JP Morgan subiu esta semana acima dos níveis comparáveis do G7, encerrando um período de baixa prolongada, indicando uma rápida mudança na perceção de risco do mercado.
No plano estratégico, os estrategas do Morgan Stanley, devido aos riscos de guerra no Irão, adotaram uma postura mais cautelosa em relação às ações de mercados emergentes, reduzindo de overweight para neutral as posições na Índia e nos Emirados Árabes Unidos, e elevando de reduzido para neutral a posição na Arábia Saudita.
Daniel Blake e Jonathan Garner, em relatórios, afirmaram: “Mantemos uma postura defensiva”, destacando que a Ásia “depende fortemente do petróleo, produtos derivados e LNG do Médio Oriente”, e que o mercado subestimou os riscos na cadeia de abastecimento.
O Citigroup também enfatiza a gestão do ritmo. Luis Costa, em relatório, afirmou que nos últimos dias reduziram significativamente a exposição ao risco, mas que, se surgirem sinais de estabilidade, pretendem reestabelecer posições de alta em mercados emergentes. Apesar de existirem “sinais iniciais de estabilização” nos preços do petróleo, ainda é prematuro afirmar que os preços irão repetir o trajetória de 2022.
Para além da situação no Médio Oriente, os investidores também aguardam os dados de emprego não agrícola dos EUA, a divulgar esta noite, para obter pistas sobre o percurso da política de juros do Federal Reserve. A reavaliação do dólar e do risco global de capital poderá determinar se esta fase de “retirada” da Ásia é apenas uma volatilidade temporária ou uma reequilíbrio mais duradouro das posições.