O banqueiro mais poderoso do país fez duras críticas à indústria de ativos digitais nesta semana, enquanto os apoiantes do setor financeiro tradicional e das criptomoedas discutem sobre a redação de um projeto de lei de mercado de criptomoedas que está parado. O projeto de lei enfrenta vários obstáculos, mas o mais destacado envolve uma disputa sobre a capacidade das empresas de criptomoedas de pagar recompensas a clientes que possuem stablecoins, tokens ligados ao valor do dólar. Gigantes como Coinbase parecem dispostos a insistir que devem poder oferecer aos clientes rendimentos significativos sobre holdings de stablecoins, enquanto os bancos argumentam que esses programas poderiam tornar contas bancárias de baixo rendimento menos atrativas e são injustos. Quando questionado sobre o assunto na segunda-feira, o CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, adotou um tom bastante firme, argumentando que, se os bancos estivessem sujeitos a certas restrições que as empresas de criptomoedas que oferecem rendimento sobre stablecoins não estão, a situação poderia representar um desastre para a economia dos EUA.
“Não pode ser: vocês têm essas pessoas fazendo uma coisa sem qualquer regulação, e outras fazendo outra”, disse Dimon em uma entrevista à CNBC. “Se fizerem isso, o público vai pagar. Vai ficar ruim.” Dimon destacou a longa lista de regras que os bancos que oferecem rendimento aos clientes precisam cumprir, incluindo participação no programa de seguro de depósitos federal, e conformidade com diversos requisitos relacionados a padrões de combate à lavagem de dinheiro, transparência, investimento comunitário, relatórios e governança. “Se quer ser um banco, torne-se um banco”, afirmou Dimon. “Então você pode fazer o que quiser sob a lei bancária.” O CEO do JPMorgan — um cético notório do Bitcoin — acrescentou que acredita que tais regulações são importantes porque “você quer um sistema financeiro seguro.”
Sob a lei GENIUS, focada em stablecoins, que foi sancionada pelo presidente Donald Trump no verão passado, os emissores de stablecoins devem cumprir certas regras relacionadas à luta contra a lavagem de dinheiro, liquidez e gestão de riscos. Mas o drama atual em Washington está mais relacionado a intermediários como a Coinbase, que buscam garantir o direito de repassar recompensas em stablecoins aos clientes — ou pelo menos, não reduzi-las — em um amplo projeto de lei sobre a estrutura do mercado de criptomoedas. Esse projeto, muito desejado pela maior parte da indústria cripto, estava prestes a ser votado pelo poderoso Comitê de Bancos do Senado em janeiro. Mas, na véspera da votação, a Coinbase repentinamente retirou seu apoio ao projeto, citando a possibilidade de que os senadores aprovassem emendas que restringiriam os programas de recompensas em stablecoins. A votação no Comitê de Bancos do Senado foi rapidamente adiada, e ainda não foi remarcada. Para tentar resolver a questão antes que o Congresso pare por causa das eleições de meio de mandato em novembro, a Casa Branca realizou várias reuniões entre líderes do setor de criptomoedas e bancos na tentativa de encontrar um meio-termo. Mas essas reuniões — que inicialmente a Casa Branca afirmou que deveriam resultar em um compromisso até 1 de março — tiveram poucos resultados concretos. Ambos os lados continuam bastante distantes até março, e os negociadores do setor bancário acreditam que um acordo pode não ser alcançado antes que o tempo acabe no Congresso, informou a Decrypt na semana passada. Líderes da indústria de cripto reagiram a essa caracterização — mas as declarações de Dimon nesta semana parecem ter reforçado essa visão.