Uma proposta que permitiria aos trabalhadores receber salários em carteiras digitais geridas por fornecedores de pagamento foi derrotada após os bancos pressionarem os legisladores a excluir essa opção durante os debates sobre a reforma da nova lei trabalhista na Argentina.
A Argentina não conseguiu avançar na oferta de mais opções para que os trabalhadores recebam seus salários.
A opção de receber pagamentos de salário via carteiras digitais geridas por fornecedores de pagamento foi finalmente removida do texto da reforma trabalhista aprovado pelo Senado. O texto, fortemente contestado pelos partidos de oposição, permite apenas pagamentos de salários através de instituições bancárias tradicionais, deixando as fintechs de fora do processo.

O primeiro rascunho incluía um artigo que declarava o seguinte:
“A remuneração em dinheiro devida ao trabalhador deve ser paga, sob pena de nulidade, apenas por meio de crédito em uma conta aberta em seu nome em uma instituição bancária ou de poupança oficial, ou através de Provedores de Serviços de Pagamento que cumpram os requisitos regulatórios estabelecidos pelo Banco Central da República Argentina (BCRA) para tal atividade.”
No entanto, os bancos se opuseram a isso, ressaltando que isso drenaria a liquidez do sistema bancário para financiar suas atividades. Marcelo Mazzon, gerente executivo da Associação de Bancos Públicos e Privados (Abappra), destacou que essa medida “comprometeria a liquidez do sistema e a existência de facilidades de crédito produtivo.”
Além disso, a Abappra alegou que aprovar esse artigo aumentaria os riscos para os usuários, uma vez que eles não têm as mesmas proteções que os bancos em relação à segurança desses fundos. “Em caso de insolvência, os fundos dos trabalhadores seriam incluídos na massa falida sem prioridade”, declarou.
A Câmara de Fintechs da Argentina criticou o resultado dessa medida, alertando que essa reação impulsiva não defende a segurança dos fundos dos usuários, mas sim a disponibilidade desses fundos livres para financiar o modelo de negócios dos bancos.
“O modelo de negócios deles depende de manter privilégios regulatórios ao invés de oferecer melhores serviços do que as fintechs”, concluiu a câmara.
Mesmo assim, a aprovação dessa reforma é considerada uma vitória para a administração do presidente Javier Milei, uma vez que moderniza um quadro estabelecido em 1974.